Daniel Teixeira/Estadão
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Bolsa fecha em alta de 2,2% com ajuda do mercado de Nova York; dólar vai a R$ 5,68

Após retração observada entre investidores institucionais e estrangeiros, Ibovespa ganhou força e terminou a semana com alta de 4,70%, interrompendo uma série de três perdas semanais

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de março de 2021 | 17h41
Atualizado 05 de março de 2021 | 19h55

Com ventos mais positivos vindos dos índices de Nova York, a Bolsa brasileira (B3) seguiu sua trajetória de alta nesta sexta-feira, 5, iniciada após a aprovação da PEC que vai destravar o auxílio no Senado, e fechou com alta de 2,23%, aos 115.202,23 pontos, o que não ocorrida desde fevereiro passado. No câmbio, o dólar fechou em alta de 0,45%, a R$ 5,6835.

Após retração observada entre investidores institucionais e estrangeiros, o desconto nos preços favoreceu algum reingresso de fluxo na B3, em semana que chega ao fim com a superação do impasse sobre o formato da PEC emergencial, aprovada em dois turnos no Senado com o Bolsa Família dentro do teto de gastos. "Na Câmara, a expectativa é de que o 'core' da PEC seja preservado e que havendo mudança, seja algo marginal", aponta Mauro Orefice, diretor de investimentos da BS2 Asset. "Tivemos uma vitória da equipe econômica na semana, após muito ruído."

"Evitou-se o pior nesta semana, prevalecendo responsabilidade fiscal com a manutenção do Bolsa Família dentro do teto. O Ibovespa reagiu a isso, porque se temia o pior. Mas o médio prazo ainda é difícil, o viés é negativo para os ativos. Estamos muito atrasados na vacinação, e com retomada de lockdown para conter a pandemia, o primeiro trimestre está perdido. Muitas instituições estão recalculando a expectativa de crescimento para o ano", observa Erminio Lucci, CEO da BGC Liquidez.

Nos Estados Unidos, além da geração de empregos tocar em 378 mil postos em fevereiro, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de St. Louis, James Bullard, afirmou que o juro do título do Tesouro americano com vencimento de dez anos está apenas retornando ao nível consistente com os seis meses anteriores à pandemia da covid-19. Na avaliação dele, os retornos estão ainda "em nível muito baixo". Em resposta, em Nova York, Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq fecharam com ganhos de 1,85%, 1,95% e 1,55% cada.

A movimentação no mercado de títulos do Tesouro americano tem movimentado os índices nos últimos dias, principalmente após os retornos desses ativos voltarem a subir com força total na semana passada, acompanhando o movimento de recuperaçã0 da economia dos Estados Unidos. No entanto, o mercado financeiro teme que esse movimento gere uma debandada de recursos para o mercado de títulos públicos americano, considerado muito mais seguro que os investimentos em ações.

Os fundamentos, contudo, não têm contribuído recentemente para progressão duradoura do índice da B3, que logo no início do ano, em 8 de janeiro, renovou máxima histórica aos 125 mil pontos. Desde então, ruídos sobre a gestão das contas públicas, interferência política na Petrobrás e falta de controle da pandemia no Brasil passaram a chamar atenção dos investidores. Hoje, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou para a situação no País, considerada pelo diretor-geral, Tedros Adhanom, como "muito, muito preocupante".

Vice-diretor da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), o brasileiro Jarbas Barbosa avalia que o colapso na rede de saúde de Manaus (AM), no início do ano, pode se repetir no resto do Brasil, caso não sejam tomadas medidas "enérgicas", como um lockdown - iniciativa que tem sofrido oposição aberta do presidente Jair Bolsonaro, e de forma velada por parcela dos governadores e prefeitos, entre idas e vindas em suspensões parciais das atividades. Barbosa observa que, mesmo os locais mais preparados do mundo, podem não suportar a demanda de pacientes sem medidas para controlar a transmissão do vírus.

Na última sessão da semana, os ganhos voltaram a se distribuir por empresas e setores, com destaque para alta de 5,80% em Vale ON, ao lado de Usiminas, com ganho de 5,83% e de CSN, com 5,08% entre as campeãs de mineração e siderurgia nesta sexta-feira. Bons ganhos também foram vistos no setor de bancos, com Bradesco ON em alta de 5,48%, e a PN, de 4,73%, Santander, de 4,44%, e Itaú PN, de 3,72%. Na semana, o Ibovespa acumula ganho de 4,70%, interrompendo uma série de três perdas semanais. No ano, cede 3,21%. 

Câmbio

O dólar fechou a sexta-feira acumulando alta de 1,39% nos últimos cinco dias, a terceira semana seguida de ganhos. Com isso, em 2021, a valorização da moeda americana bate em 9,54%, com o real mantendo o pior desempenho dos emergentes. Nem o cenário externo nem o doméstico têm ajudado o câmbio nos últimos pregões. Hoje a moeda americana voltou a ficar pressionada ante moedas emergentes com a nova alta da taxa de retorno dos Estados Unidos.

A aprovação da PEC Emergencial em dois turnos no Senado, mantendo o Bolsa Família dentro do teto de gastos, trouxe alívio, mas a avaliação é que o risco fiscal segue alto no Brasil, sujeito a mais ruídos com a tramitação do texto na Câmara na semana que vem. Para a economista-chefe da Armor Capital, Andrea Damico, o risco fiscal percebido pelos investidores deverá ainda seguir elevado, com impacto no câmbio e outros ativos locais, tendo em vista o caráter mais populista das últimas decisões de Jair Bolsonaro.

Com esse quadro, investidores vêm fazendo reforço extra em posições compradas em dólar no mercado futuro da B3. "Estamos com pressão compradora de moeda bem significativa, principalmente dos estrangeiros", destaca a economista da Armor. "Os fundos locais também foram às compras após o episódio da Petrobrás", completa.

No ano, o dólar sobe 9,5% ante o real, enquanto avança 6% ante o peso mexicano, 4,5% ante o rand da África do Sul e 1,33% na Turquia. O dólar para abril fechou em alta de 0,41%, a R$ 5,6965. /LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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