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Bolsa fecha com alta de 2,1% e dólar cai a R$ 5,56 com aumento do otimismo

Alta de Trumo do hospital nesta segunda após diagnóstico de covid-19 e sinais positivos em torno do Renda Cidadã animaram o mercado

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2020 | 11h43
Atualizado 05 de outubro de 2020 | 18h09

Ventos externos favoráveis e um ambiente com menor tensão política ajudaram a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, a fechar com ganho de 2,21%, aos 96.089,19 pontos nesta segunda-feira, 5. O cenário favorável também fez com que o dólar encerrasse em queda de 1,82%, a R$ 5,5673. Possível alta do presidente americano Donald Trump do hospital após o diagnóstico de covid-19 e os sinais positivos que chegam do Renda Cidadã deram fôlego aos ativos.

"A condição (de saúde) do presidente Trump melhorou no fim de semana e o otimismo é alto de que se recuperará, mas parece improvável que seja capaz de quebrar a liderança maciça de Joe Biden", escreve em nota o analista Edward Moya, da OANDA, em Nova York.

"Lá fora, o mercado começa a mostrar satisfação com eventual vitória do Biden. O debate da semana passada foi um fracasso para a tática divisiva de Trump, que começa a perder apoio inclusive nos segmentos da população em que tinha aprovação, entre os cidadãos de mais idade,e americanos brancos e protestantes", diz Shin Lai, estrategista-chefe da Upside Investor Research.

O fato de Nova York ter renovado máximas no momento em que era confirmada a saída de Trump do hospital, marcada para às 19h30 de Brasília, sugere que ainda possa haver expectativa de recuperação não apenas da saúde do candidato à reeleição, mas também de sua inserção na campanha. Hoje, Dow Jones ganhou 1,68%, o S&P 500 teve alta de 1,80% e o Nasdaq avançou 2,32%. "Trump é pró-mercado, e há preocupação, inclusive sinalizada por Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed, o BC americano), quanto ao nível de endividamento dos EUA. O estímulo de hoje é o imposto de amanhã - já há preocupação com esta calibragem", observa Paloma Brum, economista da Toro Investimentos

Aqui, a atenção segue concentrada na definição do Renda Cidadã e, após os ruídos políticos da semana passada entre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, o relator do Orçamento de 2021 e da PEC do Pacto Federativo, Márcio Bittar (MDB-AC), indicou hoje que Guedes e a equipe econômica continuam de posse do "carimbo" e que a solução necessariamente respeitará o teto de gastos. "É um sinal positivo e, quando veio a público, contribuiu não só para a Bolsa, como também para aliviar o câmbio.

Em outro desdobramento positivo, um jantar nesta noite pode contribuir para reaproximação entre Guedes e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que voltaram a entrar em choque na semana passada, com acusações mútuas sobre a falta de avanço das privatizações e da reforma tributária.

Hoje, o forte desempenho do petróleo devido aos possíveis cortes na oferta colocou as ações da Petrobrás entre os destaques do dia, com a Pn em alta de 5,31% e a On, de 4,90%, no fechamento. Lá fora, o WTI para novembro fechou em alta de 5,86%, a US$ 39,22 o barril, enquanto o Brent para dezembro teve ganho de 5,14%, a US$ 41,29 o barril.

O setor de mineração e siderurgia também foi bem na sessão, em que Vale On teve alta de 2,18%, Gerdau Pn, de 5,83%, e CSN, de 5,60%. Os bancos também avançaram, com destaque para BB On com 1,75% e Bradesco On com 2,21%, em um dia marcado pelo início das inscrições no Pix - o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos.

Com os resultados de hoje, a Bolsa sobe 1,57% no mês, mas ainda cede 16,91% no ano.

Câmbio

O real foi a moeda emergente que mais ganhou força frente ao dólar na comparação com seus pares, considerando uma cesta de 34 divisas mais líquidas, na sessão desta segunda-feira. De acordo com especialistas no mercado de câmbio, houve uma correção técnica no exterior que enfraqueceu a divisa americana, com os investidores também de olho na melhora do presidente Donald Trump, que recebeu alta médica e deve deixar o hospital ainda hoje. Porém, foi a perspectiva - mesmo que pontual - de alívio nos ruídos políticos domésticos, principalmente ligados aos riscos fiscais, que ajudaram o real a se valorizar.

"A semana tem início mais leve, tanto no exterior quanto no Brasil, principalmente após sinais aparentes de melhora na articulação política no sentido de respeito às regras fiscais", ressalta o estrategista da RB Investimentos, Gustavo Cruz.

Fernanda Consorte, economista-chefe da Ouroinvest, acrescenta que, apesar do recuo do dólar no exterior, a que chamou de ajuste técnico pelas altas recentes, majoritariamente o movimento de hoje no mercado de câmbio brasileiro se dá pela sinalização positiva do governo de não romper o teto de gastos./LUÍS EDUARDO LEAL, SIMONE CAVALCANTI E MAIARA SANTIAGO

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