Jim Watson/AFP - 4/11/2020
Jim Watson/AFP - 4/11/2020

carteira

As ações mais recomendadas para dezembro, segundo 10 corretoras

Ibovespa fecha em alta de quase 3% e dólar fica a R$ 5,54 com eleições nos EUA

Investidores aguardam atentos os votos dos Estados decisivos, mas atitude de Trump de judicializar as eleições pode arrastar o resultado da eleição por semanas

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2020 | 09h10
Atualizado 05 de novembro de 2020 | 18h55

O mercado local manteve o desempenho positivo nesta quinta-feira, 5, acompanhando o bom humor no mercado internacional, em mais um dia de espera pela divulgação dos novos números da apuração da eleição dos Estados Unidos. Nesse cenário, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, terminou o dia com forte alta de 2,95%, aos 100.751,40 pontos, enquanto o dólar fechou com forte baixa de 1,91%, a R$ 5,5459, após a divulgação da reunião do Federal Reserve (Fed, o BC americano).

Sobre as eleições, a imprensa internacional noticiou que Donald Trump perdeu na Justiça uma demanda para tentar parar a contagem de votos no Estado de Michigan. O presidente americano disse ainda que pretende entrar com pedidos de análise em todos os Estados no qual seu concorrente Joe Biden ganhou sob a alegação de fraude, o que pode arrastar os resultados por semanas. Segundo dados atuais, o democrata tem 264 delegados, enquato Trump tem 214. Resultados de Estados decisivos como Georgia, Nevada e Pensilvânia ainda são aguardados pelo mercado.

Assim, os ganhos nas bolsas se distribuíram nesta quinta-feira da Ásia à Europa e aos Estados Unidos. Em Nova York, Dow Jones e S&P 500 fecharam ambos com alta de 1,95%, enquanto o Nasdaq teve ganho de 2,59%. Já a redução da percepção de risco levou o Credit Default Swap (CDS) de cinco anos do Brasil, termômetro do risco-país, ao menor nível desde 10 de março, a 190, comparado a 203,8 pontos no fechamento de ontem.

A provável vitória de Biden contribuiu para que o Ibovespa recuperasse hoje a marca dos seis dígitos, algo que não ocorria desde 27 de outubro no intradia e desde 26 de outubro, no encerramento. Na máxima da sessão, o índice da B3 foi hoje aos 100.921,63 pontos, saindo de mínima a 97.872,27. Na B3, o giro financeiro ficou em R$ 29,7 bilhões na sessão, com o Ibovespa acumulando ganho de 7,24% nesta primeira semana de novembro e reduzindo as perdas do ano a 12,88%.

"Mesmo que a mudança de presidente (nos EUA) seja uma realidade, o que naturalmente traz volatilidade, o mercado está focado em dois aspectos: novo pacote de estímulos será liberado e a maioria republicana no Senado deve dificultar os planos de Biden de implementar mudanças drásticas na taxação das empresas", observa o analista. "Em outras palavras, as incertezas sobre mudanças expressivas do lado legislativo e sobre programas que colocariam em xeque a saúde fiscal dos EUA foram mitigadas", diz Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora.

Com os ventos favoráveis do exterior, os ganhos voltaram a se distribuir bem por empresas e setores nesta quinta-feira. Entre as commodities, Vale ON e Petrobrás ON subiram 1,58% e 0,86% cada, enquanto Eletrobrás PNB saltou 3,93 e Itaú PN avançou 2,36%. Na ponta do Ibovespa, Ultrapar subiu hoje 15,09%, à frente de Cosan, com 10,12%, Gol, com 9,89% e Azul, com 9,50%. 

Câmbio

O dólar teve novo dia de forte queda ante o real, refletindo o otimismo no mercado internacional com a possível vitória de Biden e com as decisões dos principais bancos centrais internacionais. Com isso, o dólar à vista fechou no menor valor desde 9 de outubro, enquanto a moeda para dezembro também cedeu 2,20%, a R$ 5,5320. Nesta semana, o dólar já recua 3,35%. O volume de negócios melhorou hoje, somando US$ 14,2 bilhões, o maior da semana.

No câmbio, o dólar chegou a cair a R$ 5,53 após o Fed anunciar que vai manter os juros da economia entre 0% e 0,25% e reafirmar a sua postura dovish, ou seja, de mais estímulos, diante do quadro ainda modesto da economia americana. Também ajudou no câmbio, as indicações de que o Banco da Inglaterra e o Banco Central Europeu permanecem engajados na concessão de estímulos para ajudar no pós-pandemia. 

Ainda nesta quinta, o dólar testou ante divisas fortes o menor valor hoje desde o começo de setembro. Para o sócio e diretor de Pesquisas Globais da Tudor Investment Corporation, Lorenzo Giorgianni, os mercados internacionais abraçaram a ideia de um governo Biden mais conciliador e estável e ainda com chance de maior pacote de estímulo fiscal, por conta da pressão causada pela pandemia do coronavírus. Hoje, os casos diários voltaram a superar 100 mil nos EUA. O executivo não descarta que pode vir um pacote perto de US$ 2 trilhões  atéfevereiro.

Para o diretor em Nova York do banco MUFG, Christopher Rupkey, a incerteza eleitoral, que vinha pressionando os ativos nas últimas semanas, se reduziu hoje. Com isso, os mercados estão na expectativa de mudanças na próxima administração, com medidas que ajudem a recuperar a economia. Na tarde de hoje, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, comentou que um governo democrata pode dar mais estímulo que os republicanos./LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.