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Dólar cai 1,4% com melhora da perspectiva para a economia mundial; Bolsa teve leve queda

Hoje, o FMI disse esperar que a economia do mundo cresça 6%, mas condicionou o crescimento ao processo de vacinação em massa; no Ibovespa, clima de cautela predominou

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2021 | 09h20
Atualizado 06 de abril de 2021 | 18h48

O dólar teve o segundo dia seguido de queda ante o real nesta terça-feira, 6, em baixa de  1,41%, a R$ 5,5998, novamente com peso determinante do noticiário externo, com os investidores animados pelas perspectivas de retomada da economia americana e mundial, com o Fundo Monetário Internacional (FMI) melhorando suas previsões de desempenho este ano. No entanto, enfraquecida pelo cenário interno, a Bolsa brasileira (B3) teve leve baixa de 0,02%, a 117.498,87 pontos.

Hoje, o dólar teve  o primeiro fechamento abaixo de R$ 5,60 desde 23 de março.  A moeda americana caiu ante divisas fortes e emergentes, e na mínima no Brasil chegou a R$ 5,57, com a notícia de que a Califórnia planeja reabrir sua economia a partir de 15 de junho.  O giro de negócios, porém, seguiu fraco, pouco acima dos US$ 10 bilhões.

A perspectiva de que o governo vai encontrar uma solução para o Orçamento de 2021 e a conversa de Jair Bolsonaro com Vladimir Putin sobre a vacina russa Sputnik V também contribuíram para retirar pressão do câmbio, ajudando o real a ter o melhor desempenho no mercado internacional hoje, considerando uma cesta de 34 moedas mais líquidas.

Hoje, o FMI disse esperar um crescimento de 6% para a economia mundial e de 3,7% para o Brasil neste ano. Porém, a entidade condicionou hoje à retomada da economia mundial justamente ao processo de vacinação em massa e Guedes disse nesta tarde que a política fiscal mais importante neste momento é a vacinação da população.

Para o sócio e economista-chefe da JF Trust Gestão de Recursos, Eduardo Velho, a percepção de risco dos investidores sobre o Brasil ainda é alta, o que tem limitado a melhora do real. Nesse ambiente, o dólar tem encontrado dificuldade de cair abaixo do suporte de R$ 5,52. "É difícil ver o câmbio abaixo disso, há muito risco no Brasil ainda, uma percepção de cautela."

Assim, mesmo com alta liquidez mundial e preços das commodities em ascensão, o economista da JF observa que não tem havido fluxo consistente para o Brasil e o real segue desvalorizado. Por isso, este movimento de melhora no câmbio pode se mostrar pontual. O Instituto Internacional de Finanças (IIF), formado pelos 500 maiores bancos do mundo, alertou hoje que o Brasil permanece como um dos mais vulneráveis a um episódio de estresse no mercado internacional, como o ocorrido em 2013.

A diferença, observa o IIF, é que naquele ano a maior vulnerabilidade da economia brasileira eram as contas externas deterioradas, e agora o risco é o lado fiscal. "O Brasil era parte do grupo de cinco países mais frágeis em 2013 e permanece vulnerável hoje." Nesse ambiente, o dólar é negociado muito acima do que o preço justo levando em conta o balanço de pagamento sugere, na casa dos R$ 4,50.

No mercado internacional, após forte alta em março, o dólar começou abril em queda no mercado internacional. Os estrategistas do banco alemão Commerzbank veem o movimento mais como uma realização de lucros do que uma tendência de enfraquecimento mais duradouro da moeda americana. Hoje as taxas de retornos dos títulos do Tesouro americano americanos caíram, mas a tendência é de mais altas, prevê o IIF.

O analista de mercados do Western Union, Joe Manimbo, observa que o crescente otimismo com a economia americana, com alguns bancos, como o Goldman Sachs, prevendo crescimento de mais de 7% este ano, e a elevação das taxas de retorno dos juros longos vêm fazendo o dólar testar máximas em vários meses ante algumas moedas, como o iene. Para ele, o rápido avanço da vacinação nos EUA e a visão de aceleração da atividade devem seguir dando suporte ao dólar.

Bolsa

Com suporte proporcionado pelo dólar a R$ 5,57 na mínima do dia, o Ibovespa parecia a caminho de emendar a segunda alta da semana, chegando a testar a marca de 118 mil pontos nesta terça-feira, não vista desde 22 de fevereiro. O sentimento ganhava alguma força no meio da tarde, quando veio a público conversa entre os presidentes Bolsonaro e Putin sobre a Sputnik V, em momento no qual a oferta restrita de imunizantes e insumos ainda limita a vacinação no País. No entanto, a cautela acabou predominando no final da sessão.  Na semana, o índice sobe 1,95%, com ganho no mês a 0,74% e perda a 1,28% no ano.

A cautela também emana da fraqueza dos indicadores de atividade. "O PMI de serviços para o Brasil caiu de 47,1 em fevereiro para 44,1 em março, se afastando ainda mais da marca de 50, que separa o crescimento da contração", aponta a economista da Toro. "As implicações no setor de serviços, em conjunto com a diminuição do ritmo de crescimento da indústria brasileira, fizeram com que o PMI composto fosse a 45,1 em março, frente aos 49,6 registrados em fevereiro, atingindo a mínima em nove meses."

Nesse contexto, as dúvidas sobre o doméstico vis-à-vis o momento externo, mais favorável, continuam a resultar em especial cautela quanto aos segmentos com exposição à economia interna, como o de maior peso na composição do Ibovespa, o setor de bancos, que registrou hoje perdas entre 1,05% (Santander) e 2,00% (Bradesco ON), na ponta negativa do índice na sessão. No lado oposto, Sul América subiu 4,27%, Fleury, 3,90%, CSN, 3,62%, e Usiminas, 3,46%. O dia foi de ajuste negativo para os pesos-pesados das commodities: Vale ON em queda de 1,30%, após estabelecer novo pico no dia anterior, e Petrobrás ON -0,75%. /LUÍS EDUARDO LEAL E ALTAMIRO SILVA JÚNIOR

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