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Bolsa fecha em queda e dólar sobe a R$ 5,59 após Trump pedir o fim das negociações por estímulos

Presidente americano instruiu os republicanos a não negociarem medidas de incentivo com os democratas até pelo menos as eleições de 3 de novembro

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de outubro de 2020 | 09h10
Atualizado 06 de outubro de 2020 | 18h08

O mercado brasileiro fechou com perdas nesta terça-feira, 6, após Donald Trump informar que instruiu os republicanos a pararem as negociações de novos estímulos fiscais até depois da eleição de 3 de novembro. Nesse cenário, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, encerrou com leve baixa de 0,49%, aos 95.615,03 pontos, enquanto o dólar teve valorização de 0,50%, e terminou o dia a R$ 5,5952. Resultados negativos também foram sentidos no mercado acionário de Nova York, onde os índices fecharam em forte queda. 

"Imediatamente após minha vitória, aprovaremos uma importante lei de estímulo que se concentra nos americanos trabalhadores e nas pequenas empresas", escreveu Trump em sua conta oficial no Twitter. Mais cedo, ele rejeitou a proposta do Partido Democrata para mais estímulos à economia.

O líder da Casa Branca também afirmou que o montante de US$ 2,4 trilhões em estímulos, proposto pela presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, serviria para resgatar estados democratas "mal administrados e com alto índice de criminalidade". "Fizemos uma oferta muito generosa de US$ 1,6 trilhão de dólares e, como sempre, ela [Pelosi] não está negociando de boa fé. Rejeito o pedido deles e olho para o futuro do nosso país", enfatizou Trump.

Em Nova York, após o anúncio, o Dow Jones fechou com queda de 1,34%, o S&P 500 teve baixa de 1,40% e o Nasdaq recuou 1,57%. Antes da queda do mercado acionário americano, a Bolsa brasileira operava em alta, entre os 96 mil e os 97 mil pontos. Apesar da queda de hoje, o índice avança 1,70%, com ganho a 1,07% em outubro e perda a 17,32% no ano.

Por aqui, ajudou a evitar maiores perdas no mercado a aproximação entre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Após um jantar na noite da última segunda-feira, 5, eles voltaram a se comprometer com a agenda de reformas, além da percepção de esforço, no governo, para encontrar uma fonte de financiamento para o programa Renda Cidadã, sem furar o teto de gastos. Além disso, a expectativa do relator Márcio Bittar, de entregar a proposta de financiamento para o programa social na semana que vem, também ajudou a conter maiores estragos.

Após a sinalização na última terça-feira, 5, de Bittar, de que a solução para o auxílio social ficará dentro do teto e terá o "carimbo" de Guedes, "é preciso uma resposta efetiva do governo, com o avanço da agenda de reformas, para o prêmio da curva de juros ser devolvido e justificar um maior alívio com relação ao rumo do fiscal", aponta Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora. "Apesar das pazes entre Maia e Guedes, existem muitas dúvidas sobre a forma de financiamento do Renda Cidadã e os investidores aguardam na defensiva pelo projeto", acrescenta o analista.

Ao final do pregão, Petrobrás Pn e On mostravam perda de 0,50% e 0,65%, apesar da alta vista nos preços do petróleo o exterior: o WTI para novembro encerrou com alta de 3,70%, a US$ 40,67 o barril, enquanto o Brent subiu 3,29%, a US$ 42,65 o barril, após o furacão Delta avançar no Golfo do México, com a ameaça de paralisar parte da produção local de petróleo.

Ainda hoje, ganhos moderados foram vistos entre os bancos e ficaram restritos a Itaú, com 0,18% e Santander, com 0,25%. Na ponta do Ibovespa, destaque para o segmento de viagens e turismo, com CVC em alta de 9,34%, e Gol, de 7,30%, ambas com ganhos na casa de dois dígitos até a fala de Trump, limitados então assim como Azul, em avanço de 6,50% no fechamento.

Câmbio

O dólar teve dia de forte volatilidade. Caiu a R$ 5,48 pela manhã e foi a R$ 5,61 no final da tarde. Mais cedo, a trégua entre Guedes, e Maia ajudou a fortalecer o real, mas nos negócios da tarde foi o noticiário externo que ditou o ritmo das cotações. Primeiro veio o alerta do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, sobre a necessidade de estímulos fiscais para reaquecer a economia americana, que está perdendo fôlego. Em seguida, o dólar voltou a superar R$ 5,60 quando Donald Trump barrou as negociações por novos estímulos. 

Para o estrategista chefe da Infinity Asset, Otávio Aidar, o jantar ontem dos dois ajudou a clarear o ambiente, mostrando que as lideranças estão falando a mesma língua. "Se o Brasil der sinalização crível que vai cumprir o teto e vai ter responsabilidade fiscal, o mercado melhora", afirma ele. "O real tem apanhado bastante. Tudo tem girado em torno do fiscal no mercado doméstico", destaca.

Já a declaração de Powell ao pedir mais estímulos fiscais ajudou a piorar o mercado internacional de moedas, ressalta o estrategista da Infinity. O dólar passou a ganhar força ante moedas fortes e emergentes, movimento que se acelerou após o pedido de Trump aos republicanos de pararem as negociações até depois das eleições. "As moedas desabaram quando Trump tirou o plugue das conversas sobre os estímulos", observa a diretora da BK Asset Management, Kathy Lien. O inesperado anúncio, avalia ela, pode desencadear um movimento maior de aversão a risco no mercado financeiro mundial.

Uma das evidências é que o dólar ganhou força de forma generalizada e o iene foi uma das poucas divisas a se valorizar. A moeda japonesa se transformou no maior porto seguro dos mercados em momento de fuga do risco. Para a executiva, esta tendência deve continuar pela frente, na medida em que os mercados vinham se apoiando nos últimos dias na promessa de um acordo no Congresso./LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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