Erin Schaff/The New York Times
Erin Schaff/The New York Times

Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

Dólar fecha a R$ 5,39 e Bolsa tem alta com Biden cada vez mais perto de ganhar a eleição

Candidato democrata passou na frente de Donald Trump em Estados decisivos como Pensilvânia e Geórgia e dá sinal de que pode ganhar a eleição dos EUA

Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2020 | 09h03

Enquanto os investidores esperam a confirmação da vitória de Joe Biden, os ativos tiveram grandes melhoras no final da tarde desta sexta-feira, 6. No câmbio, o dólar fechou R$ 5,3937, uma baixa de 2,74% e no melhor nível desde 22 de setembro. No mercado, as bolsas de Nova York ficaram sem sinal único, com o temor de Donald Trump judicializar a eleição, enquanto a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, encerrou com leve alta de 0,17%, aos 100.925,11 pontos.

"Parece que Joe Biden reconstruiu a parede azul. Alçando vitórias na Pensilvânia e na Geórgia, esta eleição será definida em breve", avalia o analista de mercado financeiro da Oanda em Nova York, Edward Moya, em nota. Ele observa que Trump tem declarado que vai à Suprema Corte, mas sem nenhuma evidência confiável de fraude eleitoral e uma derrota nos estados restantes, uma eleição contestada provavelmente não mudará o resultado iminente. Até o final desta tarde, segundo a AFP, Joe Biden tem 253 delegados, enquanto Donald Trump possui 214. Ao todo, são necessários 270 delegados.

"Nossa análise é de que este cenário que está se consolidando [com a vitória do democrata] possivelmente é o melhor para emergentes, incluindo o Brasil. Mais do que a eleição de Biden em si, é o equilíbrio de poder [com o Congresso ainda dividido entre democratas e republicanos], que tende a favorecer a parte boa do futuro presidente - visão multilateral do comércio, atitude global mais previsível e construtiva -, restringindo o lado negativo - busca por mais regulação e impostos", diz Guto Leite, gestor de renda variável da Western Asset.

"O cenário é de que se terá um pacote fiscal moderado, ainda que os republicanos venham a endurecer o jogo", acrescenta o gestor, que avalia a derrota de Trump como a rejeição, no voto popular, da ala ultraconservadora, e não uma derrota "acachapante" para o partido como um todo. "O resultado foi apertado, sem onda azul, o que favorece uma convergência para o centro, positiva em uma perspectiva de longo prazo."

De olho nas eleições, o dólar acumulou queda de 6% na semana aqui no País, a maior desde maio. Com isso, a valorização anual do dólar baixou para 34%, ainda deixando a moeda brasileira entre os piores desempenhos este ano, junto com peso argentino e lira turca. "O real conseguiu se apreciar fortemente contra o dólar nesta semana, em linha com outras moedas emergentes", observa a analista de mercados emergentes do banco alemão Commerzbank, You-Na Park-Heger.

Hoje, além do exterior favorável, a promessa do ministro da Economia, Paulo Guedes, e do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, de voltar com a agenda de reformas já na semana que vem também ajudou a retirar pressão do câmbio.

Ainda hoje, o DXY, índice que mede o dólar ante divisas fortes, caiu nesta tarde ao menor patamar desde 31 de agosto, em 92,228 pontos (-0,32%). "As perdas do dólar se aceleraram hoje no mundo", destaca o analista sênior de mercados do banco Western Union, Joe Manimbo, ressaltando que a divisa dos EUA atingiu picos de baixa ante euro, iene, dólar canadense e dólar australiano. Assim, o relatório de emprego de outubro, o payroll, surpreendeu, com criação de vagas acima do previsto, mas acabou ficando em segundo plano, com Wall Street monitorando mais de perto as telas de apuração.

Bolsa

Os mercados globais chegaram ao fim da semana ensaiando uma pausa na sequência positiva que começou a emergir aos primeiros sinais de que Joe Biden superaria Donald Trump na disputa pela Casa Branca, em um dia marcado pela realização de lucros dos investidores. Assim, surfando a onda de bem-estar no exterior, o Ibovespa acumulou ganho de 7,42% nestas últimas quatro sessões, o melhor desempenho semanal para o índice da B3 desde o intervalo entre 1º e 5 de junho, quando havia avançado 8,28%. Com o salto nesta semana que chega ao fim, o Ibovespa recuperou-se da perda de 7,22% acumulada na anterior. O giro financeiro de hoje ficou em R$ 27,1 bilhões e, com o desempenho desta primeira semana de novembro, o índice limita as perdas do ano a 12,73%.

Hoje, as bolsas de Nova York ficaram sem sinal único. Dow Jones, S&P 500 fecharam em baixas de 0,24% e 0,03% cada, mas o Nasdaq subiu 0,04%. Na Europa, Frankfurt e Paris caíram 0,70% e 0,46% cada, enquanto Londres teve leve alta de 0,07%. Já os contratos de petróleo tiveram forte baixa, e WTI para dezembro e Brent para janeiro caíram 4,25% e 3,62% cada. O resultado segurou os ganhos de Petrobrás ON e PN, que tiveram leve recuou de 0,35% e 0,70% cada.

Nesta sexta, as ações de Vale subiram 1,02%. Na ponta do Ibovespa nesta sexta-feira, Hypera subiu 6,02%, à frente de Braskem, com 5,40% e Iguatemi, com 5,10%. No lado oposto, Rumo cedeu 3,27%, Suzano, 2,73%, e Fleury, 2,17%./LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.