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Paul Yeung/Bloomberg
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Dólar cai 0,9% e Bolsa sobe aos 122 mil pontos; mercado tem melhor desempenho desde janeiro

Bom resultado foi apoiado pela informação de que o governo americano vai manter a sua política pró-estímulos, principalmente após o resultado fraco da geração de empregos nos EUA em abril

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2021 | 14h47
Atualizado 07 de maio de 2021 | 20h49

O resultado abaixo do esperado do relatório de geração de empregos dos Estados Unidos em abril, colaborou para tirar o fôlego do dólar em todo o mundo nesta sexta-feira, 7. Segundo analistas, o dado reforça a importância do governo americano em manter as medidas pró-estímulos adotadas durante a pandemia. Por aqui, a moeda americana terminou o dia em queda de 0,93%, cotada a R$ 5,2286, enquanto a Bolsa brasileira (B3) teve alta de 1,77%, aos 122.038,11 pontos, ambos em seus melhores níveis desde 14 de janeiro.

O payroll, forma como é chamado o relatório de geração de empregos americano, mostrou a geração de 266 mil vagas em abril, bem abaixo da mediana de 1 milhão prevista por analistas consultados pelo Estadão/Broadcast. Houve ainda aumento na taxa de desemprego do país, de 6,0% para 6,1% entre março e o mês passado. "Os dados mostraram que não há superaquecimento da economia. Não há dúvidas de que a economia americana está indo bem e vai avançar mais, mas que os estímulos vão seguir", disse Fernando Siqueira, gestor da Infinity Asset.

Hoje, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou que os números do payroll mostram que "ainda há muito trabalho a fazer" até que a economia do país se recupere totalmente do choque da pandemia. Em declarações a repórteres na Casa Branca, Biden disse que o dado mostrou que "mais ajuda é necessária" e garantiu que ela "está a caminho". "O relatório de hoje mostra o quão vitais são nossas medidas de apoio", ressaltou.

Foi um alívio em uma semana na qual declarações da secretária do Tesouro americano, Janet Yellen, sobre o superaquecimento da economia e a necessidade de elevação dos juros básicos locais fizeram o mercado acionário tanto nos EUA quanto no Brasil amargarem perdas.

A notícia, somada ao cenário favorável no País, principalmente após o Banco Central aumentar a taxa Selic para 3,50% ao ano e sinalizar que mais reajustes virão (decisão que tem potencial de atrair mais investidores estrangeiros), ajudou o real, que foi hoje a moeda emergente com melhor desempenho mundial ante a divisa americana nos últimos cinco dias. No México, a moeda americana recuou 0,40%, na Rússia, caiu 1,82% e na África do Sul, teve baixa de 2,81%. 

No ano, a alta do dólar, que chegou a 12% em março, quase foi zerada, ficando em 0,77% até esta sexta-feira. Na semana, a queda foi de 3,7%, a maior desde novembro de 2020. Na mínima desta sexta, a moeda bateu em R$ 5,20. O dólar para junho cedeu 0,86%, a R$ 5,2485. "O real vinha de um nível muito depreciado", afirma o sócio e gestor da Galapagos Capital, Sérgio Zanini. A pressão para a melhora da moeda brasileira por conta da alta dos preços de commodities como soja e minério de ferro vinha sendo abafada pelo risco fiscal e ruídos políticos em Brasília, avalia ele.

Mesmo com a queda recente, o real ainda está barato e Zanini vê fôlego para mais baixas do dólar, com a moeda americana podendo recuar para perto de R$ 5,00 ou mesmo um pouco abaixo ainda este ano. O dólar mais fraco acaba também ajudando a controlar a inflaçãono curto prazo, destaca Zanini.

A economista-chefe da Armor Capital, Andrea Damico, também vê chance de o dólar cair um pouco mais no Brasil, mas não abaixo de R$ 5,00. Para isso, será preciso avançar com o ajuste fiscal. Ela destaca que a melhoria do câmbio começou com a resolução da novela do Orçamento de 2021, em meados de abril, ainda que não tenha sido o ideal, mas foi sancionado com vetos e mantendo o teto.

Bolsa

Em uma sessão marcada por uma semana de balanços locais positivos e batizada pelo alívio de que as medidas de estímulos devem perdurar por um longo período nos EUA, o Ibovespa conseguiu bater no patamar dos 122 mil pontos. O impulso vindo do mercado de Nova York também ajudou, com Dow Jones e S&P 500 em altas de 0,66% e 0,73% cada, batendo novos recordes históricos de fechamento. Já o Nasdaq avançou 0,88%. O impulso fez com que a primeira semana de maio encerrasse em valorização de 2,64%, revertendo para ganhos de 2,54% no acumulado deste ano.

Além dos dados americanos, a melhora da economia chinesa também ajudou nos negócios. As exportações totais da China aumentaram 32,3% em abril, resultado bastante superior às expectativas, que eram de um crescimento de 24,1%. As importações chinesas subiam 43,1% também além do esperado. A demanda global por produtos chineses permaneceu elevada em meio aos vários estágios de enfrentamento da pandemia do coronavírus.

Do ponto de vista corporativo, os bons resultados do primeiro trimestre deste ano apresentados pelas empresas listadas na B3 tiveram sua parte de contribuição para a alta do Ibovespa. "Os resultados têm ajudado bastante a Bolsa brasileira. Por mais que a pandemia no fim do trimestre tenha sido ruim pela segunda onda de contaminação mais forte do coronavírus, as empresas estavam mais adaptadas do que no ano passado e têm mostrado isso na média", afirmou Davi Lelis, sócio da Valor Investimentos.

Também os papéis de empresas ligadas ao varejo e shopping centers se destacaram em alta após as vendas no varejo surpreenderem positivamente o mercado, na primeira etapa do pregão. Além disso, a chegada do Dia das Mães também deve ajudar o setor. BR Malls subiu 2,52%, enquanto Multiplan e Iguatemi tiveram ganhos de 4,62% e 6,89%. Entre as ações de maior peso, Banco do Brasil, que divulgou balanço ontem, teve alta de 2,50%, já Petrobrás ON e PN avançaram 3,08% e 3,62% cada, e Vale subiu 0,34%. /ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, SIMONE CAVALCANTI E MAIARA SANTIAGO

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