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Amanda Perobelli/Reuters
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Bolsa sobe aos 130,7 mil pontos e fecha em novo recorde pela 6ª vez consecutiva

Declarações favoráveis de Arthur Lira sobre o andamento das reformas, além dos ganhos do setor bancário, ajudaram o Ibovespa; dólar ficou estável, a R$ 5,03

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2021 | 14h27
Atualizado 07 de junho de 2021 | 18h29

Apesar de começar a manhã sem sinal único, assim como os mercados de Nova York, a Bolsa brasileira (B3) ganhou força perto do final do pregão desta segunda-feira, 7, e conseguiu, pela sexta vez consecutiva, encerrar em um novo recorde histórico de fechamento. Hoje, o Ibovespa subiu 0,50%, aos 130.776,27 pontos, embalado pelo discurso pró-reforma vindo do Congresso Nacional e apoiado na alta do setor bancário. No câmbio, o dólar ficou praticamente estável, em leve alta de 0,03%, cotado a R$ 5,0369.

Na máxima, a Bolsa tocou nos 131.190,30 pontos, alcançando também, pela sexta vez consecutiva, um novo recorde histórico intradia. Com isso, o índice estendeu a atual série positiva pela oitava sessão, a mais longa desde o intervalo entre 14 e 26 de fevereiro de 2018, quando enfileirou nove ganhos seguidos. No mês, o Ibovespa avança 3,61%, elevando o ganho do ano a 9,88%.

Predominou na sessão de hoje os desdobramentos positivos no cenário nacional. "A declaração do Arthur Lira (presidente da Câmara) sobre o calendário das reformas e das privatizações - no radar, a votação da MP da Eletrobrás, nas próximas semanas, e a privatização dos Correios, que se espera ainda para este ano - foi um dos gatilhos para que a Bolsa daqui se descolasse do exterior ameno e revertesse as perdas da manhã, chegando aos 131 mil pontos, com movimento muito forte especialmente para as ações de bancos", diz Romero Oliveira, head de renda variável da Valor Investimentos.

Além das sinalizações, o cenário econômico também ajudou. "As projeções para o crescimento da economia brasileira em 2021 subiram, pela sétima semana, de 3,96% para 4,36%. Para 2022, as estimativas apontam para expansão de 2,31% da atividade econômica, frente a crescimento de 2,25% no levantamento anterior", aponta Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora.

Além do Banco Central, hoje o BTG Pactual também elevou a estimativa de avanço do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano de 4,3% para 5,3%. A inglesa TS Lombard elevou o PIB para 5% e vê chance de avanço ainda maior, a 5,5%. Já o JP Morgan reduziu a projeção da dívida bruta em relação ao PIB, indicador de solvência de um país, de 86,3% para 84,6% ao final do ano.

Setor de maior peso no índice de referência da B3, o desempenho das ações de grandes bancos impressionou, com Itaú em alta de 2,35%, enquanto Banco do Brasil ON subiu 2,15%, Bradesco teve ganho de 1,37% e Santander avançou 1,85%. O ganho do setor hoje foi contraponto ao dia negativo para as commodities metálicas, com Vale ON em baixa de 0,97% e CSN ON em queda de 2,96%. Com o ajuste negativo nos contratos de petróleo no exterior, Petrobrás caiu, com a PN em baixa de 0,74%, e a ON, de 0,73%.

Já o prosseguimento da correção do preço do dólar contribuiu para o desempenho de ações de empresas com custos denominados na moeda americana, como Azul, em alta de 5,57%, enquanto Gol subiu 3,93%. Destaque também para as ações de empresas com exposição à economia doméstica, como as de varejo, com Lojas Americanas em alta de 3,12% e Natura, em alta de 4,46%. No lado oposto do Ibovespa, Pão de Açúcar fechou em baixa de 4,07%.

Já a agenda externa foi relativamente fraca nesta segunda-feira, com destaque para os dados positivos sobre a balança comercial da China, embora abaixo do esperado. Em Nova York, Nasdaq teve alta de 0,49%, mas Dow Jones e S&P 500 caíram 0,36% e 0,08% cada. No fim de semana, o G7 chegou a acordo sobre reforma fiscal, defendendo que as empresas paguem ao menos 15% de impostos sobre seus rendimentos, observa em nota o analista Régis Chinchila, da Terra Investimentos. "Esse acordo ficou abaixo da sugestão inicial do mandato de Biden, de 21%. Empresas como Google e Facebook responderam positivamente", acrescenta o analista.

Câmbio

Em dia volátil no mercado de câmbio e com baixa liquidez, o dólar subiu a R$ 5,07 na máxima, para depois recuar na mínima do dia, a R$ 5,01. Profissionais das mesas de operação contam que investidores aproveitaram a agenda esvaziada aqui e no exterior para fazer ajustes e realização de ganhos, depois que a moeda americana caiu 3,4% na semana passada, com o real registrando o melhor desempenho mundial ante a dívida dos Estados Unidos no mercado internacional. O dólar para julho teve leve queda de 0,06%, a R$ 5,0590.

Hoje, o cenário mais positivo para a atividade brasileira, somado à redução do risco fiscal, fizeram os bancos reduzirem a previsão para o dólar ao final do ano. O BTG cortou de R$ 5,30 para R$ 4,90. O banco destaca que além da melhora fiscal de curto prazo, a expectativa de mais elevação da Selic pelo Banco Central e alta dos preços das commodities também contribuem para um câmbio mais apreciado. Já o Rabobank reduziu a previsão para o dólar ao final do ano de R$ 5,35 para R$ 5,15.

Com as condições mais favoráveis, mais investidores seguem entrando no País. Em dólar, o Ibovespa chegou nesta tarde à marca de 26 mil pontos, aos 26.069,14 pontos, em torno do maior nível do ano, superando com folga as marcas observadas em maio. No fechamento de 2020, o índice da B3 em dólar estava em 22.937,77.

Hoje, Reinaldo Le Grazie, ex-diretor de política monetária do Banco Central, comentou que já era para o real ter se valorizado, por conta do efeito positivo da alta dos preços das commodities nas contas externas. Mas em função dos problemas domésticos o real não se valorizou e a "inflação bombou". A moeda brasileira só foi ganhar força em um segundo momento e, no caso da inflação, Le Grazie avalia que o BC pode elevar os juros a 6,5% este ano. /LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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