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Bolsa fecha com queda de 1,3% em dia de aversão a riscos; dólar fica a R$ 5,41

Influenciado em grande parte pelo exterior, mercado acompanhou de perto o aumento das tensões EUA-China e o impasse na aprovação do pacote de estímulos trilionário americano

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2020 | 09h08
Atualizado 07 de agosto de 2020 | 18h38

O dia foi de aversão de riscos no mercado brasileiro, com os investidores não muito dispostos a irem às compras. Nesta sexta-feira, 7, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, encerrou com queda de 1,30%, aos 102.775,55 pontos, após ter fechado aos 104 mil pontos ontem. Na sessão de hoje, o aumento das tensões EUA-China, somado ao impasse na aprovação do pacote trilionário de estímulos fiscais americano, pesou nos ativos e principalmente no dólar, que fechou com alta de 1,33%, a R$ 5,4143.

O cenário externo ganhou peso na Bolsa, com os investidores atentos a mais recente investida de Trump contra os aplicativos chineses TikTok e WeChat, ao pedir a interrupção das transações com as empresas donas das plataformas. No entanto, não é apenas o impasse entre EUA-China que preocupa o mercado: a demora em tirar do papel o pacote de ajuda de US$ 1 trilhão chama a atenção, após as negociações com os democratas fracassarem. Agora, o governo já considera liberar as medidas de incentivo via decreto.

No Ibovespa, o principal índice de ações do mercado de ações brasileiro, chamou a atenção a queda de algumas das principais ações do setor bancário. Itaú teve queda de 2,11%, Santander cedeu 1,26%, Banco do Brasil recuou 0,70% e Bradesco caiu 0,59%. A indicação de que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, deve engavetar a proposta que limita em 30% os juros do cartão e cheque especial ajudou por um determinado momento, mas ainda pesa o fato do Senado ter aprovado ontem o projeto.

Com isso, alguns dados do cenário local acabaram por ficar em segundo plano. A inflação de julho teve alta de 0,36%, a maior para o mês desde 2016, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Gasolina, contas de luz e carne ajudaram a puxar o índice. Também hoje, o instituto divulgou que o número de total de brasileiros afastados do trabalho devido ao coronavírus caiu de 7 milhões na semana passada, para 6,2 milhões nesta semana.

Hoje, o índice terminou a semana com leve perda de 0,13% - no ano, cede agora 11,13%. As ações da Vale fecharam em queda de 2,23%, após os preços do minério caírem na China. Petrobrás ON e PN cederam 2,18% e 1,85% cada, após os contratos do petróleo fecharem em queda - Brent, referência no mercado europeu, caiu 1,53%, a US$ 44,40, enquanto o WTI, referência no mercado americano, recuou 1,74%, a US$ 41,22.

Câmbio

O dólar fechou a sexta no nível mais alto desde 30 de junho e acumulando valorização de 3,8%, a maior em seis semanas. Profissionais das mesas de câmbio dizem que o cenário externo pesou, mas a crescente preocupação com as contas públicas e a expectativa de que mais cortes de juros podem vir pela frente, também pressionaram o câmbio. Com isso, o real foi novamente a moeda com pior desempenho no mercado internacional hoje, considerando uma cesta de 34 divisas mais líquidas.

Para o estrategista de América Latina do banco francês Société Générale, Dev Ashish, a dívida pública bruta do Brasil em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), importante indicador de solvência de um país, caminha para atingir níveis este ano jamais vistos. Com isso, a confiança dos investidores na sustentabilidade fiscal do País está sendo testada novamente, disse ao Estadão/Broadcast.

Nas casas de câmbio, de acordo com levantamento realizado pelo Estadão/Broadcast, o dólar turismo é negociado perto de R$ 5,60. Já o dólar para setembro encerrou com alta de 1,99%, a R$ 5,4445. Nesta sexta, o contrato futuro mais líquido do ouro fechou o pregão desta sexta-feira em baixa, com realização de lucros após as altas recentes e pressionado pela força do dólar, mas registrou ganhos na semana e se manteve acima dos US$ 2.000 a onça-troy.

Mercados internacionais

Em Nova York, alguns índices inverteram o sinal no final do pregão, comemorando a possibilidade de que os decretos para liberar os incentivos de US$ 1 tri estejam prontos já no final de semana para assinatura. Com isso, Dow Jones teve alta de 0,17% e S&P 500 subiu apenas 0,06%. O Nasdaq chegou a limitar as perdas com a notícia, mas fechou com queda de 0,87%, de olho no impasse entre o governo e os aplicativos chineses.

Quem também se preocupou foi a Ásia, com os índices chineses Xangai Composto e Shenzhen Composto cedendo 0,96% e 1,38% cada. Em Hong Kong, as ações da Tencentdona do WeChat sofreram um tombo de 5,04%, enquanto o índice local caiu 1,6%. O japonês Nikkei caiu 0,39%, o Taiex registrou baixa de 0,66% em Taiwanmas o sul-coreano Kospi avançou 0,39%. Na Oceania, a Bolsa australiana recuou 0,62%.

No entanto, a Europa não se deixou afetar pelas tensões entre as duas potências e mirou apenas nos dados positivos de julho: o aumento nas exportações e importações chinesas, o crescimento da produção industrial na Alemanha e as 1,763 milhão de novas vagas geradas pelos EUA - por lá, o Stoxx 600 teve alta de 0,29%. As Bolsas de Londres e Paris tiveram ambas leve alta de 0,09% e a de Frankfurt avançou 0,66%. Milão e Lisboa subiram 0,21% e 0,25% cada, mas Madri recuou 0,11%./MAIARA SANTIAGO E ALTAMIRO SILVA JÚNIOR

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