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Exterior negativo faz Bolsa fechar com queda de 1%; dólar sobe e fica a R$ 5,38

Mercados foram impactados pelo temor frente ao avanço de casos da covid-19; no Brasil, ganha destaque e teste positivo para coronavírus de Bolsonaro

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2020 | 09h04
Atualizado 07 de julho de 2020 | 18h21

Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, encerrou em queda de 1,19%, aos 97.761,04 pontos nesta terça-feira, 7, em sintonia com o fechamento negativo do mercado acionário em Nova York. A preocupação de que o coronavírus atrapalhe a recuperação da economia mundial, somada ao teste positivo de Jair Bolsonaro para a covid-19, também pressionou o câmbio e o dólar fechou com valorização de 0,59%, cotado a R$ 5,3834.

No dia seguinte ao otimismo generalizado que tomou conta do mercado, a preocupação de que a segunda onda do coronavírus atrapalhe o processo de retomada da economia de alguns países pesou aos investidores. Hoje, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse hoje que a curva epidemiológica no planeta ainda não chegou ao pico.

Já no Brasil, ganhou destaque - e gerou certa preocupação ao investidor -, o anúncio feito por Bolsonaro de que ele testou positivo para o coronavírus. A notícia estimulou um aumento de cautela e busca por proteção pelos investidores num primeiro momento, segundo o analista Victor Scalet, da XP Investimentos. Na última semana, ao menos 55 políticos e empresários se reuniram com o presidente.

As notícias relacionadas ao vírus, somadas a queda das Bolsas de Nova York, pesaram no mercado, que já estava suscetível a influências devido a agenda econômica esvaziada do País e a sensação de realização de lucros, após o pregão da última segunda-feira, 6. Com isso, o Ibovespa, principal índice de ações do mercado brasileiro, passou boa parte do pregão nos 97 mil pontos. Na máxima do dia, quando diminuiu as perdas, ele bateu aos 98.938,00 pontos.

Passado o pregão de hoje, a B3 acumula ganho de 1,03% na semana e de 2,85% no mês. No ano, ela cede 15,46%. Entre as maiores perdas da sessão, estão as ações dos bancos, principalmente após o Senado informar que deve votar em agosto o projeto que limita os juros do cheque especial e do cartão de crédito. Itaú Unibanco, Bradesco e Banco do Brasil fecharam com quedas de 4,90%, 4,10% e 4,01% cada. Commodities também cederam e Vale ON e Petrobrás ON recuaram 0,35% e 1,68%, respectivamente.

Câmbio

O dia foi de desvalorização para o real, que não conseguiu fazer frente ao dólar, após um movimento de valorização da moeda no exterior. Nesta terça, a previsão de que o Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro pode encolher 8,71% em 2020 aumentou a procura pela divisa americana, que subiu também frente a outros emergentes, como o México e a África do Sul.

Na mínima do dia, em um breve momento de realização de lucros com a entrada de capital estrangeiro no Brasil no curto prazo, devido as recentes captações de empresas brasileiras no exterior, o dólar cedia ao patamar de R$ 5,28. Nas casas de câmbio, de acordo com levantamento realizado pelo Estadão/Broadcast, o dólar turismo é negociado próximo de R$ 5,60. Já o dólar para julho fechou com valorização de 0,29%, a R$ 5,3805.

Bolsas do exterior

Os lucros da última segunda se repetiram em alguns dos mercados acionários da Ásia, mas o receio de que a recuperação econômica demore a vir conteve alguns índices. Os chineses Xangai CompostoShenzhen Composto subiram 0,37% e 1,71% cada, mas o japonês Nikkei caiu 0,44% e o Hang Seng recuou 1,38% em Hong KongKospi se desvalorizou 1,09% em Seul e o Taiex cedeu 0,20% em Taiwan. Na Oceaniaa Bolsa de Sydney teve baixa marginal de 0,03%.

O dia também não foi positivo para as Bolsas da Europa, que experimentaram o território negativo com as previsões negativas do PIB. O Stoxx 600 fechou com queda de 0,61%, enquanto os índices de Londres e Paris caíram 1,53% e 0,74%. Frankfurt cedeu 0,92% e Madri recuou 1,44%. Milão e Lisboa tiveram perdas de 0,10% e 1,02%.

A sensação de realização de lucros conteve os ganhos de Nova York, que ainda acompanha de perto a segunda onda do coronavírus nos Estados Unidos. Por lá, o Dow Jones caiu 1,51%, o S&P 500 recuou 1,08% e o Nasdaq registrou queda de 0,86% - pela manhã, o índice chegou a bater recorde histórico de alta para uma cotação, mas logo cedeu.

Petróleo e ouro

O temor de um retrocesso ainda maior na economia, causado pelo aumento de casos da covid-19, segurou os ganhos da commodity, que fechou praticamente estável. Nesta terça, as quedas não foram maiores, devido a decisão da Arábia Saudita de elevar os preços do petróleo, o que indica uma recuperação na demanda.

O WTI para agosto, referência no mercado americano, fechou em queda de 0,02%, a US$ 40,62 o barril. Já o Brent para setembro, referência no mercado europeu, recuou 0,05%, a US$ 43,08 o barril.

Porém, é o receio sobre a saúde da economia global que fortaleceu o ouro, cujo contrato fechou no nível mais alto desde setembro de 2011, com o metal superando a marca dos US$ 1.800 a onça-troy. Na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange (NYSE), o ouro para agosto encerrou em alta de 0,91%, a US$ 1.809,90 a onça-troy.

Por lá, o risco de uma pausa na recuperação econômica, mostrada em indicadores recentes das principais economias globais, ajuda a manter alta a busca pela segurança do metal precioso./MAIARA SANTIAGO, LUÍS EDUARDO LEAL, MARIA SILVA REGINA E ALTAMIRO SILVA JÚNIOR

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