Paul Yeung/Bloomberg
Paul Yeung/Bloomberg

Dólar cai a R$ 5,57 e Bolsa sobe aos 118 mil pontos com cenário externo mais ameno

Alta do mercado de Nova York e sinalização de que dois dos maiores bancos centrais do mundo vão manter suas políticas de estímulos ajudaram no bom desempenho dos ativos locais

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2021 | 09h30
Atualizado 08 de abril de 2021 | 18h14

O ambiente externo mais calmo - com os índices de Nova York fechando em alta - e o noticiário nacional menos ruidoso, ajudaram os ativos locais a fecharem com bons resultados nesta quinta-feira, 8. A Bolsa Brasileira (B3) teve alta de 0,59%, a 118.313,23 pontos, maior nível de fechamento desde 19 de fevereiro deste ano, enquanto o dólar cedeu 1,23%, a R$ 5,5742 - menor cotação desde 23 de março. 

O real foi a moeda com melhor desempenho internacional hoje, considerando uma lista de 34 divisas mais líquidas. O dólar para maio cedeu 0,79%, a R$ 5,5755. A moeda também caiu no exterior, principalmente após a sinalização vinda dos bancos centrais da ​Europa e Estados Unidos, de que suas políticas econômicas acomodatícias e de juros baixos devem continuar inalteradas por um longo período.

Ante o euro e o iene, a divisa dos Estados Unidos chegou a cair para as mínimas em duas semanas, recuando também nos emergentes e exportadores de commodities. Uma das principais razões é que os pedidos de auxílio-desemprego dos EUA mostraram alta inesperada, reforçando a visão do mercado de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) está correto em sua decisão de não retirar os estímulos econômicos.

Os pedidos subiram em 16 mil na semana, para 744 mil enquanto os economistas em Wall Street esperavam número menor, 694 mil. Foi a segunda semana seguida de alta. "Mais uma alta inesperada nos pedidos", comenta a economista da High Frequency Economics, Rubeela Farooqi, em nota, destacando que há um descolamento destes números da melhora mostrada na criação de vagas no relatório mensal de emprego (payroll).

No mercado doméstico, ainda fica no radar dos investidores o Orçamento de 2021 que, segundo profissionais das mesas de câmbio, tem limitado melhora maior do real. Em entrevista ao Estadão/Broadcast, o secretário do Tesouro, Bruno Funchal, disse que a solução para o problema é a questão "mais relevante no momento" e é importante resolvê-lo "para resgatar a credibilidade". "O câmbio está volátil por falta de segurança [dos agentes]."

Para o Asa Investments, o Orçamento de 2021 revelou o "viés populista fiscal" do governo, na busca de mais recursos para uso político e eleitoral, de olho em 2022. "Urge que o governo e Congresso equacionem rapidamente o impasse criado", afirma o Asa em relatório, alertando que se corre o risco de renúncia da equipe econômica caso não se resolva a questão, além de o governo incorrer em ilegalidade.

Operadores contam que investidores aproveitaram o dia mais calmo para desmontar parte de posições defensivas feitas na véspera. Ruídos ontem, incluindo a declaração de Jair Bolsonaro de que o governo estuda mudar a política de preços da Petrobrás, fizeram o dólar zerar a queda ante o real e o investidor aumentar compras de dólar futuro. Estrangeiros aumentaram posição comprada em dólar futuro, ou seja, que ganha com a alta da moeda americana, em 12.665 contratos ontem, o equivalente a US$ 633 milhões, de acordo com números da B3 monitorados pela corretora Renascença. Na virada de março para abril os estrangeiros chegaram a zerar  suas posições compradas no dólar futuro.

Bolsa

Hoje, o Ibovespa teve seu melhor desempenho desde fevereiro, quando houve a ingerência de Bolsonaro na Petrobrás. Na semana, avança 2,65%, com ganhos neste começo de mês a 1,44% - no ano, as perdas se limitam agora a 0,59%. O bom resultado, hoje, veio amparado na alta do mercado de Nova York - Dow JonesS&P 500 e Nasdaq tiveram altas de 0,17%, 0,42% e 1,03% cada. Além disso, o compromisso do Fed em continuar apoiando a recuperação da maior economia do mundo também agradou.

"A semana foi positiva, com o governo arrecadando mais de R$ 3 bilhões com concessões em infraestrutura e, lá fora, os estímulos trilionários de Joe Biden. Além disso, há um desdobramento importante sobre a pandemia aqui, com o número de internações e o nível de uso de UTIs começando a declinar no Estado de São Paulo", diz Leonardo Milane, economista e sócio da VLG Investimentos, chamando atenção para anúncio que deve ser feito pelo governador João Doria nos próximos dias, sobre o lockdown, programado até o dia 11 de abril, domingo. "Eventual flexibilização, ainda que gradual, tende a contribuir para os setores associados à mobilidade, muito atrasados no ano, como o de varejo", acrescenta.

Hoje, o ganho ficou por conta das ações de setores com exposição à economia doméstica, com Magazine Luiza, em alta de 8,28%, Yduqs, com ganho de 6,46% e Gol, em alta de 4,07%. A percepção de que o pior da pandemia não deve demorar muito para ficar no passado ajudou no desempenho desses papéis.

Já o setor financeiro voltou a estar entre os perdedores do dia, com Banco do Brasil e Itaú em quedas de 0,85% e 0,78% cada. Petrobrás PN e ON também tiveram quedas de 1,25% e 1,68%, com estoques de gasolina acima do esperado nos EUA. O setor de siderurgia teve um novo dia de ganhos, com Usiminas e CSN em altas de 3,74% e 3,03%. /ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, LUÍS EDUARDO LEAL E MAIARA SANTIAGO

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