Daniel Teixeira/ Estadão
Daniel Teixeira/ Estadão

Bolsa cai e encerra sequência de oito altas após Guedes falar em prorrogar o auxílio

Segundo o ministro, ajuda emergencial deverá ser estendida por mais 'dois ou três' meses; foi a primeira vez em seis pregões seguidos que o Ibovespa não bateu recorde de fechamento

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2021 | 14h23
Atualizado 08 de junho de 2021 | 18h24

Após encerrar com recordes de fechamento por seis pregões consecutivos, a Bolsa brasileira (B3) cedeu 0,76% nesta terça-feira, 8, aos 129.787,11 pontos, quebrando ainda uma sequência de oito altas. Hoje, desagradou o mercado a confirmação pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, de que “possivelmente” o governo vai renovar o auxílio emergencial por mais “dois ou três meses” antes de lançar o novo Bolsa Família. No câmbio, a notícia teve pouco efeito sobre o dólar, que caiu 0,05%, cotado a R$ 5,0345.

A sequência de oito altas do Ibovespa foi a mais longa desde o intervalo entre 14 e 26 de fevereiro de 2018, quando ele enfileirou nove ganhos seguidos. Além disso, o índice também vinha de seis pregões consecutivos batendo recordes intradia. Com o desempenho de hoje, a Bolsa passa a ceder 0,26% na semana, ainda avançando 2,83% no mês e 9,05% no ano. Na máxima de hoje, tocou nos 130,7 mil pontos, patamar em que bateu recorde de fechamento no pregão de ontem.

"Logo depois do auxílio emergencial, entra o novo Bolsa Família, reforçado”, afirmou o ministro em evento virtual nesta terça. Ao mesmo tempo, Guedes previu melhora do mercado de trabalho, com "redução muito rápida"do desemprego. Participantes do mercado comentaram que a expectativa era de prorrogação do auxílio por apenas mais dois meses. A volta do benefício levanta preocupações antigas sobre o cenário fiscal do País, questão que havia sido deixada temporariamente de lado pelo mercado.

Analistas apontam que tem acontecido uma relativa acomodação das preocupações sobre a situação fiscal do País, reforçada pelas mais recentes revisões da atividade econômica e a relação dívida/PIB para o fechamento do ano. "O ambiente mais favorável ao risco tem impulsionado os fluxos para mercados emergentes, principalmente para a dívida local. Além disso, condições iniciais estão mais positivas do que nos períodos em que estímulos monetários foram retirados em crises passadas", observa em nota Jennie Li, estrategista de ações da XP.

No entanto, o movimento desta terça também pode ser visto como uma realização de lucros natural e aguardada, que foi contida pelo ganho das ações PN e ON da Petrobrás, hoje em altas de 1,31% e 2,40% cada, diante do resultado recorde do petróleo no exterior. Porém, o Ibovespa sentiu hoje o peso da queda das ações de primeira linha, com Vale ON em baixa de 1,68%, enquanto Itaú e Usiminas cederam 0,70% e 2,34%, respectivamente. Movida por críticas sobre a MP da privatização, os papéis ON e PNB de Eletrobrás recuaram 3,08% e 2,48%.

Entre as varejistas, Via Varejo subiu 4,37%, embalada pelo dado do IBGE sobre as vendas do varejo em abril, que tiveram alta de 1,8% ante março, bem acima da média das expectativas, e o melhor resultado para o mês desde 2000.

Câmbio

O dólar operou novamente sem rumo ante o real nesta terça, alternando pequenas altas e baixas com os investidores reagindo pontualmente ao noticiário local e aguardando a agenda doméstica e externa pela frente. Na máxima do dia, a moeda foi a R$ 5,06. Já o dólar para julho caiu 0,21%, a R$ 5,0485. Operadores reportaram hoje a entrada de fluxo externo, principalmente comercial, mas após a forte queda recente da moeda americana, profissionais das mesas de câmbio comentam que o mercado precisa de um novo catalisador para firmar tendência mais clara.

Para o diretor de Tesouraria do MS Bank, Bruno Perottoni, a liquidez global segue muito alta, o que contribui para o dólar se enfraquecer no mercado internacional, ajudando as moedas de emergentes. O cenário de alta de juros pelo Banco Central também ajuda a estancar a saída de dólares, ressalta. O dólar tem encontrado algum suporte em R$ 5,03, destaca ele. Se o cenário interno seguir positivo e sem notícias negativas, o real pode ter algum fôlego a mais de valorização, buscando os R$ 5,00 ou até abaixo desse valor, avalia o diretor.

Após a divulgação dos dados do varejo, cresceu a expectativa pela divulgação amanhã do IPCA de maio, ressalta o operador da Commcor, Cleber Alessie. Ele vê volatilidade no câmbio apenas se o indicador vier muito acima do esperado. Analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast apontam que o índice deve subir 0,71% em maio e chegar a 7,92% em 12 meses. /LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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