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Bolsa fecha com alta de 2% e encosta nos 100 mil pontos; dólar fica a R$ 5,34

Recuperação do varejo brasileiro no mês de maio motivou a alta do Ibovespa, que subiu aos 99.972,78 pontos na máxima do dia e encerrou no melhor nível desde 5 de março

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2020 | 09h05
Atualizado 08 de julho de 2020 | 18h22

Um conjunto de fatores positivos beneficiou a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, nesta quarta-feira, 8, que encerrou com alta de 2,05%, aos 99.769,88 pontos, próximo do patamar dos 100 mil pontos e no melhor nível para um fechamento desde 5 de março. A melhora nas vendas do comércio do País, com um crescimento acima do esperado, permitiu ao mercado brasileiro chegar perto do nível pré-covid. Já o dólar ficou praticamente estável e fechou com leve desvalorização de 0,63%, a R$ 5,3496.

No cenário local, animou o mercado o crescimento recorde de 13,9% do varejo em maio ante abril, conforme apontam dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O desempenho, melhor do que o estimado por analistas, compensou o fato do setor ainda estar 7,3% abaixo do nível pré-pandemia, em fevereiro de 2020. Já na comparação com igual período de 2019, a queda é de 7,2%.

Os dados positivos, somados a recuperação moderada do mercado acionário de Nova York, permitiram ao Ibovespa, principal índice de ações brasileiro, saltar aos 99.972,78 pontos, na máxima do dia. Durante toda a sessão, o índice se manteve em alta e no patamar dos 99,4 mil pontos - movimento que foi contra o tom mais negativo observado no exterior.

Com os resultados de hoje, o índice acumula ganho de 3,11% na semana e de 4,96% no mês. No ano, ele cede apenas 13,73%. Entre as altas das ações desta quarta, se destacam as varejistas, com Natura e Vivara subindo 6,04% e 6,86% cada. A alta do preço do minério de ferro na China também fortaleceu empresas do setor por aqui, com Vale e CSN registrando altas de 1,69% e 3,84%.

Câmbio

O aumento de casos do coronavírus nos Estados Unidos, que já registra uma segunda onda de infecções, resultou em um enfraquecimento mundial do dólar nesta quarta, que vinha de dois dias seguidos de alta frente ao real. Nesse cenário, também fortaleceu a moeda brasileira, a melhora no comércio do País.

No entanto, a moeda chegou a operar no positivo, frente ao aumento das preocupações de que a alta cúpula do governo possa estar infectada pela covid-19, após Bolsonaro anunciar que contraiu a doença. Com esse temor, o dólar chegou a subir 0,20%, a R$ 5,3942 na máxima do dia.

De acordo com levantamento realizado pelo Estadão/Broadcast, nas casas de câmbio, o dólar turismo é negociado próximo de R$ 5,60. Já o dólar para agosto fechou com desvalorização de 0,73%, a R$ 5,3410.

Bolsas do exterior

Os mercados internacionais tiveram uma manhã volátil nesta quarta, com a preocupação de que os impactos do coronavírus na economia ainda são maiores do que os desejados. Nas principais Bolsas do exterior, alguns ganhos ainda foram registrados, após a americana Moderna anunciar um avanço nos estudos de uma vacina contra o vírus.

Na Ásia, os chineses Xangai CompostoShenzhen Composto subiram 1,74% e 1,88% cada, ainda na esteira da recuperação vista nos últimos dois dias. Já o japonês Nikkei caiu 0,78% e o sul-coreano Kospi recuou 0,24%. Algumas altas modestas também foram registradas por lá, com o Hang Seng de Hong Kong e o Taiex de Taiwan registrando ganhos de 0,59% e 0,64%. Na Oceaniao aumento de casos da covid-19 pesou na região e a Bolsa de Sydney caiu 1,54%.

Já os mercados da Europa fecharam praticamente em queda generalizada, com o Stoxx 600 recuando 0,67%. Londres e Frankfurt recuaram 0,55% e 0,97%, respectivamente, enquanto a Bolsa de Paris cedeu 1,24%. O dia também foi negativo para os mercados de Milão Madri , onde baixas de 0,57% e 1,62% foram registradas. A única exceção na região foi o índice de Lisboa, que encerrou com alta de 0,54%.

Em Nova York, os índices encerraram no positivo, após operarem em queda por vários momentos do pregão. O Dow Jones teve alta modesta de 0,68%, enquanto o S&P 500 subiu 0,78%. O melhor resultado ficou com o Nasdaq, que fechou com ganho de 1,44%, aos 10.492,50 pontos - novo recorde para um fechamento -, após a melhora das ações de tecnologia, com destaque para a Apple.

Petróleo

A commodity fechou no azul, apesar das preocupações com o avanço da segunda onda do coronavírus. Além disso, o mercado de petróleo também viu com preocupação o relatório do Departamento de Energia dos EUA (DoE, na sigla em inglês), apontou aumento nas reservas de petróleo americanas, contrariando a previsão de queda dos analistas.

Em resposta, o petróleo WTI para agosto, referência no mercado americano, fechou em alta de 0,69%, a US$ 40,90 o barril. Já o Brent para setembro, referência no mercado europeu, avançou 0,49%, a US$ 43,29 o barril./MAIARA SANTIAGO, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E LUÍS EDUARDO LEAL

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