Reuters
Reuters

coluna

Louise Barsi: O Jeito Waze de investir - está na hora de recalcular a sua rota

Aversão a riscos vinda do exterior faz Bolsa fechar em queda de 1,1%; dólar fica a R$ 5,36

Queda do mercado acionário de Nova York, somada a pressão vinda do setor de petróleo e a baixa das ações da Petrobrás, pesaram no mercado nesta terça

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2020 | 09h10
Atualizado 08 de setembro de 2020 | 18h18

A aversão a riscos vista no mercado acionário de Nova York pesou na Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, que fechou nesta terça-feira, 8, com queda de 1,18%, aos 100.050,43 pontos. Além da pressão vinda do exterior, pesou a queda do barril do petróleo, inclusive Petrobrás, além do reajuste vindo do pós-feriado da Independência do Brasil e ainda do feriado do Dia do Trabalho nos EUA. Esse cenário de incertezas também afetou o dólar que ganhou novo fôlego frente ao real para encerrar com alta de 1,77%, a R$ 5,3650.

Nos Estados Unidos, voltou chamar a atenção a queda das gigantes do setor de tecnologia, que realizam lucros após as altas consecutivas. Somente a Apple caiu 6,73%, enquanto Microsoft cedeu 5,41% e Amazon recuou 4,39%. Por lá, os índices acionários de Nova York voltaram a fechar com baixas expressivas: Dow Jones cedeu 2,25% e o S&P 500 recuou 2,78%. Já o índice tecnológico Nasdaq amargou perda de 4,11%.

"A observar a correção na Nasdaq, é de se pensar que um movimento de reavaliação do varejo eletrônico, um dos que mais avançaram neste ano, possa ocorrer também na B3, com alguma rotação para o comércio tradicional, de tijolo", diz Shin Lai, estrategista-chefe da Upside Investor Research.

Com a aversão a riscos vinda dos EUA, o Ibovespa, principal índice de ações do mercado brasileiro, não teve muito fôlego para se manter em alta e chegou a cair pontualmente aos 99 mil pontos na última hora de negócios da Bolsa. Entre as maiores baixas do pregão, estão as quedas de 2,88% e de 3,47% para Petrobrás Pn e ON, e a de 6,08% para a PetroRio, em um dia negativo para o petróleo de modo geral, cujos ativos voltaram a encerrar abaixo de US$ 40. Hoje, o WTI para outubro teve baixa de 7,57%, a US$ 36,76, enquanto o Brent para novembro caiu 5,31%, a US$ 39,78 o barril. O novo registro de baixas na demanda, somado a alta do dólar, que segura ainda mais a compra do barril, pesou nas negociações.

Acompanhando o movimento em mais um dia de forte ajuste na Nasdaq, parte das ações das empresas de varejo eletrônico na B3, que acumulam sólidos ganhos no ano, também seguiu em terreno negativo nesta sessão, especialmente Via Varejo, em queda de 3,97% no fechamento - segunda maior perda da carteira Ibovespa na sessão -, enquanto Lojas Americanas subiu 0,42% e Magazine Luiza teve ajuste mais contido, em baixa de 1,22% no encerramento.

Com os resultados do pregão desta terça, a Bolsa ainda avança 0,69% em setembro, mas perde 13,49% no ano.

A aversão a risco verificada nos mercados internacionais também levou o ouro a encerrar a sessão desta terça em alta. Na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex), o metal precioso para dezembro fechou em alta de 0,46%, a US$ 1943,20 a onça-troy.

Câmbio

O dólar reduziu o ritmo de valorização ante o real nos negócios da tarde, refletindo no mercado doméstico perda de força no exterior. Nesta terça, o peso determinante para os ativos brasileiros foi o mercado internacional, com novo dia de fuga de ativos de risco e correção nas bolsas americanas, contando hoje também com forte queda do petróleo, que superou os 8%. Com a agenda local esvaziada, o real foi a moeda com pior desempenho ante o dólar em uma cesta de 34 moedas, segundo operadores, ainda refletindo o risco de descontrole fiscal do Brasil. Já o dólar para outubro encerrou com alta de 1,18%, a R$ 5,3665.

Nesse cenário, os analistas da agência de classificação de risco Moody's elogiaram as políticas do governo para enfrentar os efeitos econômicos da pandemia, mas disseram que o custo fiscal foi mais alto que o esperado, com piora sem precedentes dos indicadores. A agência alertou que a dinâmica política traz riscos ao ajuste fiscal e as reformas para estimular o crescimento econômico, podendo ter peso negativo no rating soberano do País.

Já o diretor de moedas em Nova York da gestora BK Asset Management, Boris Schlossberg, observa que a piora da tensão entre Estados Unidos provocou forte movimento de aversão ao risco hoje, fortalecendo o dólar de forma generalizada. A deterioração da já complicada relação entre as duas maiores economias do mundo veio após Donald Trump sugerir ontem que o país não faça mais negócios com Pequim, em suas próprias palavras, um "descolamento".

Bolsas do exterior

Na Ásia os mercados fecharam antes do clima negativo tomar conta de Nova York, o que possibilitou resultados positivos na região. Os índices chineses Xangai CompostoShenzhen Composto subiram 0,72% e 0,38% cada, enquanto o japonês Nikkei se valorizou 0,80% e o Hang Seng teve modesta alta de 0,14% em Hong Kong. Já o Taiex registrou ganho de 0,49% em Taiwan e o sul-coreano Kospi avançou 0,74%. A Bolsa australiana também subiu e fechou com alta de 1,06%.

No mercado europeu, no entanto, o dia foi negativo, em sintonia com o recuo das 'big techs' de Wall Street. Por lá, pesou ainda o impasse entre Reino Unido e União Europeia, que ainda não encontraram um consenso após o Brexit - com isso, o Stoxx 600 encerrou com baixa de 1,15%. A bolsa de Londres caiu 0,12%, a de Frankfurt cedeu 1,01% e a de Paris teve perda de 1,59%. Já Milão, Madri e Lisboa tiveram perdas de 1,81%, 1,78% e 1,10% cada./LUÍS EDUARDO LEAL, MAIARA SANTIAGO E ALTAMIRO SILVA JÚNIOR

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.