Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Bolsa cai 0,5% e dólar sobe a R$ 5,67 com chance de Orçamento ser sancionado sem vetos

Pareceres publicados pela Câmara e pelo Senado pedem para que texto seja aprovado por Bolsonaro sem bloqueios nos recursos das emendas parlamentares; Economia discorda

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2021 | 13h39
Atualizado 09 de abril de 2021 | 18h12

Preocupados com os rumos do Orçamento de 2021, após parecer da Câmara e do Senado sugerir aprovação sem veto das medidas, os ativos locais voltaram para o vermelho nesta sexta-feira, 9, com o dólar fechando em alta de 1,81%, a R$ 5,6749. A Bolsa brasileira (B3) também foi afetada pela informação e fechou em queda de 0,54%, aos 117.669,90 pontos.

Hoje, o real ocupou novamente o topo de pior desempenho no mercado internacional, mesmo em dia de valorização generalizada da moeda americana. Na semana, porém, o dólar acabou acumulando queda de 0,71%, a segunda seguida de baixa, influenciada principalmente pelo cenário externo, após a semana amena das taxas de rendimento dos títulos do Tesouro americano e o reforço na promessa do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de seguir firme com os estímulos monetários. O dólar para maio fechou em alta de 2,05%, a R$ 5,6900.

A preocupação com o Orçamento ocorre por conta de duas "enormes falhas", o corte de despesas obrigatórias e a inclusão de emendas parlamentares, comentam os analistas da consultoria inglesa TS Lombard, Elizabeth Johnson e Wilson Ferrarezi. Aprovar o texto pode levar Jair Bolsonaro a cometer um crime de responsabilidade fiscal. Vetar medidas pode comprometer o capital político dele no Congresso, em um momento em que a popularidade de Bolsonaro recua com a piora da pandemia, avaliam em nota, prevendo que o imbróglio ainda vai se arrastar por mais algum tempo.

O reflexo do problema no Orçamento pode respingar na confiança dos investidores no curto prazo com o Brasil, especialmente em um momento de preocupação com medidas populistas de Bolsonaro, alerta a TS Lombard. Mais cedo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, admitiu que todo mundo tem um pouco de razão e um pouco de erro na questão, que foi discutida conjuntamente. Ante o real, a moeda renovou máximas à tarde, batendo nos R$ 5,69 quando começou a ser divulgado o parecer do Orçamento.

Nos últimos dias, a perspectiva de que se chegasse a uma solução para a questão do Orçamento aliada a um cenário externo mais positivo - com o Fed sinalizando manutenção dos estímulos e visão de que a alta da inflação é transitória - ajudou o real a se valorizar, avalia a economista-chefe da Armor Capital, Andrea Damico. "De todo modo, o risco fiscal segue elevado", comenta em sua carta semanal.

No exterior, pressionou o câmbio a divulgação do índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) dos EUA, que mostrou inflação de 1% em março, ante expectativa dos analistas de aumento de 0,4%. "É o mais recente sinal de que a inflação está se aquecendo", comentam os analistas do banco Wells Fargo.

Bolsa

O Ibovespa se acomodou nesta sexta-feira um pouco abaixo da linha de 118 mil pontos, que havia sido reconquistada no fechamento anterior pela primeira vez desde fevereiro. Apesar da pressão observada sobre o câmbio ao longo do dia, a B3 conseguiu assegurar ganho de 2,10% na semana. No mês, sobe 0,89%, com perdas no ano a 1,13%. Na máxima, bateu nos 118.643,03 pontos, mas perdeu o patamar após os impasses envolvendo o Orçamento.

Já sobre a pandemia, em desdobramento negativo para a campanha de vacinação, o Ministério da Saúde decidiu que não irá mais divulgar a previsão de doses que espera receber a cada mês, depois de ter alterado ao menos cinco vezes o cronograma de entregas. O ministério argumenta que esses dados devem ser coletados, agora, diretamente com os fabricantes.

Mais uma vez, o desempenho positivo das ações de siderurgia, especialmente CSN e Usiminas, ambas com altas de 4,84% e 3,39%, ajudaram a dar algum equilíbrio ao Ibovespa, enquanto Vale, vinda de recentes máximas, teve desempenho negativo na sessão, em baixa de 1,44% no fechamento, Na ponta negativa do índice, Via Varejo, que esteve entre as líderes de ganho no dia anterior, fechou em baixa de 3,48%, à frente de Pão de AçúcarUltrapar, com quedas de 3,24% e 2,43% cada. /ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, LUÍS EDUARDO LEAL, SIMONE CAVALCANTI E MAIARA SANTIAGO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.