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Gary Cameron/Reuters
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Dólar avança 0,7% de olho na alta da inflação no Brasil e no mundo; Bolsa sobe

Segundo dados divulgados hoje, IPCA subiu 0,83% em maio, no maior nível nos últimos 25 anos; para amanhã, expectativa é grande pelo resultado da inflação americana do mês passado

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2021 | 15h21
Atualizado 09 de junho de 2021 | 18h25

A alta da inflação no Brasil, em um dia no qual os mercados do exterior se voltaram para o avanço dos índices inflacionários em todo o mundo, deu força para o dólar, que voltou a subir ante o real e fechou com alta de 0,69% nesta quarta-feira, 9, cotado a R$ 5,0692. A Bolsa brasileira (B3), porém, precificou a retomada da economia brasileira, encerrando em leve alta de 0,09% aos 129.906,80 pontos, apoiada pelo ganho das ações da Vale.

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mostrando aceleração de 0,31% em abril para 0,83% em maio, maior nível para o mês nos últimos 25 anos, reforça que não só o Banco Central deve elevar os juros em 0,75 ponto porcentual na reunião da semana que vem como sinalizar alta da mesma magnitude no encontro seguinte, em agosto, avalia o economista-chefe para mercados emergentes da consultoria Capital Economics, William Jackson, destacando que os números de hoje superaram as previsões da casa e do mercado.

A economista-chefe do Banco Inter, Rafaela Vitória, destaca que a inflação se transformou em fenômeno mundial, em meio à retomada da atividade, como mostraram até dados da China, com a inflação ao produtor (PPI, na sigla em inglês) mostrando um salto anual de 9% em maio, o maior dos últimos doze anos, gerando cautela nos mercados. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) tem conseguido convencer os investidores do caráter transitório da inflação - no entanto, a resposta vem amanhã, quando o país divulga o resultado do mês de maio.

E as expectativas estão altas. Após a surpresa com a inflação de abril bem acima do previsto, no maior valor desde 2008, o economista-chefe para os EUA do Deutsche Bank, Brett Ryan, destaca em relatório que o número será monitorado de perto por participantes do mercado e dirigentes do Fed, que entraram esta semana em período de silêncio por conta da reunião de política monetária da semana que vem. Nova surpresa com o indicador pode fortalecer adicionalmente o dólar e penalizar moedas de paíeses emergentes.

No Brasil, mesmo com fluxo cambial negativo nas últimas semanas, com saída de US$ 1,8 bilhão em maio, segundo dados do Banco Central divulgados hoje, o real segue como uma das moedas com melhor desempenho recente ante o dólar. O sol do Peru foi novamente hoje a moeda com pior desempenho mundial, após o candidato de esquerda Pedro Castillo, declarar vitória, ainda com a apuração em andamento.

O dólar disparou 2,5% no Peru, mas a alta foi mais contida em outros mercados da região, com 25% no México e 0,45% no Chile. Na Colômbia, caiu 0,15%. Por aqui, o dólar para julho subiu 0,49%, a R$ 5,0730.

Sobre o câmbio brasileiro, a economista do Banco Inter observa que a visão mais otimista com a atividade econômica e o consequente alívio fiscal têm ajudado o real a ganhar força. Um dos indicadores de destaque é a balança comercial, que tem mostrado forte superávit, que deve ficar em US$ 80 bilhões este ano, nível recorde. Ela prevê dólar em R$ 5,20 ao final do ano, com a moeda americana tendendo a ganhar força mais para o final do ano, por conta do início das conversas para as eleições e do orçamento de 2022, que pode ter pressão para mais gastos por conta do ano eleitoral.

A análise técnica dos estrategistas do alemão Commerzbank mostra que após cair a R$ 5,01, testando as mínimas desde dezembro de 2020, o próximo patamar a ser buscado é o nível de R$ 4,8999, a mínima desde antes da pandemia, que pode se tornar novo suporte de curto prazo para a moeda americana caso fure os R$ 5,00.

Bolsa

Após ter interrompido ontem sua mais longa sequência de ganhos desde fevereiro de 2018, o Ibovespa viu no avanço do IPCA uma confirmação da recuperação da economia do País. Com isso, apesar do sinal negativo de Nova York, onde todos os índices caíram, a Bolsa conseguiu fechar perto do patamar dos 130 mil pontos. Na semana, o índice cede 0,17%, colocando os ganhos do mês a 2,92% e os do ano a 9,15%.

Entre os ganhos, o destaque ficou para o setor de mineração e siderurgia, diante da alta de 1,151% do minério de ferro na China, "após os estoques da commodity nos portos chineses recuarem para o menor nível desde 5 de fevereiro, o que eleva a expectativa por uma reposição ao longo do mês e, com isso, maior demanda", observa Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora. Hoje, Vale ON subiu 2,07%, enquanto Usiminas e CSN ganharam 2,56% e 2,24%.

Na ponta negativa do Ibovespa, destaque nesta quarta para ações com exposição à demanda interna, como Magazine Luiza, IguatemiMultiplan, com baixas de 3,71%, 3,78% e 2,80%, respectivamente. Petrobrás fechou mista, com a ON em alta de 0,34%, após os contratos de petróleo também ficarem sem sinal único no exterior. Já Itaú foi na contramão do setor bancário e subiu 1,37%. /ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, LUÍS EDUARDO LEAL E MAIARA SANTIAGO

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