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Bolsa encerra com alta de 1,2% após recuperação de Nova York; dólar fica a R$ 5,29

Ações das gigantes de tecnologia voltaram a subir após a queda na última terça e movimento permitiu que os índices americanos e a B3 recuperassem as perdas do dia anterior

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2020 | 09h03
Atualizado 09 de setembro de 2020 | 18h50

A recuperação do mercado acionário de Nova York, onde as ações das gigantes de tecnologia tiveram fortes altas, ajudou a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, a fechar com ganho de 1,24%, aos 101.292,05 pontos, nesta quarta-feira, 9. O movimento de melhora dos índices impactaram também no câmbio e o real voltou a ganhar fôlego ante o dólar, que encerrou em baixa de 1,25%, a R$ 5,2982.

Em Nova York, o Dow Jones encerrou com ganho de 1,60%, o S&P 500 avançou 2,02% e o índice tecnológico Nasdaq liderou as altas, com ganho de 2,71%. Por lá, ajudou a fortalecer os índices a melhora das ações de importantes empresas do setor de tecnologia, como as altas de  3,99%, 3,77% e 4,26% dos papéis de Apple, Amazon e  Microsoft. Na última terça-feira, 8, os papéis destas empresas voltaram a realizar lucros e fecharam com fortes quedas, fazendo o mercado acionário dos Estados Unidos e fechar em baixa pela terceira vez nas últimas duas semanas.

 

"A correção parece ter sido mais técnica do que fundamental. Acho que todos os fundamentos ainda estão propícios para um movimento de apetite por risco", afirmou ao Estadão/Broadcast o analista Ilan Solot, do banco de investimentos americano Brown Brothers Harriman (BBH), em referência à recuperação no mercado acionário americano.

Com isso, o Ibovespa, principal índice de ações do mercado brasileiro, saiu de mínima na abertura a 100.050,43 pontos e chegou, na máxima, aos 101.578,01 pontos, reaproximada por volta das 16h30, quando os índices de NY ampliavam ganhos. Dessa forma, essa foi a primeira vez desde 3 de setembro que a Bolsa não caiu hoje abaixo de 100 mil no intradia, o equivalente a quatro sessões. 

"Está faltando notícia nova que tire o Ibovespa desta faixa lateral em que tem se mantido - na ausência disso, surfamos hoje com o exterior. Muito em relação à crise e à situação fiscal já foi para o preço. E quanto à vacina, ainda que problemas tenham aparecido no teste da AstraZeneca, sabe-se que não é a única opção, então não chega a preocupar tanto", diz Daniel Herrera, analista da Toro Investimentos, destacando também a leitura do IPCA, não distante do esperado.

Hoje, os ganhos na B3 foram bem distribuídos por empresas e setores, com destaque para o de commodities, de grande peso na composição do índice. Vale On teve alta de 1,23%, enquanto Petrobrás Pn e On subiram 2,11% e a 2,22% cada. O resultado veio em sintonia com o mercado de petróleo - o Brent para novembro teve ganho de 2,54%, a US$ 40,79 o barril, enquanto o WTI para outubro registrou ganho de 3,51%, mais ainda encerrou abaixo do patamar de US$ 40, a US$ 38,05.

O setor de siderurgia foi o ponto alto do dia, com Usiminas em avanço de 6,36%, maior ganho da sessão, logo à frente de CSN, com alta de 4,98% e Gerdau Metalúrgica, com ganho de 4,93%. No lado negativo, Cogna cedeu hoje 4,07%, IRB, 3,12%, e Gol, 2,70%. Com os resultados de hoje, a Bolsa sobe agora 1,94% em semtembro, mas ainda cede 12,41% no ano.

Câmbio

O real teve dia de fortalecimento, recuperando terreno após o estresse de ontem, em que o dólar chegou a superar os R$ 5,40. A quarta-feira foi marcada pela recuperação das bolsas americanas, alta forte do petróleo e busca por ativos de risco nos emergentes. Nesse ambiente, o risco-País caiu e a moeda americana perdeu força de forma generalizada no mercado internacional, sobretudo nos países exportadores de commodities.

"Hoje foi um dia de ajuste", destaca o presidente da FB Capital, Fernando Bergallo. Investidores que vinham tomando posições mais defensivas, buscando refúgio no dólar antes do feriado e em meio à forte piora dos bolsas americanas, que tiveram três dias seguidos de queda acentuada, hoje desfizeram parte deste movimento.

Na mínima do dia, a moeda caía a R$ 5,27. Já o dólar para outubro encerrou em baixa de 1,03%, a R$ 5,3110.

Bolsas do exterior

As bolsas do velho continente fecharam em alta, apoiadas pela possibilidade do Banco Central Europeu enaltecer em relatório na próxima quinta-feira, 10, o forte aumento do euro nos últimos meses, que tem ganhado cada vez mais força ante o dólar. A esse cenário, também contribuiu a melhora dos índices de Nova York. Por lá, o Stoxx 600 encerrou com alta de 1,62%, enquanto a bolsa de Londres subiu 1,39%, a de Frankfurt teve ganho de 2,07% e a de Paris avançou 1,40%. Já MilãoMadri e Lisboa tiveram ganhos de 2,02%, 0,95% e 2,29% cada.

Na Ásia, no entanto, o dia foi de perdas, ainda em sintonia com o tombo do dia anterior visto em Nova York. Os chineses Xangai CompostoShenzhen Composto tiveram baixas de 1,86% e 3,22% cada, enquanto o japonês Nikkei caiu 1,04% e o sul-coreano Kospi recuou 1,09%. Já o Hang Seng cedeu 0,63% em Hong Kong e o Taiex registrou queda de 0,43% em Taiwan. A bolsa australiana caiu 2,15% nesta quarta./LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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