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Bolsa fecha em alta e recupera os 95 mil pontos, enquanto dólar vai a R$ 5,65

Alta das das ações da Petrobrás e ganhos de Nova York e ajudaram o Ibovespa a retomar o fôlego, apesar do real fraco e a valorização do dólar

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de outubro de 2020 | 09h07
Atualizado 01 de outubro de 2020 | 18h12

A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, conseguiu se firmar no positivo nesta quinta-feira, 1, aproveitando os ganhos de Nova York e o bom desempenho das ações da Petrobrás para fechar com alta 0,93%, aos 95.478,52 pontos, apesar da insistente desvalorização do real ante o dólar devido ao incerto cenário fiscal do País. Hoje, a moeda americana voltou a subir e encerrou com valorização de 0,63%, a R$ 5,6541.

Decisivo para a virada de jogo na sessão foi o salto observado em Petrobrás após o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), seguir o voto proferido pelo ministro Alexandre de Moraes pela manutenção da venda das refinarias da petrolífera sem anuência do Congresso Nacional. Ao final da sessão, as ações Pn e On fecharam com ganhos de 1,22% e 0,91% cada. Após o fechamento do Ibovespa, a votação no STF foi definida em 6 a 4 pela liberação do plano de venda de refinarias da Petrobras.

 

No quadro mais amplo, algumas notícias econômicas também ajudaram, ainda que modestamente, a mitigar a aversão a risco suscitada pela indefinição sobre a forma de financiamento do futuro Renda Cidadã. Hoje, a Secretaria de Comércio Exterior informou que o superávit comercial em setembro, de US$ 6,164 bilhões, foi o maior da série - mas a Secex ajustou levemente para baixo a previsão de saldo comercial para o ano, de US$ 55,4 bilhões para US$ 55,0 bilhões.

Por outro lado, a tensão política entre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), não contribui para que as reformas deslanchem e o ajuste de rota essencial a 2021 se delineie, na interlocução entre Executivo e Legislativo. Tal esgarçamento acaba deixando em segundo plano o passo atrás de Guedes quanto ao uso de recursos destinados a precatórios no financiamento do Renda Cidadã

"Estamos no momento da verdade, de preparação para a volta à normalidade. Há decisões difíceis a serem tomadas e, nisso, há uma queda de braço combinada a balões de ensaio até que se chegue a uma convergência", observa Marcelo Audi, sócio-gestor da Cardinal Partners.

Ainda assim, "a situação é um fator de risco que precisa ser levado na ponta do dedo", aponta o gestor. "Foram muitos os momentos de tensão, mas Guedes continua a mostrar que sabe navegar nos momentos políticos mais agitados - esperamos que possa chegar a bom termo. Não se pode dar ao luxo de perder o Guedes, ele continua a ser a âncora", conclui Audi.

No entanto, os temores com a situação política não pesaram tanto no final do pregão, quando a Bolsa se apoiou também na alta do mercado acionário de Nova York para sustentar os ganhos. Hoje, o Nasdaq ganhou 1,42%. Já o S&P 500 teve alta de 0,53% e o Dow Jones subiu 0,13%. Por lá, as ações de grandes techs se destacaram, com Amazon em alta de 2,30%, acompanhada por Facebook, com 1,81% e Microsoft, com 1,01%.

Entre as ações, Vale On fechou em baixa de 0,42%, mas acumula até aqui ganho de 14,71% no ano. Na ponta do Ibovespa, IRB subiu 8,14%, seguido por Cogna, com 6,56% e Multiplan, com 5,76%. No lado oposto, Natura cedeu 4,99%, à frente de Qualicorp, com 3,50% e CVC, com 2,60%. Com os resultados de hoje, a Bolsa cede 1,57% na semana e 17,44% no ano.

Câmbio

O dólar inicia outubro em alta, impulsionado por um caldeirão de incertezas na cabeça dos investidores quanto ao futuro da situação fiscal no Brasil, que se deteriorou nas últimas semanas e segue sem rumo. Se continuar nessa direção, pode buscar os R$ 6,00, patamar que não foi alcançado nem no auge da turbulência da covid-19, o que já levanta questionamentos no mercado se o Banco Central não deveria agir com mais força para conter tamanha desvalorização do real. No ano, a depreciação é quase 41%, o que posiciona a divisa brasileira como o pior desempenho ao redor do globo. O dólar para novembro fechou com alta 0,61%, a R$ 5,6485.

Se antes já haviam questionamentos quanto à austeridade fiscal, o mais recente imbróglio do governo Bolsonaro, o financiamento ao Renda Cidadã, programa social que deve substituir o Bolsa Família, só fez piorar. "Tudo isso é muito ruim e aumenta a percepção de risco perante ao Brasil, que já é péssima entre os investidores estrangeiros", avalia o CEO e fundador da FB Capital, Fernando Bergallo. "O dólar a R$ 6,00 nunca esteve tão próximo, com o movimento de alta reverberando a crise de confiança em relação ao Brasil", acrescenta.

O estrategista de macroeconomia e mercados do BB-BI, Hamilton Moreira, afirma que, desde que não impacte na inflação, o dólar elevado beneficia o setor externo. De acordo com ele, além da questão fiscal, as eleições nos Estados Unidos devem trazer mais volatilidade ao câmbio em outubro, com os investidores tirando dólares dos países emergentes. Passada a disputa, que será definida em 3 de novembro, a tendência é de que o dólar volte um pouco - isso se o resultado não for questionado, como o presidente Donald Trump tem sinalizado em caso de vitória do democrata Joe Biden.

Nos juros, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 fechou em 3,12%, de 3,054% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2023 subiu de 4,515% para 4,61%. O DI para janeiro de 2025 terminou como taxa de 6,53%, de 6,504% ontem no ajuste, e o DI para janeiro de 2027 fechou com taxa de 7,50%, de 7,484% ontem./LUÍS EDUARDO LEAL, ALINE BRONZATI E MAIARA SANTIAGO

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