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Bolsa avança 2,3% e dólar fecha a R$ 5,22 com cenário favorável aos riscos

Chance de novos estímulos para a economia americana e avanço da agenda fiscal no Congresso brasileiro animaram os investidores

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2020 | 09h30
Atualizado 01 de dezembro de 2020 | 19h14

Em um dia amplamente positivo para os ativos de risco, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, avançou 2,30%, aos 111.399,91 pontos nesta terça-feira, 1, enquanto o dólar fechou em forte queda de 2,21%, a R$ 5,2278. No exterior, agradou a nova aproximação da Casa Branca com a democrata Nancy Pelosi, presidente da Câmara, na busca de mais estímulos. Já por aqui, a indicação da votação da reforma tributária e da Lei das Diretrizes Orçamentárias (LDO) deu ânimo ao mercado interno.

O presidente da Comissão Mista da Reforma Tributária, senador Roberto Rocha (PSDB-MA), afirmou que é possível votar o texto no colegiado até 10 de dezembro. "A Comissão mista está viva, funcionando, ativa até o dia de 10. Vamos estabelecer cronograma nesse período pós-segundo turno", disse. Ontem, Rodrigo Maia já havia dito que tinha 320 votos para aprovar a reforma. Mais cedo, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), disse que vai pautar a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) direto para o plenário no 16 de dezembro.

Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora, ressalta que o que realmente fez preço, foi a fala do presidente Jair Bolsonaro ao sinalizar que o governo não pretende estender o auxílio emergencial. "Isso acaba aliviando o estresse do mercado quanto ao rumo do fiscal", diz. "Prova maior deste alívio foi vista na curva de juros que derreteu hoje e devolveu parte do prêmio que está implícito em vista do risco do fiscal, ao passo que uma queda da curva implica em maior 'upside' para os modelos de precificação de ações e elevando o apetite ao risco".

Já na avaliação de Luís Sales, analista de mercado Guide Investimentos, por enquanto, o mercado deixou de lado os problemas fiscais do País, uma vez que não está contando com a dinâmica no Congresso. "Por enquanto as questões políticas estão um pouco quietas. Mas em janeiro é possível que voltem a preocupar nossas questões internas, com a cena política e as questões fiscais", afirmou.

No entanto, tanto Ribeiro quanto Sales concordam que, para o mercado seguir com o viés de alta, o governo deverá seguir apoiando a pauta fiscal. "Mas, principalmente, transformar palavras em ações", diz o analista de Clear.

Especialmente os papéis de bancos ganharam destaque na sessão, uma vez que estão muito descontados. As ações preferenciais de Bradesco, Itaú Unibanco, as units do Santander e as ordinárias de Banco do Brasil ganharam 5,60%, 4,20%, 7,15% e 2,75%, respectivamente. O profissional chama a atenção para o fato de que, no acumulado de 2020, as perdas são de 21,19%, 16,85%, 9,80% e 32,06%, pela ordem. No ramo de commodities, Petrobrás ON fechou em alta de 2,94% e Vale ON, 4,17%.

Câmbio

O dólar começou dezembro com forte queda ante o real. A entrada de fluxo externo, em novo dia de busca por ativos de risco no mercado financeiro internacional, o aumento da rolagem de contratos de swap pelo Banco Central e notícias positivas internas sobre o fiscal ajudaram o real a ter o melhor desempenho hoje ante a divisa americana, considerando uma cesta de 34 moedas mais líquidas. No mercado futuro, o dólar para janeiro fechou em queda de 2,35%, a R$ 5,2085.

Internamente, as sinalizações sobre o andamento da agenda fiscal agradaram, mas ainda há preocupações. "A situação fiscal do Brasil é precária", afirmam os estrategistas do Bank of America. Contudo, a avaliação deles é que há espaço para reduzir o risco fiscal no País e o banco americano espera que no primeiro trimestre de 2021 o cenário esteja menos incerto. Por isso, passou a ficar "cautelosamente otimista" com o real e reduziu a previsão das cotações do dólar no País de níveis ao redor de R$ 5,38 esperados até o terceiro trimestre do ano que vem para R$ 5,10.

"Os ativos locais seguirão à mercê do cenário e dos fluxos internacionais, mas com um olho nos avanços (ou não) da agenda política interna", avalia o diretor de investimentos e sócio da Tag Investimentos, Dan Kawa. O fluxo não dá sinais de perda de fôlego. Operadores reportaram novas entradas hoje na B3 e, em novembro, os aportes somavam quase R$ 33 bilhões, um recorde mensal./ LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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