Amanda Perobelli/Reuters
Amanda Perobelli/Reuters

Dólar cai 2,5% e Bolsa sobe com aprovação em 1º turno da PEC do auxílio emergencial

Análise da medida na Câmara dos Deputados ajudou Ibovespa avançar 1,3%; além disso, mercado também comemora aprovação do pacote de estímulos de US$ 1,9 tri nos EUA

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2021 | 09h32
Atualizado 10 de março de 2021 | 19h23

Os ativos locais seguem espelhando a melhora do humor no exterior e no Brasil, com a aprovação da PEC que libera uma nova rodada do auxílio emergencial em primeiro turno na Câmara e a expectativa de que o texto também passe em segundo turno ainda nesta quarta-feira, 10. Hoje, o dólar fechou em queda de 2,50%, cotado a R$ 5,6526, enquanto a Bolsa brasileira (B3), teve alta de 1,30%, aos 112.776,49 pontos.

O Ibovespa refletiu de perto a votação da PEC Emergencial na Câmara dos Deputados e entre a definição do primeiro turno, na madrugada, e do segundo turno, encaminhado nesta tarde, a reação oscilou do positivo ao negativo, com alguns momentos de susto, como a abertura de brecha para progressão de carreira no funcionalismo público. Além disso, em outra mudança de última hora, o plenário da Câmara derrubou dispositivo da PEC que daria mais flexibilidade ao governo na gestão do Orçamento, ao aprovar destaque do PDT que retira do texto a possibilidade de desvinculação de receitas hoje carimbadas para órgãos, fundos ou despesas específicas.

"O Ibovespa chegou a cair mais de 1% com a notícia de que o governo discutiu acordo para diminuir a potência fiscal da PEC Emergencial, permitindo a promoção de servidores quando a cláusula de calamidade estiver acionada", observa Júlia Aquino, especialista da Rico Investimentos.

Em Wall Street, as Bolsas de Nova York subiram após a aprovação do pacote de estímulos fiscais de US$ 1,9 trilhão pelo Congresso americano, que deve ser sancionado já na próxima sexta-feira por Joe BidenO Dow Jones fechou em alta de 1,46%, renovando máxima recorde de fechamento, o S&P 500 avançou 0,60% e o Nasdaq teve queda de 0,04%.

"A PEC no Brasil e o pacote nos Estados Unidos ajudam a tirar o mercado daquele pessimismo de dias atrás, o que abre a possibilidade de recuperação de ações que estavam com os preços muito aviltados. As empresas estão aí; várias com resultados positivos e preços abaixo do merecido", afirma o gerente de renda variável da Commcor, Ariovaldo Ferreira.

O mercado também monitorou o discurso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após ele ter voltado a se tornar elegível nesta semana. "Questão da vacina não é se tem dinheiro ou não, mas é questão de se eu amo a vida ou a morte", disse.  "Vou tomar vacina e dizer para o povo não seguir decisão imbecil do presidente ou ministro", completou.

Após o discurso, banco suiço Julius Baer mostrou preocupação com o populismo no governo Bolsonaro e o avanço das reformas necessárias para o País. Por isso, neste momento, prefere não tomar posições na Bolsa brasileira, avaliando outras regiões como melhores opções por ora.

Entre os segmentos do Ibovespa, destaque negativo nesta sessão para mineração e siderurgia. "Nesta quarta-feira, os futuros do minério de ferro na China caíram para o menor nível em quatro semanas, pressionados por medidas mais duras contra poluição no principal polo siderúrgico de Tangshan, além de alívio com preocupações quanto à oferta da matéria-prima", diz Júlia Aquino, da Rico. Assim, Vale ON fechou em baixa de 1,54%, com as perdas no setor de siderurgia chegando a 3,22% para Usiminas.

Destaque positivo para Petrobrás ON e PN, com ganhos de 4,21% e 3,47% cada. Entre os bancos, BB ON subiu 3,14%.  Na semana, o Ibovespa cede 2,11%, colocando os ganhos do mês a 2,49% - em 2021, perde 5,24%

Câmbio

Em dia de noticiário intenso no mercado doméstico externo, o dólar firmou queda ante o real logo pela manhã, momento em que o Banco Central fez sua primeira intervenção no mercado, vendendo US$ 1 bilhão em swap cambial, equivalente a venda de dólares no mercado futuro. No exterior, a moeda americana teve dia de baixa generalizada, após dados da inflação mostrarem preços comportados nos Estados Unidos e, no final do dia, a aprovação do pacote fiscal de Joe Biden.

Causou estranheza no mercado um segundo leilão de dólares do BC no início da tarde, de US$ 405 milhões, já com a divisa dos EUA em queda firme. Para profissionais das mesas de câmbio, a oferta pode ser para dar liquidez a estrangeiros deixando o país ou o temor do BC de mais pressão na inflação do dólar alto, que tem levado uma série de bancos, como Barclays, Itaú e JPMorgan, a revisar suas projeções para o IPCA e para a taxa básica de juros. Com isso, o dólar fechou na maior queda em dois meses.

As análise negativas sobre o Brasil e o real têm se proliferado nos últimos dias. Os estrategistas do banco suíço UBS resolveram encerrar suas apostas compradas na divisa brasileira, ou seja, que ganham com sua valorização. Prevendo que a volatilidade vai seguir muito alta no câmbio, em meio a piora da pandemia e atrasos na vacinação, além do risco de mais medidas populistas por Jair Bolsonaro, o banco prefere ficar de lado no curto prazo, observando os movimentos.

No exterior, o dólar passou a firmar queda após a divulgação de dados da inflação ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) mostrar números comportados. O núcleo subiu 0,1% em fevereiro, ante 0,2% do esperado pelos analistas. O economista do Commerzbank, Christoph Balz, avalia em relatório que a pressão nos preços nos EUA está concentrada nos combustíveis e alimentos. A tendência é de aumento pela frente, mas hoje as taxas de retorno dos juros longos americanos caíram, ajudados também pelo leilão de títulos do Tesouro, de US$ 38 bilhões em papéis de 10 anos, o que ajudou a retirar pressão dos ativos de risco e moedas de emergentes. /LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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