Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90
Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Bolsa recua 0,1% e dólar fecha em leve alta com queda do mercado de Nova York

Em um dia sem acontecimentos relevantes, os ativos locais ficaram mais suscetíveis ao movimento dos índices americanos, hoje pressionados por declarações de executivos do BC dos EUA

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2021 | 15h03
Atualizado 10 de maio de 2021 | 19h08

Em um dia poucos acontecimentos relevantes, tanto no cenário nacional quanto no internacional, os ativos locais ficaram mais suscetíveis ao movimento de oscilação visto no exterior, onde os mercados fecharam mistos. No câmbio, o dólar teve um dia de acomodação ante o real nesta segunda-feira, 10, e fechou em leve alta de 0,07%, a R$ 5,2320. A Bolsa brasileira (B3), foi pressionada pelo recuo do mercado de Nova York e cedeu 0,11%, aos 121.909,03 pontos. 

"Um movimento de realização em NY, principalmente ligado ao índice de ações de tecnologia, junto com uma leitura de que os dados do payroll [sobre geração de vagas nos Estados Unidos] divulgados sexta-feira estão um pouco distorcidos [para menos] tira fôlego da bolsa brasileira", diz Mauro Morelli, estrategista-chefe da Davos Investimentos. Hoje, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de Chicago, Charles Evans, disse ver o mercado de trabalho americano ainda muito forte.

A fala, aliada a opinião do presidente do Fed de Dallas, Robert Kaplan, deu fôlego ao mercado de títulos do Tesouro americano, diretamente beneficiados pela recuperação da economia dos EUA. Hoje, Kaplan disse estar na hora do Fed discutir uma diminuição em seu programa de títulos públicos, que foi ampliado na pandemia. Em resposta, os rendimentos dos papéis com vencimento para dez e trinta anos subiram 1,601% e 2,322% cada.

O ganho desses ativos pressionaram o mercado acionário de Nova York, opção de investimento menos segura. Dow Jones e S&P 500 cederam 0,10% e 1,04% cada. O índice tecnológico Nasdaq, o mais afetado pela alta nos rendimentos dos títulos públicos pelo grau de incerteza de seus papéis, recuou 2,55%.

Nesse cenário, Morelli ressalta que a Bolsa brasileira ainda está à mercê dos movimentos externos. Mas de uma maneira piorada: "Quando lá fora [NY] sobe, aqui o Ibovespa sobe um pouco menos. E, quando lá fora cai, aqui no Brasil cai um pouco mais". Sem um gatilho positivo no contexto doméstico, o Ibovespa não conseguiu se sustentar na marca dos 122 mil pontos. 

Segundo Morelli, são muitos os elementos que trazem cautela aos investidores, a começar por questões já conhecidas como economia fraca, os problemas fiscais do País - um quadro que chamou de completamente aberto -, e a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid. "Isso tudo em um ambiente de antecipação das eleições presidenciais, que aumenta em muito o volume de ruídos", afirmou o estrategista, ressaltando os riscos de as reformas estruturais serem prejudicadas nesse cenário.

Analistas da Levante Investimentos acreditam que, muito embora a reforma administrativa possa estar mais desidratada, ela está andando. De acordo com o cronograma estimado pelos líderes, a reforma administrativa deve ser aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados e seguir para uma comissão especial já no mês de maio. A equipe econômica conta com a apresentação do relatório já nesta semana, o que pode renovar os ânimos do mercado em relação ao tema.

Entre as ações, o avanço nos preços do minério de ferro na China, com as cotações em alta de 10% na bolsa chinesa de Dalian e ganho de 8,63% no porto chinês de Qingdao, a US$ 230,56 a tonelada, ajudaram as ações do setor. Usiminas subiu 0,91% e CSN teve ganho de 0,22%. A alta do petróleo no exterior também favoreceu Petrobrás, com ON e PN em alta de 1,17% e 1,35% cada. As altas desses setores evitaram uma queda maior da Bolsa nesta segunda.

Câmbio

Para o economista e sócio da consultoria Tendências, Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central (BC), na ausência de algum evento inesperado, externo ou interno, a tendência do câmbio é ficar na faixa de R$ 5,10 a R$ 5,20. Sobre estes eventos ele se refere a algum ruído político em Brasília, ou ainda os rumos da pandemia, que podem comprometer o cenário fiscal. No caso de um agravamento da situação fiscal, ou da pandemia, a moeda americana pode voltar a testar níveis acima de R$ 5,50.

O cenário interno conturbado estava provocando um descolamento do real dos preços das commodities, disse Loyola na tarde de hoje. Normalmente a moeda brasileira se valoriza em períodos de alta dos preços de produtos como soja e minério de ferro, mas até há pouco tempo isto não estava acontecendo. "As razões são todas ligadas ao cenário doméstico, seja o político e de incerteza trazidas pela condução do enfrentamento da pandemia e também pelo imbróglio fiscal", afirmou. 

Nesse ambiente, investidores e fundos fizeram nos últimos dias fortes ajustes em posições contra o real, e a favor do dólar, na B3 e na Bolsa de Chicago (CME). O dólar para junho fechou em queda de 0,29%, a R$ 5,2335.

Nos indicadores hoje, o Ministério da Economia divulgou que as exportações começaram maio com fôlego, com superávit comercial somando US$ 2,2 bilhões na primeira semana. Mas os números tiveram efeito limitado no câmbio, em tarde marcada por alta dos juros longos americanos, que pressionou ativos de risco. /ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, SIMONE CAVALCANTI E MAIARA SANTIAGO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.