Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Bolsa se mantém aos 130 mil pontos e fecha em alta pela 2ª vez seguida; dólar cai

Em um dia com poucos acontecimentos locais, mercado acompanhou a alta de 0,6%, acima do esperado, da inflação de maio dos Estados Unidos

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2021 | 14h57
Atualizado 10 de junho de 2021 | 18h28

Em um dia de poucos acontecimentos no cenário local, mas com a divulgação acima do esperado da inflação dos Estados Unidos, a Bolsa brasileira (B3) se apoiou no mercado de Nova York para emendar o segundo ganho consecutivo, em alta de 0,13%, aos 130.076,17 pontos, nesta quinta-feira, 10. No câmbio, o dólar foi pressionado durante parte da sessão pelo avanço do índice inflacionário americano, mas chegou ao final em queda de 0,07%, cotado a R$ 5,0658.

O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos subiu 0,6% em maio, resultado que veio acima da projeção de analistas. Com isso, o principal indicador de inflação do país americano passa a ter alta anual de 5%, maior avanço inflacionário no país desde agosto de 2008. No mês passado, ele subiu 0,8%.

"A leitura que o mercado faz deste dado de inflação nos Estados Unidos é simples: se tem mais inflação, necessariamente o Fed [Federal Reserve, banco central americano] vai ter que elevar a taxa de juros antes do que vinha projetando lá para 2023, 2024, o que resulta em apreciação do dólar. O governo Biden é pró-estímulos, então há essa liquidez não só da política monetária mas também da política fiscal", observa Camila Abdelmalack, economista-chefe da Veedha Investimentos.

No entanto, especialistas também acreditam que ainda não é momento do Fed começar a cortar estímulos. "Acho que o

fenômeno inflacionário nos EUA é temporário. Essa visão é compatível com que o Fed avalia", disse José Júlio Senna, chefe do Centro de Estudos Monetários do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

Além disso, apesar do avanço dos dados econômicos, o país americano ainda não se recuperou totalmente, em especial o mercado de trabalho. O número de pedidos de auxílio-desemprego caiu 9 mil na semana encerrada em 5 de junho, ficando abaixo das previsões dos analistas consultados pelo The Wall Street Journal.

Por aqui, apesar da dificuldade vista neste primeiro semestre para estabilizar o fluxo de produção e recebimento de vacinas, as antecipações prometidas no cronograma de imunização, pelos governos federal e paulista, contribui para melhorar a perspectiva para a metade final de 2021, com projeções de inflação, crescimento econômico e relação dívida/PIB tendo sido revisadas a partir de desempenho da atividade, da arrecadação e das contas públicas acima do que se esperava para o primeiro trimestre.

Diante da expectativa de que a vacinação normalize a economia ainda neste ano, o Itaú Unibanco elevou a projeção para o PIB em 2021, de alta de 5,0% para 5,50% - para 2022, vê desaceleração, para 1,80%. O Copom deve elevar a taxa Selic para 6,00% até o fim de 2021, e não mais a 5,50%, de acordo com o Itaú. Em nota, a instituição aponta que a medida é necessária para conter os riscos de propagação da inflação mais alta para o horizonte relevante de política monetária.

Na semana que vem, o Copom volta a deliberar sobre a política monetária brasileira, na mesma quarta-feira em que o Federal Reserve tomará sua decisão. Ainda sobre o tema, hoje, conforme esperado, o Banco Central Europeu (BCE) conservou a direção da política monetária, sem alterações nos estímulos, na medida em que a normalização econômica na zona do euro tem se mostrado mais lenta do que nos Estados Unidos, onde a vacinação tem avançado mais rápido.

O foi positivo para o petróleo, que voltou a bater nos US$ 70 no exterior e também para o minério de ferro, que subiu pela terceira sessão seguida, a US$ 216,84 por tonelada na China. No entanto, o desempenho das ações dos setores foram mistas, com Petrobrás ON e PN ambas em alta de 0,07%, enquanto Vale ON caiu 0,33%, após ser condenada a pagar indenização de R$ 1 milhão por dano moral por trabalhador morto na tragédia de Brumadinho, num total de R$ 137 milhões.

Já a sessão foi positiva para os bancos, com Santander e Bradesco em altas de 0,84% e 0,54% cada. "Os investidores estão colocando na conta aumento acelerado da Selic entre 2021 e 2022, em vista dos últimos dados de inflação: dois setores, bancos e seguradoras, que são teoricamente beneficiados por este movimento", diz Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora.

Na ponta do Ibovespa, destaque absoluto para Embraer, com alta de 15,61%, após a fabricante de aviões confirmar que a subsidiária integral Eve, de mobilidade aérea urbana, iniciou negociações para possível combinação de negócios com a Zanite Acquisition Corp, uma companhia de capital aberto dos Estados Unidos. Na semana, o índice ainda mantém sinal negativo, em baixa de 0,04%, deixando os ganhos do mês a 3,06% e os do ano a 9,29%.

Câmbio

O real teve dificuldade de acompanhar seus pares hoje no mercado internacional. Mesmo com a inflação ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) mais alta que o esperado em maio nos Estados Unidos, o dólar caiu na maioria dos emergentes, mas no mercado doméstico novamente operou volátil. Profissionais das mesas de câmbio destacam que a moeda brasileira teve desempenho bem melhor que outras divisas nas últimas semanas, e agora há um movimento de ajuste, em meio a dificuldade de romper a barreira psicológica dos R$ 5,00.

Na máxima de hoje, a moeda bateu em R$ 5,09. Já o dólar para julho caiu 0,15%, a 5,0655. O Itaú já vê a moeda americana caindo abaixo desse nível, fechando o ano em R$ 4,75. Anteriormente, a estimativa era de R$ 5,30. O fortalecimento do real reflete a melhora da atividade, que ajuda a melhorar os indicadores fiscais, a alta dos preços das commodities e a elevação da taxa básica de juros, destaca relatório do banco.

Em maio, o fundo Verde, do gestor Luis Stuhlberger, teve perdas apostando contra o real, opção que ganha com a alta do dólar, embora tenha tido retorno com as Bolsas, aqui e lá fora, e juros reais, segundo a carta mensal da gestora, que destaca a retomada do crescimento do Brasil em ritmo mais forte que o mercado esperava, mas que poderia ser ainda melhor se a vacinação estivesse mais rápida. "As perdas no mês vieram da posição comprada em dólar contra o real e da posição tomada em juros nos Estados Unidos", ressalta o relatório. /LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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