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Bolsa fecha em alta e recupera os 103 mil pontos; dólar fica a R$ 5,46

Alta nas ações das commodities e bancos, somadas a estímulos nos EUA, favoreceram o índice, mas tensão entre as duas maiores potências pressiona a moeda americana

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2020 | 09h11
Atualizado 10 de agosto de 2020 | 18h27

A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, conseguiu se recuperar nesta segunda-feira, 10, e encerrar com alta de 0,65%, aos 103.444.48 pontos, apoiada pela alta das ações de commodities e bancos, mas também atenta aos estímulos econômicos vindos dos EUA e o aumento das tensões com os chineses. O ambiente favorável, no entanto, não se estendeu ao câmbio e o real teve mais um dia de desvalorização. Com isso, o dólar fechou a R$ 5,4663, uma alta de 0,96%.

O petróleo, principal commodity energética, foi impulsionada nesta segunda pela declaração da maior petroleira do mundo, a Saudi Aramco, de que há sinais de recuperação da demanda. Além disso, também dão suporte às cotações, os estímulos fiscais criados por decreto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após impasse entre republicanos e democratas no Congresso.

Hoje, os contratos futuros do petróleo tiveram um dia positivo - o WTI para setembro, referência no mercado americano, fechou com alta de 1,74%, a US$ 41,94 o barril, já o Brent para outubro, referência no mercado europeu, teve alta de 1,32%, a US$ 44,99 o barril. A notícia favoreceu as ações da Petrobrás, que tiveram alta de 2,90% e 3,39% na PN e ON, respectivamente. Já Vale saltou para 2,89%, apoiada pela alta do minério de ferro na China. 

O setor bancário também ajudou o Ibovespa, principal índice do mercado de ações brasileiro, com Santander fechando em alta de 3,73%, Itaú com ganho de 1,30% e Banco do Brasil subindo 0,94%. Com os resultados de hoje, a Bolsa avança 0,52% em agosto e cede 10,55% no ano.

Também há no radar certo temor com a escalada da tensão entre Estados Unidos e China - vale lembrar que na semana passada, Trump deu mais um passo na sua meta de banir os aplicativos chineses TikTok WeChat. Já nesta segunda, o governo chinês prendeu Jimmy Lai, editor do Apple Daily de Hong Kong, com base na lei de segurança nacional. O jornal é conhecido por ser anti-Pequim. O vice-presidente dos EUA, Mike Pence, disse que a ação é uma ofensa à liberdade.

A tensão impulsionou a onça-troy do ouro para dezembro, que fechou a US$ 2.039,70, uma alta de 0,58%, na New York Mercantile Exchange (Nymex). 

Câmbio

O real operou em baixa nesta segunda e permitiu ao dólar fechar no maior patamar desde maio, no dia que antecede a divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC). Por aqui, o investidor segue atento a possibilidade de novos cortes da Selic, agora a 2%, além do desequilíbrio nas contas do governo com a crescente pressão por mais gastos. A esse cenário, também se soma o aumento das tensões entre as duas maiores potências do mundo. 

Além disso, Durval Corrêa, assessor financeiro da Via Brasil Serviços Empresariais, complementa que, com o cenário de incertezas - com as eleições americanas e as desavenças entre EUA-China, o dólar ainda é o refúgio tradicional para onde estão indo os investidores. "Há uma pressão compradora mais forte, mostrando tomada de posição de retaguarda ainda mais com a questão do déficit fiscal e as questões da reforma tributária, que têm trazido alguma instabilidade no Brasil", diz.

Nas casas de câmbio, o dólar turismo é cotado a R$ 5,70, segundo levantamento do Estadão/Broadcast. Já o dólar para setembro fechou com alta de 0,78%, a R$ 5,4870.

Mercados internacionais

As Bolsas de Nova York ficaram sem sentido único nesta segunda, de olho no aumento das tensões entre EUA-China e refletindo o impasse em torno dos aplicativos chineses. Dow Jones teve alta de 1,30% e S&P 500 subiu 0,27%. O Nasdaq, porém, recuou 0,39%, após a queda de 1,99% da Microsoft com as incertezas em torno da compra do Tik Tok. Já as do Twitter subiram 0,81%, de olho no interesse da rede social em adquirir o aplicativo chinês.

Já no mercado asiático, as tensões foram deixadas temporariamente de lado pelo dado positivo da taxa anual de deflação chinesa - com isso, os índices Xangai Composto e Shenzhen Composto fecharam com ganho de 0,75% e 0,21%. Em outras partes da Ásia, o sul-coreano Kospi subiu 1,48% e o Taiex avançou 0,51% em TaiwanA Bolsa japonesa não operou hoje devido a um feriado nacional e o índice de Hong Kong foi no caminho oposto, encerrando com queda de 0,63%. Na Oceania, a Bolsa australiana avançou 1,76%.

O mercado europeu também colocou em segundo plano as desavenças entre as duas maiores potências para focar apenas nos estímulos liberados nos EUA - a notícia fez o Stoxx 600 subir a 0,30%. A Bolsa de Londres ganhou 0,31%, a de Paris avançou 0,41% e a de Frankfurt teve alta de 0,10%. Já Milão, Madri e Lisboa subiram 0,69%, 1,49% e 0,67% cada./MAIARA SANTIAGO, LUÍS EDUARDO LEAL E SIMONE CAVALCANTI

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