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Dólar cai mais de 2%, a R$ 5,03, e Bolsa vai aos 115 mil pontos com vacina para covid

Posição favorável da Anvisa sobre o uso emergencial das vacinas contra a covid animou o mercado e fez moeda cair no menor patamar desde 12 de junho

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2020 | 09h10
Atualizado 10 de dezembro de 2020 | 19h03

Com o andamento da imunização contra a covid-19 no País, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, fechou com alta de 1,88%, aos 115.128,63 pontos nesta quinta-feira, 10, no maior nível desde 17 de fevereiro. No câmbio, o dólar fechou em forte queda de 2,60%, a R$ 5,0379, menor patamar desde 12 de junho, motivado pelo ambiente local favorável. O resultado veio descolado do mercado acionário de Nova York, que fechou sem sinal único.

Nesta quinta, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou novas regras para o uso emergencial e em caráter experimental das vacinas contra a covid-19. A notícia foi comemorada pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ao dizer que a decisão vai evitar a necessidade de abertura de uma Comissão Parlamentar para investigar as atitudes do órgão. 

Ainda hoje, o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, informou que, quando os estudos finais de eficácia da Coronavac forem concluídos, o imunizante será submetido à Anvisa tanto pelo rito normal de registro de vacinas quanto para uso emergencial. O registro também será protocolado na autoridade sanitária da China. Segundo o governador de São Paulo, João Doria, a vacina já começou a ser produzida pelo instituto.

A expectativa pela vacina é forte porque ela pode ajudar a acelerar o crescimento da atividade, que será prejudicada neste e no próximo trimestre pelo crescimento de casos da covid no País, avalia o economista-chefe do Citi para Brasil, Leonardo Porto. Para ele, a vacinação em solo nacional deve ganhar força a partir do segundo trimestre de 2021. Sobre o câmbio, ele está mais cético e acha que o dólar fecha o ano em nível mais alto que o atual, por conta da tendência do aumento de ruídos políticos da agenda fiscal.

No entanto, acalma a confirmação de que o Senado vai votar no próximo dia 16 a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2021, o que vai garantir que o governo começe janeiro com autorização mínima para executar ao menos as despesas essenciais

Também afetou o câmbio o tom mais conservador do Comitê de Política Monetária (Copom), que deixou a Selic a 2% na última quarta-feira, 9. Além disso, o leilão de swap cambial (venda de dólares no mercado futuro) do Banco Central, que injetou US$ 800 milhões no mercado, ajudou no bom desempenho do real hoje. O dólar para janeiro fechou com forte queda de 2,79%, a R$ 5,0270.

No exterior, o dia também foi de notícias positivas, incluindo a adoção de novos estímulos monetários pelo Banco Central Europeu e a aprovação, na região, um acordo para implantação do orçamento de 1,8 trilhão de euros, que inclui um fundo de recuperação econômica no valor de 750 bilhões de euros, a notícia ajudou a fortalecer o euro e enfraquecer o dólar no exterior.A nte emergentes, porém, o dólar operou misto, subindo no México, Turquia e África do Sul e caindo no Brasil, Polônia e Hungria.

Bolsa

Com a definição sobre a votação da LDO e o andamento da imunização no País, o fluxo externo voltou a ganhar força na Bolsa. "Há, evidentemente, um fluxo de recursos estrangeiros que estava represando esta semana à espera de algumas definições", disse um operador, ressaltando que as ações de primeira linha do setor financeiro, preferidas por este público, mas também ainda bastante descontadas, seguiram com altas fortes. Itaú Unibanco PN avançou 3,31% enquanto Bradesco PN, 4,12%, Banco do Brasil ON, 5,20% e as units do Santander, 2,33%.

Já para Ariovaldo dos Santos, operador da mesa de renda variável da Commcor, o fluxo se dá mais por movimentos e operações próprias do mercado acionário do que propriamente pelo ingresso de dinheiro de não-residentes. "A alta se realimenta, assim como a queda". Hoje, com o Ibovespa chegando a 115.261,71 pontos, na máxima, o giro financeiro, de R$ 42,6 bilhões, foi o maior do mês de dezembro.

O desempenho foi contrário ao visto em Nova York, onde Dow Jones caiu 0,24% e o S&P 500, 0,13%. Já o Nasdaq subiu 0,54% e bateu novo recorde de fechamento. Por lá, a falta de otimismo ante a aprovação de novas medidas de estímulos, após novo impasse entre governo e oposição, pesou no mercado.

A melhora das commodities no exterior também favoreceram a Bolsa. Os contratos futuros de petróleo passaram o dia com ganhos perto de 3% e as ações da Petrobrás estiveram em sintonia, com as preferenciais e as ordinárias fechando a sessão de negócios com ganhos de 3,27% e 3,63%. O minério de ferro, em US$ 156,58 a tonelada, seguiu impulsionando Vale e empresas correlatas, com a mineradora fechando em alta de 2,78%./ SIMONE CAVALCANTI, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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