Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Bolsa sobe 2% e dólar cai a R$ 5,54 com aprovação em 2º turno da PEC Emergencial

Câmara aprovou, nesta quinta, o texto que vai destravar uma nova rodada do auxílio emergencial; medidas de contenção de gastos foram mantidas pelos deputados

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2021 | 09h25
Atualizado 15 de março de 2021 | 12h05

Há exatamente um ano, a Organização Mundial de Saúde (OMS) definiu que o então novo coronavírus configurava pandemia global, levando a Bolsa brasileira (B3), a ter um dos piores desempenhos história. Nesta quinta-feira, 11, no entanto, o Ibovespa avançou 1,96%, aos 114.983,76 pontos, enquanto no câmbio, o dólar fechou em queda de 1,94%, apoiados pela aprovação da PEC que vai destravar uma nova rodada do auxílio emergencial. O bom humor vindo do mercado de Nova York também ajudou.

O texto da PEC Emergencial aprovado pelos deputados, além de desbloquear uma nova rodada do benefício, institui mecanismos de ajuste nas despesas, como congelamento de salários de servidores, quando há elevado comprometimento das finanças de União, Estados e municípios.

"A aprovação do texto-base da PEC Emergencial em segundo turno na Câmara e a promessa do presidente da Casa, Arthur Lira, de que o relatório da reforma tributária será apresentado na próxima semana aliviam o estresse da curva de juros, favorecendo mais um pregão de alta para o Ibovespa", diz Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora.

O enfraquecimento do dólar em meio à progressão da PEC Emergencial e, especialmente, de olho na aprovação do pacote de estímulos fiscais de US$ 1,9 trilhão nos Estados Unidos, deram impulso às ações de commodities, com Petrobrás PN em alta de 4,25%, Vale ON, de 2,62% e CSN, de 9,17%, segunda maior alta do Ibovespa na sessão. Em março, os ganhos do índice chegam a 4,50%, com perda limitada a 0,19% na semana - em 2021, ainda cede 3,39%. Na máxima da sessão, a B3 bateu nos 115,1 mil pontos.

Apesar da aprovação da PEC Emergencial, o cenário doméstico ainda é desafiador. Mesmo com a fraca dinâmica econômica, o IPCA de fevereiro foi o maior para o mês desde 2016, o que reforça a expectativa por aumento de até 0,50 ponto porcentual para a Selic na reunião do Copom na próxima semana, e a pandemia ainda é figurada como campo de batalha entre governo federal, estados e municípios. Hoje, em Brasília, o presidente Jair Bolsonaro sugeriu que a nova rodada de distanciamento social pode resultar, em breve, em invasão de supermercados, greves e fogo em ônibus.

"Para os próximos meses, com a aprovação da PEC Emergencial, vamos precisar observar, com auxílio emergencial em torno de R$ 250, o que esta injeção de recursos na economia vai trazer efetivamente de impacto para a inflação. A gente não imagina que os combustíveis nem a educação, que foram os principais vilões deste mês, contribuam de forma mais forte nos próximos - talvez uma inflação que venha mais dos alimentos, nos próximos meses. Vamos ver como serão as safras, mas a expectativa é por uma inflação muito mais tranquila a partir do mês de março e abril", observa Igo Falcão, sócio da Aplix Investimentos.

Lá fora, os índices Dow Jones e S&P 500 voltaram a renovar máximas históricas durante a sessão, e também no fechamento. Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq sobem 0,58%, 1,04% e 2,25% cada. Apoiou a alta dos índices a aprovação do pacote de estímulos fiscais de US$ 1,9 trilhão nos EUA, que foi sancionado hoje por Joe Biden. A medida é extremamente esperada, já que deve ajudar na recuperação da maior economia do mundo.

Câmbio

O dólar teve novo dia de forte queda, ajudado por novo leilão extraordinário do Banco Central, de US$ 1 bilhão, e exterior positivo, com recuo generalizado da moeda americana no mercado internacional. Nos EUA, o Tesouro americano fez novo megaleilão, de US$ 24 bilhões. As taxas dos títulos de 10 anos chegaram a bater em 1,55% mais cedo, com números melhores que o previsto dos pedidos de auxílio desemprego. Pela tarde, desaceleraram a 1,52%, movimento que ajudou a moeda. O dólar para abril fechou em queda de 2,38%, a R$ 5,5430.

Os estrategistas do Citigroup em Nova York acreditam que o BC seguirá mais ativo no câmbio pela frente, em meio à preocupação da autoridade monetária com o aumento da pressão inflacionária por conta da disparada do dólar. Nas mesas de operação, a dúvida é se o BC anunciará após o fechamento hoje novo leilão extra de swap para esta sexta-feira.

Para o economista sênior de América Latina da Pantheon Macroeconomics, Andres Abadia, a forte piora recente do real, por conta da elevada incerteza política, pode se mostrar temporária, por conta justamente do início do ciclo de alta de juros no Brasil, além do andamento da vacinação no País. Mas ele alerta que a disparada de casos de covid em conjunto com uma vacinação ainda lenta precisam ser monitorados. Além disso, as preocupações fiscais tiveram melhora com o avanço da PEC Emergencial, mas não se dissiparam, mantendo o real ainda sob pressão./ LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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