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Daniel Teixeira/Estadão
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Bolsa fecha em alta de 0,9% com ajuda de Vale, Petrobrás e Eletrobrás; dólar cai

Ações da mineradora subiram 3,5%, enquanto Eletrobrás teve ganho de 6,27%, ajudadas pelo noticiário do setor; no câmbio, novo reajuste da Selic em junho deu força ao real

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2021 | 16h38
Atualizado 11 de maio de 2021 | 18h39

A Bolsa brasileira (B3) fechou em alta de 0,87% , aos 122.964,01 pontos nesta terça-feira, 11, apoiada pela ganho de ações com grande peso no índice, como ValePetrobrás e Eletrobrás. O ganho desses papéis foi fundamental para o bom desempenho da B3, em um dia de forte aversão aos riscos, com os principais mercados internacionais em queda, de olho na alta da inflação. No câmbio, a ata do Copom reforçando uma nova alta dos juros deu força ao real, com o dólar em baixa de  0,18%, cotado em R$ 5,2227.

A última vez que o Ibovespa conseguiu se sustentar no patamar dos 122 mil pontos foi na sexta-feira, 7. Hoje, o índice oscilou mais de 2,5 mil pontos entre a máxima e a mínima intradia. Destaque do dia, as ações da Vale e empresas correlatas surfaram na onda do aumento das commodities e a mineradora encerrou o pregão ganhando 3,51%.

Já as preferenciais e ordinárias de Petrobrás subiram 1,82% e 1,32% cada. O petróleo encerrou a sessão em alta, após um ataque cibernético fechar  um dos maiores gasodutos dos Estados Unidos. O acontecimento impõe barreiras na oferta do insumo, em um momento no qual a demanda ainda está abalada pela pademia.

A Eletrobrás, com papel em alta de 6,27%, também chamou atenção. O salto veio após comentários do ministro das Minas e Energia, Bento Albuquerque, que reforçou hoje que a capitalização da companhia é fundamental para o País. Ontem à noite, à TV Brasil, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), disse que apoia o avanço da pauta de privatizações no Congresso, ainda que não tenha feito comentário sobre nenhuma empresa em específico.

"Foi o que fez segurar o índice em contraposição aos pares em Nova York", disse Antônio Duarte Jr, sócio da Aplix Investimentos. Em Wall Street, o Dow Jones recuou 1,36% e o S&P 500, 0,87%. Além de Nova York, os índices da Europa e da Ásia também caíram, ante o temor de que a inflação volte a subir com força nas economias de todo o mundo.

"Há uma incerteza maior por conta da expectativa de alta da inflação. O aumento da cotação das commodities continua acontecendo e isso puxa preço de alimentos e preços de produtos industriais para cima", diz o especialista da Aplix Investimentos, ressaltando que esse risco inflacionário está ocorrendo tanto nos países emergentes quanto desenvolvidos. E, completa, uma das formas tem de conter o movimento é elevando as taxas de juros, com isso, o mercado acionário sempre fica um pouco menos atrativo.

Nesse cenário, os investidores temem que a alta da inflação resulte em um aperto das políticas monetárias pró-estímulos adotadas pelos bancos centrais, como o Federal Reserve (Fed, o banco central americano). A entidade monetária já sinalizou que uma alteração em sua política não deve acontecer tão cedo, mas alguns dirigentes já defendem mudanças ainda para este ano.

Aqui no Brasil, hoje, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou abril com alta de 0,31% ante avanço de 0,93% em março. Em 12 meses, o resultado foi de 6,76%, dentro das projeções dos analistas, que iam de 6,68% a 6,89%, com mediana de 6,73%.

Câmbio

O dólar também ficou atento ao avanço da inflação no mundo, principalmente após a ata do Copom sinalizar nova alta de juros em junho, mas reforçando a visão de ajuste parcial na Selic. Em resposta, a moeda chegou a cair a R$ 5,20. Hoje, a divisa caiu ante pares fortes, mas subiu em relação a alguns emergentes, como o México, refletindo a alta dos rendimentos dos papéis do Tesouro americano.

O estrategista de moedas do banco Brown Brothers Harriman (BBH), Ilan Solot, destaca que há um emaranhado de fatores afetando os ativos locais, alguns positivos, outros negativos. Entre eles, a pandemia dá sinais de melhora, mas ao mesmo tempo a CPI da covid-19 no Senado inspira cautela. Os juros estão em alta pelo Banco Central, mas o cenário fiscal exige atenção e permanece como peça essencial a ser ajustada na economia brasileira.

Ainda é cedo para afirmar, mas a própria valorização recente do real, caso dure, pode ajudar a tornar o ciclo de alta da Selic mais curto, avalia Solot.  Na ata de hoje, a visão de normalização parcial da taxa de juros prevaleceu, comenta o economista-chefe do Goldman Sachs para América Latina, Alberto Ramos, em relatório. Ele prevê nova elevação de 0,75 ponto porcentual em junho e a Selic indo a 5,25% ao final do ano. /SIMONE CAVALCANTI, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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