Amanda Perobelli/Reuters
Amanda Perobelli/Reuters

Bolsa cai, mas consegue se manter aos 129 mil pontos com ajuda da Vale; dólar sobe 1,1%

Papéis da mineradora avançaram 2,24%, na esteira da alta do minério de ferro; investidores já demonstram cautela antes das reuniões dos bancos centrais do Brasil e Estados Unidos, na semana que vem

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2021 | 14h32
Atualizado 11 de junho de 2021 | 18h17

Após emendar dois fechamentos em alta, a Bolsa brasileira (B3) fechou em queda de 0,49%, aos 129.441,03 pontos nesta sexta-feira, 10. Os ganhos do pregão foram contidos pela valorização de ações da Vale, em resposta à alta do preço do minério de ferro na China. Hoje, entre os investidores, predominou o clima de cautela antes das reuniões dos bancos centrais do Brasil e Estados Unidos, já na semana que vem. No câmbio, o dólar voltou a subir ante o real, e encerrou em alta de 1,12%, cotado a 5,1227, também à espera das decisões.

Na semana que chega agora ao fim, tanto o IPCA a 0,83% em maio, no maior nível para o mês em 25 anos, como o índice de preços ao consumidor americano (CPI, na sigla em inglês) a 5% ao ano, maior nível desde 2008, mantiveram a inflação, aqui e nos EUA, entre os fatores de consideração central para o mercado - o que ganha peso com a proximidade de novas deliberações e sinalizações sobre juros, aqui e lá fora.

"Todos os olhos estão voltados para a reunião do Fed [Federal Reserve, o banco central americano]", diz o economista de mercados da consultoria inglesa Capital Economics, Jonathan Petersen. Ele não espera anúncios de mudanças na política monetária na reunião, que termina na quarta-feira, 16. Mas a expectativa é sobre a avaliação da inflação dos dirigentes à luz dos novos números de maio e alguma sinalização sobre o processo de redução de compras de títulos públicos.

Para o Brasil, Petersen projeta elevação da taxa Selic pelo Banco Central em 0,75 ponto porcentual e sinalização de nova alta em agosto, da mesma magnitude, na medida em que a seca no país é pressão adicional para os índices de preços.

"A semana foi cansativa para o mercado, com inflação elevada e eventos corporativos que não contribuíram para que se entrasse em novas aventuras", vindo o Ibovespa de renovação de recordes de fechamento por seis pregões consecutivos, aponta Pedro Paulo Silveira o gestor da Nova Futura Investimentos. O principal índice da Bolsa brasileira fecha a semana em queda de 0,53%, vindo de ganhos de 3,64%, 2,42% e 0,58% nas três anteriores. Em junho, o índice da B3 avança 2,56%, com ganho a 8,76% no ano.

"O Ibovespa está diante de uma resistência gráfica, de 132 mil pontos, e é preciso ver agora para onde vai, porque muita coisa positiva, de dados econômicos, já foi para o preço, como as vendas do varejo, o PIB. É preciso de um fato novo, quem sabe, sobre as reformas", diz Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença.

Em dia no qual a Petrobrás anunciou, a partir de amanhã, redução de 5 centavos no litro da gasolina - em momento no qual os contratos do petróleo no exterior já são negociado acima de US$ 72 por barril, as ações PN e ON da empresa encerraram a sessão em baixa de 0,38% e 0,78%, respectivamente. Também em baixa, o setor bancário, de maior peso na composição o índice, realizou lucros, com Bradesco em baixa de 1,28%.

No lado positivo, a alta de 2,24% de Vale ON foi essencial para o resultado positivo do Ibovespa, na esteira da alta do minério de ferro na China, cuja valorização ficou em 5,7% no acumulado da semana. O resultado apoiou o ganho de outras ações ligadas à commodity, com Gerdau PN, UsiminasCSN com ganhos de 2,64%, 0,43% e 1,49% cada.

Câmbio

O dólar fechou a sexta-feira em alta, acumulando valorização de 1,73% na semana, a maior desde 21 de março. A elevação põe fim a duas semanas consecutivas de baixas, que levou a moeda americana para bem perto de R$ 5,00. O dólar para julho fechou em alta de 1,23%, a R$ 5,1280. Também no aguardo das reuniões de política monetária, a moeda ganhou força hoje no mercado internacional, de forma quase que generalizada. Em meio à cautela, investidores voltaram a recompor parte das posições contra o real na B3, tipo de contrato em que se ganha com a alta do dólar.

"O dólar está terminando a semana mais forte em relação a maioria das moedas", diz Jonathan Petersen, da inglesa Capital Economics, ressaltando a preocupação dos investidores com a inflação nos EUA. A consultoria fala em dólar a R$ 5,50 no final do ano. Para Fernanda Consorte, economista-chefe do Banco Ourinvest, o cenário permanece "desafiador", de forma que o mais provável é que o dólar encerre o ano acima de R$ 5. "Não contaria com a bonança das últimas semanas como uma tendência. Achamos mais provável o dólar chegar ao final deste ano perto de R$ 5,2 do que abaixo de R$ 5", acrescenta a economista.

O analista de moedas do banco canadense CBIC, Luis Hurtado, também vê o real com dificuldade de se sustentar nos níveis atuais. As reformas - administrativa e tributária - têm mostrado algum progresso, assim como a atividade econômica, o que é positivo para a moeda brasileira. Ao mesmo tempo, o risco fiscal, embora tenha se reduzido por ora, persiste e deve voltar a crescer com pressão para mais gastos sociais do governo. Ele espera a moeda americana a R$ 5,30 ao final do ano. /LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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