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Bolsa realiza lucros e fecha com leve queda, enquanto dólar fecha a R$ 5,41

Ruídos políticos no mercado doméstico e falta de novidades na agenda fiscal do governo limitaram os ganhos do Ibovespa, que acumulava seis altas seguidas

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2020 | 09h08
Atualizado 11 de novembro de 2020 | 18h49

O aumento de ruídos políticos no mercado doméstico e a falta de novidades na agenda fiscal do governo limitaram os ganhos do mercado brasileiro nesta quarta-feira, 11, que realizou lucros após seis altas seguidas. O clima mais fraco no mercado de Nova York, com os índices sem sentido único, também tiraram a força da Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, que fechou com leve queda de 0,25%, aos 104.808,03 mil pontos. No câmbio, o dólar fechou em alta de 0,43%, a R$ 5,4164.

O cenário de fundo desde a definição da eleição americana, no sábado, e o anúncio da eficácia acima de 90% em teste clínico de fase 3 na vacina desenvolvida por Pfizer e BioNTech permanece positivo, não apenas para as maiores economias, mas também para as emergentes. Aqui, contudo, o mercado continua atento a sinais sobre a situação fiscal e o que será endereçado para 2021, de forma a melhorar a percepção sobre as contas públicas. 

 

A expectativa era de que a chegada de Joe Biden à Casa Branca em 20 de janeiro resultaria em ajuste de rota na política externa brasileira - mas não foi o que se viu até o momento, pelo contrário. O silêncio prolongado do presidente Jair Bolsonaro sobre o resultado da eleição americana e o recurso à dicotomia "saliva-pólvora" no enfrentamento de pressão internacional sobre a política ambiental acendem a luz amarela de que mais ruídos estejam a caminho. Ao contrário do pragmatismo que se viu na aproximação do governo ao Centrão, o cenário que se teme é de acirramento da retórica e mobilização virtual dos seguidores-raiz, que talvez tenha sido ensaiada na confusão lançada sobre a vacina chinesa.

"O que volta agora é o maldito ruído, a sensação de que o governo parece perdido. O governo não tem dado os sinais que se esperam e o mercado começa então a questionar, especialmente quando autoridades passam a falar em inflação", observa Jason Vieira, economista chefe da Infinity Asset. "É preciso chegar a 2021 com tudo bem encaminhado, e não temos nem mesmo Orçamento definido, o que falar de achar fonte para fazer o Renda Cidadã. Daqui até lá teremos um período muito difícil, uma vez esfriado este entusiasmo natural que vemos agora, passada a eleição americana e o sinal sobre vacina", diz.

Nesse cenário, as ações de bancos e Petrobrás, que haviam sido o principal dínamo para o Ibovespa nas últimas sessões, passaram por leve ajuste nesta quarta, bem discreto se considerado o ganho dos últimos dias. Hoje, Petrobrás PN e ON fecharam respectivamente em baixa de 0,87% e 0,08%. Entre os grandes bancos, as perdas se disseminaram moderadamente hoje, à exceção de Bradesco ON, com 0,18%.

Via Varejo fechou em alta de 5,61%, à frente de BTG Pactual, com 5,32% e Marfrig, com 3,03%. No lado oposto, Ultrapar cedeu 6,82%, seguida por Braskem, com 6,57%. No mês, o Ibovespa acumula até aqui alta de 11,56%, com avanço de 3,85% na semana - em 2020, cede 9,37%. Em Nova York, Dow Jones caiu 0,08%, enquanto S&P 500 e Nasdaq subiram 0,77% e 2,01% com a alta das ações de tecnologia.

Câmbio

O dólar teve a terceira sessão seguida marcada por forte volatilidade, mas após idas e vindas vem se estabilizando esta semana na casa dos R$ 5,40. O Brasil tem recebido fluxo importante de capital externo pelo canal financeiro, que somou US$ 1,255 bilhão só este mês, até o dia 6, de acordo com o Banco Central. É um movimento que foi descrito hoje pelo Morgan Stanley como o de investidores procurando tudo o que conseguem comprar de mercados emergentes após a definição da eleição americana e resultados positivos da vacina contra o coronavírus da Pfizer. Mas, após ajuste inicial, o real tem resistido a mostrar apreciação maior, por conta dos riscos

No mercado futuro, o dólar com vencimento em dezembro recuou 0,48%, a R$ 5,3940. O giro de negócios foi o menor da semana, somando US$ 13,5 bilhões.

Para os estrategistas do banco americano Morgan Stanley, com a forte liquidez externa e a redução da incerteza em dois fronts importantes - as eleições americanas e a vacina sobre o coronavírus -, o rali nos ativos de emergentes deve continuar até ao menos o primeiro trimestre de 2021, especialmente na América Latina. Na região, o banco está comprado, ou seja, apostando na valorização de uma cesta de moedas formada pelo real, peso mexicano e peso colombiano contra o euro e o dólar.

Mas até que saiam mais detalhes da agenda fiscal e o Orçamento do governo para 2021, o que não deve ocorrer este mês, por conta das eleições municipais, a tendência é de real mais depreciado e câmbio volátil. O estrategista-chefe da gestora TAG Investimentos, Dan Kawa, reafirma estar convicto de que o mercado "não mais dará o benefício da dúvida" ao País. Assim, na ausência de reformas, os ativos locais irão operar com mais prêmio e não terão capacidade de seguir as tendências mais positivas globais./LUÍS EDUARDO LEAL, MAIARA SANTIAGO E ALTAMIRO SILVA JÚNIOR

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