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Bolsa fecha estável, aos 115 mil pontos, mas dólar sobe a R$ 5,04

Movimento mais forte de compra por parte dos investidores ajudou o Ibovespa a subir no meio da tarde, mas no final do pregão, índice zerou os ganhos

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2020 | 09h13
Atualizado 11 de dezembro de 2020 | 19h21

Com um movimento mais forte de compra por parte dos investidores no final do pregão, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, inverteu o sinal nesta sexta-feira, 11, e chegou a ter leve alta, mas acabou fechando estável (0%), aos 115.128,00 pontos, mesmo patamar de fevereiro. No câmbio, as incertezas ante a aprovação de novas medidas de incentivo nos Estados Unidos pesaram no dólar, que encerrou com leve alta de 0,16%, a R$ 5,0461.

Com o final da segunda semana de dezembro, o Ibovespa acumula ganhos de 5,73% no mês, mas a forte realização de lucros acabou se sobrepondo ao clima de compras e impediu que o índice terminasse em alta. Momentos antes de fechar, chegou a ajudar o discurso do ministro da Economia, Paulo Guedes, que pediu a aprovação de reformas e voltou a repetir que tudo que será feito vai respeitar o teto de gastos. Ele disse ainda ser possível reduzir o déficit público de 3% para 2% do Produto Interno Bruto (PIB).

No entanto, logo após, o discurso do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEMRJ), fez os investidores tirarem o pé do acelerador. Ele afirmou que a reforma tributária está pronta, tem voto, mas não vai ser votada por causa de briga política. Também criticou o adiamento da votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) Emergencial. O presidente da Câmara ainda afirmou que o governo "quer usina em venda da Eletrobrás e o modelo está sob suspeição, por isso, não anda".

Hoje, as ações do setor financeiro ajudaram a sustentar a alta, mesmo que tímida. Banco do Brasil ON andou 1,74% enquanto as units do Santander ganharam 1,16%. E, durante todo o dia, o destaque foi para as ações da Eletrobrás após o líder do governo no Congresso, senador Eduardo Gomes (MDB-TO) defender que a desestatização da companhia será um dos temas prioritários em 2021 e há perspectivas concretas para a votação.

"Hoje o mercado passou o dia realizando uma alta", avaliou Luiz Mariano De Rosa sócio da Improve Investimentos, lembrando que após ganhos de 1,88% no índice na véspera é natural se esperar um recuo. "Mas as vendas não foram significativas apesar de já estarmos situados nos níveis que antecederam a grande queda."

Internamente o fator de destaque foi a notícia de que o relatório da PEC emergencial vai ficar para 2021, sendo que havia expectativas de que esse texto fosse apresentado hoje. "Uma parte do mercado não esperava novas definições esse ano, mas, depois do desconforto causado pelo vazamento de informações de que supostamente o texto tiraria do teto de gastos despesas financiadas com receita desvinculada, os investidores esperavam ansiosamente por algum tipo de confirmação ou segurança de que o teto está mantido", afirmou Paula Zogbi, analista da Rico Investimentos.

Nos Estados Unidos, onde ainda perpetuam incertezas com relação ao novo pacote de estímulos à economia americana, deixando os índices acionários sem sentido único. Nesta sexta, governo e oposição continuam sem conseguir fechar um acordo. Em resposta, S&P 500 e o Nasdaq caíram 0,13% e 0,23% cada. O Dow Jones subiu 0,16%, com a ajuda do salto de 15% das ações da Disney, após a gigante apresentar uma série de novidades para o seu serviço de streaming, o Disney+, que já soma 137 milhões de assinantes.

Câmbio

O dólar subiu nesta sexta-feira, mas fechou a semana acumulando queda de 1,5%, a quarta seguida de perdas. Com isso, a moeda americana testou no Brasil os menores valores desde 12 de junho. Profissionais das mesas de câmbio seguem mencionando que a forte entrada de fluxo externo continua contribuindo para valorizar o real, além da maior atuação do Banco Central, mas

o desconforto fiscal voltou ao foco hoje após o adiamento da PEC Emergencial para 2021.

Em dezembro, o dólar acumula queda de 5,6%, mas no ano, ainda sobe 26%. Cálculos do economista do Instituto Internacional de Finanças (IIF), Robin Brooks, é de que o real ainda está subvalorizado em 20%, a moeda mais depreciada globalmente. Um dos fatores que contribui para isso é o risco fiscal. No mercado futuro, o dólar para janeiro fechou em alta de 0,78%, a R$ 5,0660.

A economista-chefe da Armor Capital, Andrea Damico, destaca que o Brasil continua se aproveitando da onda favorável no mercado externo, que vem desde a decisão da eleição americana e ganhou reforço das notícias positivas das vacinas contra o coronavírus. Agora são os Estados Unidos que vão dar início a vacinação dos grupos de risco. "Estamos vendo este fluxo forte para emergentes e tem um movimento de dólar fraco no exterior", disse ela.

Os estrangeiros começaram a segunda-feira com saldo comprado (apostando na alta da moeda americana) em 78 mil contratos em dólar futuro, o equivalente a US$ 3,9 bilhões. Ontem, estavam vendidos em 5,6 mil contratos, ou seja, passaram a apostar na queda do dólar, em montante que somava US$ 280 milhões. Em um único dia, na quarta-feira, venderam 45 mil contratos, zerando a posição comprada. Os dados são da B3 em relatório da corretora Renascença, que monitora diariamente este mercado./ SIMONE CAVALCANTI, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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