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Dólar recua mais de 3% e Bolsa tem leve ganho, com dia fraco no exterior

Moeda americana realizou lucros e teve maior recuo porcentual desde junho, a R$ 5,32, enquanto o Ibovespa fechou com alta modesta de 0,60%

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de janeiro de 2021 | 09h11
Atualizado 12 de janeiro de 2021 | 19h10

O dólar fechou em forte queda de 3,29%, nesta terça-feira, 12, a R$ 5,3226, em um dia de recuo também no exterior, no qual a moeda aproveitou para devolver parte das altas recentes. Com isso, a moeda teve hoje seu maior recuo porcentual desde junho. Já a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, teve um pregão sem muita firmeza, em sintonia com Nova York, terminando com alta de 0,60%, aos 123.998,00 pontos. 

Se ontem a moeda brasileira foi uma das divisas com pior desempenho internacional ante o dólar, hoje ficou na ponta oposta, com melhor performance. O dólar devolveu parte dos ganhos recentes ante moedas fortes e nos emergentes, em dia de noticiário morno e, que no Brasil, teve como destaque a alta do IPCA de dezembro e de 2020, mostrando aceleração da inflação e aquecendo o debate sobre a volta da alta de juros no País.

A moeda americana teve hoje a maior queda porcentual desde 2 de junho de 2020, quando recuou 3,34%, então com a expectativa pela reabertura das economias. No mercado futuro, o dólar para fevereiro teve baixa de 3%, a R$ 5,3290. O giro seguiu na casa dos US$ 15 bilhões, mais fraco que na semana passada, com média de US$ 18 bilhões.

O chefe da mesa de câmbio da Terra Investimentos, Vanei Nagem, ressalta que não houve mudanças no cenário de ontem para hoje, com o foco seguindo nos casos de covid e na vacinação, mas o humor dos participantes do mercado melhorou. "Houve um pouco de exagero ontem", disse ele. Há ainda, destaca Nagem, a perspectiva de que o Brasil continue recebendo fluxo externo, por conta da liquidez sem precedentes no mercado internacional.

Com a aceleração da inflação, o gestor e ex-diretor do Banco Central, Sergio Goldenstein, escreveu em seu Twitter hoje que os juros deveriam voltar a subir "em março ou maio", o que deve aliviar, caso não ocorram mais surpresas fiscais negativas, as pressões no câmbio. Ele observa que o juro real no Brasil está mais negativo que na Suíça, o que vem gerando distorções importantes no câmbio. "O real depreciou 30%, com performance relativa pior do que seus pares, mesmo com o BC tendo vendido cerca de US$ 60 bi em reservas e swaps cambial."

"O Brasil se acostumou a conviver com diferencial de juros alto ou muito alto, sendo consistentemente um dos três mais altos do mundo", disse o diretor de Política Monetária do BC, Bruno Serra, em evento da XP hoje. Ele acrescentou que nenhum país com classificação de risco 'BB' pratica hoje taxa de juros de 2% ao ano, como o Brasil. Para ele, no longo prazo, o câmbio tende a voltar a uma situação de maior normalidade por questões estruturais.

Já no exterior, as taxas de retornos dos Treasuries americanos (papéis da dívida dos EUA), que vinham pressionando o dólar, tiveram novo dia de alta hoje, com a curva a termo americana voltando a se inclinar. Mas hoje sem pressionar a moeda americana. Após quatro dias de alta, o índice DXY, que mede o dólar ante divisas fortes, como euro e libra, caiu hoje a 90,053 na mínima e os estrategistas de moedas do Brown Brothers Harriman (BBH) avaliam que o índice pode voltar a buscar as mínimas, na casa dos 88 pontos.

Bolsa

O enfraquecimento do dólar nesta terça-feira contribuiu para que o Ibovespa sustentasse ganho na sessão, recuperando a linha de 124 mil pontos nos melhores momentos do dia, em variação superior à observada nos índices de Nova York. Assim como ontem, o giro financeiro se mostrou um pouco mais acomodado do que o observado entre quarta e sexta passadas, quando o índice renovou máximas históricas. Nesta terça, o volume foi de R$ 37,2 bilhões e, no ano, a Bolsa  avança 4,18%, com perda de 0,86% nesta semana. Nos EUA, Nasdaq fechou com alta de 0,28%. Dow Jones e S&P 500 subiram 0,19% e 0,04% cada. 

"Recuperando-se do processo de realização de ontem (quando fechou em queda de 1,46%), o Ibovespa voltou para a faixa de 124 mil pontos, com os bancos, mas foi o dólar que mais chamou atenção nesta terça - e sem uma forte intervenção do Banco Central", diz Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora.

O desempenho moderadamente positivo das ações de bancos (Santander, com alta de 1,01% e Itaú PN, com 0,31%) foi o contraponto à realização em Vale ON, em baixa de 2,74% e ao desempenho negativo em Petrobrás PN e ON, com perdas de 0,75% e 0,35%, e no setor de siderurgia, à exceção de CSN, com alta de 0,45%). Embraer segurou a ponta positiva do Ibovespa, em alta de 7,90%, seguida por Carrefour, com 6,05%. No lado oposto, Intermédica caiu 2,74% e Gerdau PN, 2,76%.

No cenário internacional, Alex Lima, head de gestão da Lifetime Asset Management , disse que os primeiros dias de governo Biden serão monitorados de perto pelos investidores, após as cenas de extremismo observadas na semana passada no Capitólio. "A 'onda azul' é positiva, mas é preciso estar atento a novos conflitos no início do governo", acrescenta.

Lima diz ainda que mantém perspectiva "neutra" para Bolsa, tendo em vista, por um lado, as incertezas no cenário macro e o valuation - caro neste começo de ano -, e, por outro, a perspectiva de lucros melhores em 2021 - em recuperação contudo desigual entre setores - e o fluxo, que se mantém muito favorável. "Nossa expectativa é de Ibovespa a 140 mil no fim do ano, mas nesses primeiros dias o índice já andou muito em relação ao alvo."/ ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, LUÍS EDUARDO LEAL E MAIARA SANTIAGO

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