Amanda Perobelli/Reuters
Amanda Perobelli/Reuters

Bolsa sobe 0,1% e dólar cai 0,3%, apesar de temor com cenário fiscal do País

Mercado monitorou o impasse em torno da volta do auxílio emergencial, principalmente ante a falta de respostas do governo de como o benefício será financiado

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2021 | 09h15
Atualizado 12 de fevereiro de 2021 | 19h06

Bolsa brasileira fechou em leve alta de 0,11%, aos 119.428,72 pontos nesta sexta-feira, 12, mas ainda de olho na movimentação do governo em torno da volta do auxílio emergencial, tema que causa preocupação devido ao risco fiscal que acompanha uma nova rodada do benefício. A esse cenário, também se soma a cautela antes de feriados que vão os mercados daqui e de Nova York. No câmbio, porém, o dólar se descolou um pouco da questão fiscal e teve leve queda de 0,26%, cotado a R$ 5,3742.

A frustração do mercado brasileiro se intensificou, com a Bolsa brasileira invertendo o sinal, após as declarações do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), do ministro da Economia, Paulo Guedes, e do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Eles voltaram a apoiar a continuidade do auxílio emergencial, mas não deram detalhes mais concretos de como operacionalizar o benefício.

"Tudo bem que disseram que vão liberar o benefício, mas o mercado quer detalhes de onde sairão os recursos, como acomodará isso no orçamento", afirma o gestor da Ouro Preto Investimentos, Bruno Takeo. Lira falou em "compromisso com reformas" e Pacheco disse que as prioridades "absolutas" são o auxílio e as vacinas. "A PEC do pacto federativo poderá ter cláusula de calamidade para auxílio", disse Pacheco.

"Somente com o fortalecimento do arcabouço fiscal seria plausível estender o auxílio emergencial e ao mesmo tempo garantir a retomada consistente da economia com juros baixos", aponta o ASA Investments, em nota sobre o cenário macro, na qual defende aprovação da PEC Emergencial e da reforma administrativa para que se elimine incerteza sobre a "trajetória futura do gasto público".

Segundo apurou o Estadão, o governo trabalha com valor de R$ 250 para parcelas entre março e junho, com custo estimado em R$ 30 bilhões. Os economistas esperavam R$ 200 em três parcelas. As contrapartidas de cortes de despesas e renúncias fiscais virão em duas Propostas de Emenda Constitucional (PECs), a PEC de guerra, que deve sair na primeira semana de março, e a segunda com medidas mais duras de corte de despesas, com o objetivo de sustentar a sobrevivência do teto de gastos até 2026 e que pode ser aprovada até junho.

"Existia expectativa de que as coisas pudessem andar de maneira mais rápida, mas não estão. O problema não é falta de dinheiro, e sim de planejamento. Não discutem as questões em si, apenas lançam as ideias. É preciso ter amadurecimento desses debates, o mercado espera clareza", afirma o economista-chefe da Necton, André Perfeito.

Pesquisa Exame/Ideia divulgada hoje indica que 66% dos brasileiros acreditam que o auxílio emergencial estará de volta neste semestre, enquanto 19% esperam que o benefício virá depois de junho. Ontem, o presidente Jair Bolsonaro disse que o governo estuda a retomada do benefício a partir de março, em três ou quatro parcelas. A pesquisa foi realizada com 1.200 pessoas, com margem de erro de 3 pontos percentuais, para cima ou para baixo.

Além das conversas sobre a retomada do auxílio, uma série de resultados trimestrais, como os de Banco do Brasil ON, hoje em queda de 0,56% e Lojas Renner ON, em alta de 1,29%, também contribuiu para dar orientação aos negócios nesta sexta-feira. Na ponta do Ibovespa, CVC fechou em alta de 5,57%, à frente de Braskem, com 3,03%. Entre as ações de maior peso, Petrobrás PN subiu 1,28% e Vale ON teve alta de 0,85%. O índice fecha a semana com ajuste negativo de 0,67% nesta semana, com ganho de 3,79% no mês.

Em Nova York, os índices realizaram lucros, mas fecharam com recordes históricos. O Dow Jones subiu 0,09%, o S&P 500 avançou 0,39% e o Nasdaq registrou ganhos de 0,57%.

Câmbio

Sem detalhes concretos de como o governo pretende reeditar e bancar o programa de auxílio emergencial, o real operou descolado de seus pares no exterior nos últimos dias, mesmo com certo alívio trazido por fluxos de ofertas de ações na Bolsa. O dólar teve uma semana de volatilidade forte no mercado doméstico, não conseguindo firmar tendência. Com isso, acumulou leve queda de 0,21% nos últimos 5 dias, oscilando na casa dos R$ 5,30 a R$ 5,45. O dólar para março fechou com alta de 0,09%, a R$ 5,3735.

Como bancos e a Bolsa estarão fechados na segunda e terça-feira de carnaval, além de ser feriado nos Estados Unidos na segunda, as mesas de câmbio já embutiram na cotação desta sexta a tradicional cautela antes de feriados, com algumas operações de exportadores e tesourarias sendo antecipadas para hoje. Mas o grande tema para o mercado é a situação fiscal do Brasil, que parece não dar mostras de ficar mais clara.

O economista-chefe da XP Asset, Fernando Genta, argumenta que a moeda brasileira segue muita atrás de outros emergentes, até de países como a África do Sul, com endividamento alto e sem sinal de ajuste fiscal. Mesmo assim, no ano, o dólar sobe 3,6% ante o real, enquanto cai 0,72% perante o rand. Para ele, se o Banco Central voltar a subir os juros, levando a Selic para um patamar ao redor de 4% até o final do ano, o real pode ter alguma melhora.

Nesta sexta-feira, a precificação da abertura de capital (IPO, na sigla em inglês) da CSN Mineração, que movimentou R$ 4,5 bilhões, sem considerar os lotes extras, ajudou a retirar um pouco de pressão do câmbio hoje, na medida que parte importante dos papéis ficou com estrangeiros./ LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.