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Bolsa recua 2,2% e dólar vai a R$ 5,47 com aversão ao risco vinda do exterior

Temor com segunda onda do coronavírus nos EUA e na Europa, além da ausência de estímulos fiscais na economia americana, pesaram no mercado nesta quinta

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2020 | 09h06
Atualizado 12 de novembro de 2020 | 19h11

A aversão aos riscos vinda do exterior pesou na Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, que fechou em queda de 2,20%, aos 102.507,01 pontos nesta quinta-feira, 12. No câmbio, o dólar também foi afetado e terminou com alta de 1,14%, a R$ 5,4782. Hoje, o temor com o avanço da segunda onda da covid-19 nos Estados Unidos e da Europa, após a euforia causada pela chance de uma vacina, pesou nos negócios. Além disso, a falta de estímulos na economia americana também preocupa.

"Os ativos deram uma pausa hoje", afirmam os estrategistas da LPL Financial, ressaltando que os resultados da vacina da Pfizer trouxeram alívio, mas os casos de covid-19 continuam a crescer em ritmo acelerado. Os EUA registraram na última quarta-feira, 11, 144 mil novos casos da doença, enquanto a Alemanha teve nova máxima, com mais de 18 mil infectados ontem.

 

Na Europa, a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, disse que a vacina para a covid-19 é uma boa notícia, mas recomendou cautela sobre o tema, ao lembrar incertezas como a logística de aplicação do imunizante. Já o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell, mencionou que por conta da pandemia, os próximos meses devem ser difíceis para a economia americana, que segue sem perspectiva de novos estímulos.

Na Europa, as Bolsas de Londres, Frankfurt e Paris caíram 0,68%, 1,24% e 1,52% cada, após a forte alta vista nos últimos dias. Em Nova YorkDow Jones, S&P 500 e Nasdaq  recuaram 1,08%, 1,00% e 0,65% cada.

Nos últimos dias, problemas técnicos desorganizaram a contagem de casos no País, dificultando o monitoramento da doença em momento em que os contatos sociais tendem a aumentar, com a aproximação do verão e das celebrações de fim de ano. Relatos de que internações por covid voltaram a crescer, especialmente na rede particular de saúde, também contribuem para alimentar o temor de que a situação se agrave.

Nesse aspecto, o ministro da Economia, Paulo Guedes, se comprometeu com a prorrogação do auxílio emergencial caso haja uma segunda onda de coronavírus também por aqui. No entanto, a possibilidade deixou a situação fiscal do País para 2021 ainda mais indefinida e incerta.

"O que prevaleceu hoje foi o lado fiscal, a falta de definição de como ficará a situação para o consumidor em 2021, ainda sem que se saiba do auxílio. Há muitas indefinições também no exterior, com a segunda onda de covid na Europa e esta dificuldade na transição americana, que deve atrasar o pacote fiscal nos EUA", diz Ari Santos, operador de renda variável da Commcor.

No Ibovespa, as ações PN e ON da Petrobrás realizaram lucros e caíram 4,24% e 4,11% cada, enquanto Vale ON cedeu 1,46%. No setor financeiro, Itaú PN e Banco do Brasil ON perderam 2,44% e 4,19%, respectivamente. Azul cedeu hoje 6,38%, à frente de Gol, com 5,92% e Via Varejo, com 5,73%. No mês, a Bolsa sobe 9,11%, mas ainda cede 11,36% no ano.

Câmbio

O dólar firmou alta nos negócios da tarde, após operar com forte volatilidade pelo quarto dia seguido. O clima de aversão ao risco predominou no exterior, o que acabou penalizando as moedas de emergentes. No Brasil, a falta de novidades sobre o ajuste fiscal e ainda a chance de prorrogação do auxílio emergencial, pressionaram o câmbio. Com isso, o real voltou a ganhar o posto de pior desempenho ante o dólar no mercado internacional. No mercado futuro, o dólar com vencimento em dezembro fechou em alta de 1,26%, a R$ 5,4620. 

"Congresso em ritmo de eleição acentua fragilidade fiscal", destaca o título da carta mensal da gestora Franklin Templeton, assinada pelo estrategista-chefe de renda fixa e multimercados da gestora, Renato Pascon. Para ele, o impasse sobre como financiar novos programas sociais do governo segue como principal motivo do desempenho ruim dos ativos brasileiros e do real. Até agora, o governo só mostrou fontes de financiamento consideradas heterodoxas e passíveis de furar o teto de gastos em 2021, alerta o gestor.

Nesta quinta-feira, o dólar subiu ante a maioria dos emergentes, em meio a alertas do presidente do Fed. A piora do real só não foi maior ontem e hoje porque investidores estrangeiros reduziram as posições compradas em dólar futuro (que ganham com a alta da divisa americana), em meio à visão de que a divisa dos EUA tende a se enfraquecer pela frente e a ajustes pela entrada de capital no País, segundo um gestor de recursos./LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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