Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Bolsa realiza lucros e fecha em queda de 1,7%; dólar cai a R$ 5,31

Avanço do coronavírus no mundo volta a preocupar o investidor tanto aqui no exterior, já que pode resultar em medidas de isolamento mais duras

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2021 | 12h45
Atualizado 13 de janeiro de 2021 | 19h07

A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, voltou a realizar lucros nesta quarta-feira, 13, em um dia misto também para os mercados no exterior, ante o novo avanço do coronavírus no mundo. Nesse cenário, o índice da B3 terminou o dia com queda de 1,67%, aos 121.933,08 pontos. No câmbio, o dólar voltou a ter uma sessão volátil, mas terminou com queda de 0,23%, a R$ 5,3106.

O movimento de realização de lucros foi visto também nos mercados da Europa e Ásia. No mercado de Nova York, Dow Jones caiu ,23%, mas S&P 500 e Nasdaq tiveram altas contidas de 0,23% e 0,43% cada. Chamou atenção nesta quarta, o novo recorde de mortes por covid no mundo em 24h, um total de 17.186 óbitos, segundo a Universidade Johns Hopkins

Por aqui, o avanço do vírus faz crescer o temor de um novo endurecimento nas medidas de isolamento, como tem acontecido em países do exterior, especialmente depois de o governo paulista adiantar a próxima revisão do Plano São Paulo do dia 5 de fevereiro para esta sexta-feira, 15.

"Havia a animação no fim do ano com o início da vacinação em vários países, o que favorece a normalização gradual da atividade econômica, mas agora está se virando a chave, na medida em que fica bem clara a dificuldade, o desafio logístico imenso da vacinação em massa e concomitante em várias partes do mundo", observa Gustavo Cruz, economista e estrategista da RB Investimentos.

Além disso, o mercado também monitorou o andamento do processo de impeachment de Donald Trump, que com o mercado já fechado, foi aprovado pela Câmara e segue agora para o Senado. " Tivemos uma realização natural nos principais ativos, Vale e Petrobrás, que têm andado bem", diz Victor Lima, analista da Toro InvestimentosVale cedeu 2,99% e Petrobrás ON e PN tiveram baixas de 4,20% e 4,83% cada

Gustavo Cruz menciona também fatores de risco imediatos, como a transição de poder em Washington - como ficará a relação republicanos-democratas após os extremismos de Trump, e a dimensão do pacote fiscal que poderá de fato ser aprovado -, assim como os efeitos sobre o diálogo Estados Unidos-BrasilÉ preciso ficar atento se haverá alguma menção imediata de Biden ao Brasil, especialmente sobre o meio ambiente, após esta nova alfinetada do Macron (presidente da França, sobre a soja brasileira)", diz.

Assim, nesta sessão, as perdas na B3 predominaram em empresas e setores, mas alguns conseguiram se afastar do movimento de correção, como MRV, com alta de 4,39%, PetroRio, de 3,90%, Eneva, de 3,67% e Cosan, de 2,15%. No lado oposto, Usiminas cedeu 6,07% e Banco do Brasil, 4,71%, com rumores de que André Brandão seja afastado da presidência por Jair Bolsonaro.

Câmbio

O dólar teve um pregão volátil nesta quarta-feira, mas com oscilações mais contidas que nos últimos dias. Com noticiário morno em Brasília e com os participantes do mercado monitorando as notícias sobre Washington, o câmbio oscilou principalmente com os fluxos de capital. Captações externas e aportes de estrangeiros na Bolsa ajudaram a retirar pressão do real, mas com a moeda americana se sustentando acima de R$ 5,30, na medida em que o risco fiscal e dúvidas sobre a vacinação contra a covid seguem limitando uma melhora mais forte da moeda brasileira.

Os estrangeiros continuam aportando recursos no Brasil, conforme mostraram hoje dados do Banco Central. O País registrou fluxo cambial positivo de US$ 1,309 bilhão em janeiro, até o dia 8. Na B3, já entraram R$ 13,1 bilhões.

A analista responsável por Brasil na agência de rating Moody's, Samar Maziad, alertou hoje que as pressões para aumentar programas e gastos sociais permanecem no Brasil neste começo de 2021, mas considerando as amarras fiscais e constitucionais, será difícil elevar estas despesas legalmente. "Riscos de gastos acima do teto em 2021 certamente permanecem", disse em evento da Moody's, alertando que esse fator, junto com o atraso nas reformas, pode afetar negativamente o rating brasileiro.

No exterior, após o dólar cair ontem, inclusive em forte queda ante o real, o dia hoje foi de recuperação. Os dados de inflação ao consumidor (CPI, na sigla em inglês), com alta de 0,4% em dezembro, vieram sem surpresas, e o DXY, índice que mede a força do dólar ante outras moedas de peso, como euro e libra, só momentaneamente caiu abaixo dos 90 pontos (89,923 na mínima)./ LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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