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Dólar sobe e fecha a R$ 5,57 com cautela vinda do exterior; Bolsa avança 1%

Interrupções na elaboração de antídotos contra o coronavírus pesaram no câmbio nesta terça-feira, 13; questões ficais do País também preocupam

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2020 | 09h08
Atualizado 13 de outubro de 2020 | 18h30

Apoiado no cenário de cautela vindo do exterior, principalmente após duas empresas anunciarem a paralisação nos testes de antídotos contra o coronavírus, o dólar voltou a subir nesta terça-feira, 13, e encerrou com alta de 0,94%, a R$ 5,5783, em um dia no qual a moeda também avançou no exterior. A informação também pesou no mercado acionário de Nova York, mas não afetou tanto a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, que fechou com alta de 1,05%, aos 98.502,82 pontos, no maior nível desde setembro.

Hoje, a gigante Johnson&Johnson anunciou que interrompeu os testes de sua vacina contra o coronavírus, que já estava na fase 3 (quando várias pessoas são testadas), inclusive aqui no Brasil, após um dos seus voluntários apresentar uma doença inexplicável, que ainda não se sabe a causa. Já na parte da tarde desta terça, foi a vez da farmacêutica Eli Lilly também paralisar os testes de um medicamento contra a covid-19, por causa de preocupações quanto à segurança dos pacientes.

Além disso, o cenário fiscal do Brasil também teve um peso importante na cotação da moeda. Por aqui, os investidores acompanharam com mal-estar com a postergação de reformas, incluindo a administrativa, e a PEC Emergencial, que incluiria a proposta de criação do Renda Cidadã. Com isso, o dólar superou os R$ 5,63 na máxima e o Banco Central precisou intervir no mercado, ofertando US$ 560 milhões de dólares à vista. Ainda hoje, o dólar para novembro fechou com alta de 0,69%, a R$ 5,5745.

"Enquanto não houver definição mais clara sobre o fiscal, vamos viver de incerteza e nervosismo", avalia o sócio do grupo Aplix, Igo Falcão. Ele ressalta que o governo de Jair Bolsonaro está mais alinhado com o Congresso, mas a dúvida é até quando vai durar e se de fato as reformas vão avançar com as eleições municipais se aproximando. "O real tem apanhado bastante." Com as incertezas, a Aplix elevou a projeção de dólar para o final do ano de R$ 5,20 para R$ 5,30.

Após o dólar cair na sexta-feira ante divisas fortes ao menor nível desde 28 de agosto, hoje o dia foi de alta generalizada. "Uma combinação de fatores aumentou a incerteza e fez o dólar subir", observa o analista sênior do banco Western Union, Joe Manimbo.

Uma das maiores fontes de preocupação é o crescimento acelerado de casos de covid-19 na Europa, que já tem se refletido nos indicadores da região. O índice de expectativas econômicas da Alemanha divulgado hoje caiu de 77,4 pontos em setembro para 56,1 pontos em outubro, abaixo do esperado pelos analistas financeiros, ajudando o euro a perder força. Já em Washington, quanto mais demorar a sair um pacote de estímulos, mais a economia americana será afetada, ressalta Manimbo.

Bolsa

Em ajuste ao forte avanço do dia anterior em Nova York, que chegou a 2,56% no Nasdaq, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, teve retorno positivo do feriado da Padroeira, apesar da aversão a risco que prevaleceu nesta terça no exterior, com o coronavírus novamente voltando ao foco do noticiário. 

Assim, o Ibovespa fechou no maior nível desde 16 de setembro, tendo quase tocado o nível de 99 mil, aos 98.998,47 pontos na

máxima da sessão. Com os resultados de hoje, ele agora avança 4,12% em outubro, cedendo 14,82% no ano. O desempenho favorável desta terça também veio descolado de Nova York: atentos ao impasse quanto aos antídotos para o coronavírus, Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq fecharam em baixas de 0,55%, 0,63% e 0,10%.

"A sessão teve poucos 'drivers', com o mercado à espera dos balanços locais a partir desta quinta-feira. A ausência de novos ruídos políticos contribuiu para que o Ibovespa fosse atrás dos ganhos de ontem em Nova York, buscando os 99 mil na máxima, mesmo sem a ajuda das ações de bancos na maior parte do dia, que continuam a segurar o índice", diz Jefferson Laatus, estrategista-chefe do Grupo Laatus. Ele chama atenção para o forte desempenho de Magazine Luiza, com alta de 5,96%.

Nas ações, o varejo eletrônico teve um bom desempenho hoje, com a aproximação das vendas de fim de ano, a começar pela Black Friday. Subiram hoje Magazine LuizaB2W, com ganhos de 5,96% e 6,73% cada. Logo atrás, Marfrig encerrou hoje em alta de 4,72%. No setor de siderurgia, CSN subiu 3,10%, enquanto Petrobrás PN subiu 1,67%, em um dia favorável para o petróleo no exterior. Hoje, o WTI para novembro fechou em alta de 1,95%, a US$ 40,20 o barril, enquanto o Brent para dezembro subiu 1,75%, a US$ 42,45 o barril./ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, LUÍS EDUARDO LEAL E MAIARA SANTIAGO

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