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Bolsa fecha em alta de mais de 2%, enquanto dólar inverte sinal e cai R$ 5,47%

Fala de Paulo Guedes em defesa ao teto de gastos ajudou nos negócios desta sexta; reconhecimento de que Biden venceu a eleição dos EUA também ajudou

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2020 | 09h10
Atualizado 13 de novembro de 2020 | 18h53

A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, fechou com alta de 2,16%, aos 104.723,00 pontos nesta sexta-feira, 13, com ganho de 3,76% na semana. Colaboraram para o bom desempenho do Ibovespa o cenário eleitoral nos EUA pós-vitória de Joe Biden e a fala do ministro da Economia, Paulo Guedes, em defesa do teto de gastos e da austeridade fiscal. No câmbio, o dólar à vista inverteu o sinal e fechou com leve queda de 0,05%, a R$ 5,4756, acompanhando a intensificação das perdas da moeda americana no mercado internacional.

O sentimento positivo do investidor brasileiro teve como base a reiteração do compromisso de Paulo Guedes com o teto de gastos, um dia depois de ele falar sobre a possibilidade de prorrogação do auxílio emergencial no caso de uma segunda onda de covid-19 no País, o que foi mal recebido pelo mercado. "O teto virou símbolo, a bandeira contra excesso de gastos. Vamos precisar dele”, reforçou o ministro.

"O mercado ainda está anestesiado pelo efeito Joe Biden e, na B3, o desempenho positivo das ações de bancos, pelo peso que possuem no índice, assegurou dinamismo ao Ibovespa. O viés é positivo, mas sujeito a correções, na medida em que a questão fiscal ainda pode atrapalhar. Guedes precisará saber jogar com o Congresso", diz Marcio Gomes, analista da Necton Investimentos.

No exterior, o reconhecimento pela China da vitória de Biden é fator de otimismo, em particular pelo tom amigável observado na imprensa oficial. Com a posição do governo chinês, apenas Rússia, México, Brasil e Coreia do Norte ainda não se manifestaram. Além disso, a saída de cena de Trump em 20 de janeiro parece ter começado a ser construída nesta sexta-feira com a retirada de uma ação judicial que questionava a votação no Arizona, que deu vitória a Biden.

Próximo a Trump, o jornalista Geraldo Rivera disse nesta sxeta que o presidente é um "realista" e "fará a coisa certa" em relação ao resultado da eleição. Em Nova YorkDow JonesS&P 500 e Nasdaq fecharam em alta de 1,37%, 1,36% e 1,02% cada.

Hoje, os ganhos nas ações de bancos chegaram a 3,55% no fechamento de Bradesco PN, ficando na semana entre alta de 8,40% de BB ON e 15,47% de Bradesco PN. As ações de commodities também subiram, com destaque para Petrobrás PN, em alta de 3,29% - na semana, a ação avançou 14,58%, enquanto a ON teve ganho de 16,66% no intervalo.

Na ponta do Ibovespa nesta sexta-feira, Yduqs fechou em alta de 9,76%, à frente de IRB, com 7,70%. No lado oposto, Multiplan caiu 2,35%, Magazine Luiza, 1,49%, e CSN, 1,18%. Com o resultado de hoje, o Ibovespa tem alta de 11,46% no mês, limitando as perdas do ano a 9,44%. O giro financeiro totalizou R$ 33,5 bilhões na sessão.

Câmbio

O dólar fechou a semana acumulando alta de 1,5%, devolvendo parte da queda da semana passada, quando recuou 6%. Os últimos dias foram marcados por forte volatilidade no mercado de câmbio e pela volta ao radar das preocupações fiscais com o Brasil, após uma trégua em meio às eleições americanas. As principais dúvidas dos investidores sobre o orçamento brasileiro continuam sem resposta, sendo a principal delas como o governo pretende financiar seus programas sociais em 2021. Esse ambiente de incerteza fiscal em alta ajudou o real a se descolar de outras moedas emergentes nos últimos dias. No mercado futuro, o dólar para dezembro fechou estável, a R$ 5,4620.

Para o gerente de tesouraria do Travelex Bank, Felipe Pellegrini, após a forte queda da semana passada e a cair a R$ 5,22, era esperado um ajuste no câmbio. "Houve exagero na semana passada", disse ele. Ele comenta que o crescimento acelerado dos casos de covid na Europa e Estados Unidos voltou a preocupar, depois de ficar em segundo plano em meio à apuração da eleição americana.

O real teve uma trégua pós eleição americana, e o dólar ainda acumula baixa de 4,6% no mês, mas o executivo acima comenta que após as eleições municipais de domingo, quando parte do quadro eleitoral fica mais claro no Brasil, o governo vai passar a ser mais cobrado pela definição da agenda fiscal para 2021. No entanto, ele não acredita que avanços ocorram em novembro./LUÍS EDUARDO LEAL, MAIARA SANTIAGO BARBOZA E ALTAMIRO SILVA JÚNIOR

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