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Daniel Teixeira/Estadão
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Bolsa fecha aos 120 mil pontos, no melhor patamar desde fevereiro; dólar cai 0,8%

Expectativa de retomada da economia americana, após o resultado positivo dos balanços do primeiro trimestre de gigantes do setor financeiro dos EUA, animou os investidores

Redação*, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2021 | 15h54
Atualizado 14 de abril de 2021 | 18h35

A Bolsa brasileira (B3) fechou em alta de 0,84%, aos 120.294,68 pontos nesta quarta-feira, 14, completando a sua terceira alta seguida e também no maior patamar desde o dia 17 de fevereiro. O bom desempenho hoje, assim como nos principais índices do exterior, veio na esteira do resultado positivo dos balanços do primeiro trimestre do setor financeiro americano. Nesse cenário, o dólar teve um dia mais ameno no mercado global, encerrando por aqui com queda de 0,82%, cotado a R$ 5,6705.

"O avanço das commodities continua acontecendo, globalmente, com base na expectativa de uma retomada mais forte da economia americana. Os resultados no primeiro trimestre de grandes bancos, como Goldman Sachs JP Morgan, um setor cíclico, reforçam a perspectiva positiva para o ano nos Estados Unidos", observa Erminio Lucci, CEO da BGC Liquidez. No mercado, a percepção é de que a economia americana está se recuperando do pior momento da crise.

"Os resultados um pouco acima do esperado dos bancos também corroboram a percepção de que a economia americana tem se recuperado bem rápido", diz Leonardo Milane, economista e sócio da VLG Investimentos. Nesse cenário, agradou a declaração de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), de que, mesmo com o cenário favorável, a entidade monetária não pretende alterar sua política de estímulos antes de 2022, movimento que favorece principalmente os mercados emergentes.

Porém, Lucci chama atenção para outro ponto: apesar da recuperação do Ibovespa, estendida de março para esta primeira quinzena de abril, o giro financeiro tem se mantido fraco, e a volatilidade, contida, refletindo o grau de incerteza que afeta, em especial, a economia doméstica. Ainda assim, ele identifica busca por "ativo real", especialmente em setores que acompanham a demanda externa, como o de commodities. Aqui, acrescenta Lucci, o apelo das ações reflete ainda o ambiente de juros reais negativos, com o "próximo Copom já precificado". A expectativa, na próxima reunião, é que o Banco Central suba a Selic em mais 0,75 ponto percentual. Atualmente, a taxa está a 2,75%.

"A vacinação está agora em 12% da população e começa a surgir previsão de que, em setembro, boa parte da população adulta esteja vacinada, o que contribui para normalização da economia, naturalmente antecipada pelo mercado ao operar em cima da expectativa", diz Leonardo Peggau, superintendente de renda variável e sócio da BlueTrade, que antecipa Ibovespa a 135 mil pontos no fechamento do ano. Sobre o tema, vale lembrar que hoje, o Ministério da Saúde anunciou que a Pfizer vai antecipar a a entrega de dois milhões de doses do seu imunizante ao Brasil.

Com o bom resultado de hoje, o índice acumula ganho de 3,14% no mês e está, desde ontem, em terreno positivo no ano - hoje, passa a acumular alta de 1,07% em 2021. A mudança de direção, no entanto, ocorre a despeito da persistente preocupação sobre o fiscal - situação agravada por Orçamento ainda indefinido para 2021, sujeito a iniciativas "fura-teto" em meio a uma pandemia que cobra preço alto do ritmo de atividade doméstica e dos gastos públicos.

Ainda a 'menina dos olhos' da Bolsa, o setor de commodities continua sendo o principal responsável pelo desempenho do índice. O destaque hoje fica para Petrobrás, com PN e ON em altas de 1,59% e 1,60% cada, em sintonia com o avanço de mais de 4% dos contratos do petróleo no exterior nesta quarta. Vale também chama atenção, após alta de 3,30% com a ação cotada a R$ 107.

O segmento de siderurgia vem logo atrás, com Usiminas e CSN em altas de 4,21% e 3,17%, respectivamente. O dia favorável para o setor financeiro nos EUA apoiou a melhora de Santander e Itaú, hoje com ganhos de 2,01% e 1,28% cada.

Câmbio

Apesar das incertezas sobre o Orçamento de 2021, o dia sem novos desdobramentos sobre o tema, com o dólar influenciado pelo exterior positivo, permitiu uma folga para o real, que tem sido duramente penalizado pela alta da moeda. Hoje, o dólar para maio fechou em baixa de 1,14%, a R$ 5,6590. Em dia com apetite por risco de emergentes no exterior, após o cenário favorável nos Estados Unidos, operadores relataram entrada de fluxo externo no mercado doméstico e perspectiva de novos aportes, em meio a emissões de ações e renda fixa de empresas.

Com o Ibovespa superando os 120 mil pontos, houve relatos de novos fluxos hoje para o Brasil. Dados do Banco Central desta quarta-feira mostram fluxo cambial de US$ 1,064 bilhão entre os dias 5 a 9 de abril, dos quais US$ 927 milhões pelo canal financeiro. Depois deste período, houve outras operações, como a venda de debêntures da Vale da carteira do BNDES, em operação de R$ 11,5 bilhões, com demanda duas vezes maior que a oferta.

O analista de mercados do banco Western Union, Joe Manimbo, observa que, diferente de março, abril tem sido marcado por um dólar mais fraco no mercado internacional. E este movimento continuou hoje, com a divisa dos EUA testando mínimas em um mês ante pares como o euro e o dólar canadense. Este movimento beneficia também as moedas de emergentes. No entanto, ele destaca que, para que o cenário favorável continue, a aprovação do Orçamento, dentro das regras, se faz essencial. /LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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