Daniel Teixeira/Estadão
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Bolsa avança 1% com ajuda dos papéis da Petrobrás; dólar cai a R$ 5,27

Apesar do ganho de hoje, o Ibovespa fecha a semana com queda de 0,13%, após o avanço inesperado da inflação americana; cenário externo continua pressionando o dólar

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2021 | 16h34
Atualizado 14 de maio de 2021 | 18h32

Em um dia com poucos acontecimentos capazes de afetar o mercado, os ativos brasileiros fecharam em alta, ainda que menores do que as observadas em Nova York, com o Nasdaq em ganho de mais de 2,3%. Nesta sexta-feira, 14, a Bolsa brasileira (B3) encerrou em alta de 0,97%, aos 121.880,82 pontos, apoiada nos ganhos da Petrobrás, enquanto no câmbio, o dólar cedeu 0,80%, cotado a R$ 5,2710.

Hoje, o Ibovespa emendou o segundo dia de recuperação moderada, insuficiente para que neutralizasse a perda acumulada na semana, de 0,13%, causada pelo avanço inesperado da inflação americana. No melhor momento do dia, o índice chegou a recuperar os 122 mil pontos, marca observada nos fechamentos dos últimos dias 7 e 11.

Nestas dez sessões da primeira metade do mês, o Ibovespa cedeu até aqui terreno em apenas três - entre elas, uma leve perda de 0,11%, no dia 10. Por outro lado, os avanços têm sido em geral moderados, de forma que, em maio, os ganhos chegam a 2,51% até o momento, com avanço no ano a 2,41%. 

"Se olharmos para os setores que compõem o Ibovespa, apenas o índice de materiais básicos e as exportadoras estão positivos no ano, é o que tem sustentado. Os demais estão no negativo. Vejo espaço para recuperação desses setores defasados no ano, que tendem a convergir de maneira mais favorável na medida em que a vacinação avançar e a economia doméstica for se normalizando", aponta Mauro Orefice, diretor de investimentos da BS2 Asset. "No primeiro quadrimestre, as ações do setor financeiro acumularam perda média de 7%, as do varejo, de 15%, e as do setor imobiliário, entre 10% e 12%", acrescenta.

Destaque do dia, as ações da Petrobrás subiram 5,16% a PN e 4,65% a ON, em reação positiva não apenas aos preços do petróleo, em alta acima de 2% na sessão, mas especialmente ao balanço trimestral, da noite anterior. Em nota, os analistas Heloise Sanchez e Régis Chinchila, da Terra Investimentos, chamam atenção para o "Ebitda acima das estimativas, com forte geração de caixa e redução da dívida líquida da empresa, fruto dos esforços da gestão de Castello Branco, que deixou o cargo para o atual comando de Joaquim Silva e Luna."

O desempenho de Petrobrás contribuiu hoje para neutralizar o efeito negativo de Vale, em baixa de 1,72% na sessão, em resposta à forte correção nos preços do minério de ferro na China - ainda assim, em nível bem elevado, o que coloca os ganhos acumulados por Vale ON a quase 32% em 2021, com os de CSN perto de 50% no ano. Na ponta do Ibovespa, Qualicorp subiu

hoje 7,21%, à frente de Hering, com 6,43%. No lado oposto, Usiminas esteve na ponta negativa pelo segundo dia, em baixa de 4,96% no fechamento.

Hoje, o tombo de 12% no preço do minério de ferro na China, com efeito direto sobre o desempenho das ações de mineração e siderurgia, foi decisivo para limitar o avanço do Ibovespa, com o "governo chinês cada vez mais inclinado a criar medidas para intervir nos preços do aço, e, por consequência, da matéria-prima", diz Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora, destacando que a China está atenta a aumentos superiores ao custo do aço.

O cenário doméstico, em particular o político, também contribui para segurar o Ibovespa, avalia Alexandre Almeida, economista da CM Capital, chamando atenção para o desgaste na popularidade do presidente Jair Bolsonaro e o favoritismo de Lula para a eleição de 2022 sinalizado nesta semana por pesquisa Datafolha. "Há muitas incertezas sobre o cenário", diz.

Câmbio

O dólar interrompeu uma sequência de seis semanas seguidas de queda ante o real e fechou os últimos cinco dias acumulando valorização de 0,81%. As preocupações com a disparada da inflação americana ajudaram a fortalecer o dólar no mercado internacional. Foi somente no pregão desta sexta-feira que a moeda americana caiu de forma mais consistente, após dois indicadores menores de atividade dos Estados Unidos mostrarem números abaixo do previsto em abril e reduzirem, ao menos por ora, o temor de superaquecimento da maior economia do mundo. Hoje, o dólar para junho fechou em queda de 0,70%, a R$ 5,2795.

O cenário externo teve peso, determinando o comportamento do real nesta semana. O temor de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) tenha que retirar mais cedo os estímulos monetários extraordinários adotados na pandemia,que têm inundado o mercado de liquidez e levado recursos aos emergentes.

"Membros do Fed têm contribuído para amenizar as preocupações, ressaltando que o conjunto de dados observado não revela inflação permanente. De qualquer maneira, os mercados ligam o radar", destaca o economista da Amplla Assessoria em Câmbio, Alessandro Faganello

Sobre o real, a analista de moedas e mercados emergentes do Commerzbank, Alexandra Bechtel, avalia que a moeda se beneficiou recentemente da alta das commodities e da sinalização de altas de juros pelo Banco Central, mas o ceticismo com a valorização da moeda brasileira permanece, na medida em que riscos específicos do Brasil podem reverter este movimento.

O Commerzbank permanece cético e considera que a recente apreciação do real seja "frágil". O banco alemão prevê o dólar em R$ 5,30 ao final do ano e em R$ 5,00 ao final de 2022. Já a taxa básica de juros deve ir a 5,25% em dezembro e 6% em 2022. /LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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