Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Dólar recua 1% à espera das reuniões dos bancos centrais dos EUA e Brasil; Bolsa subiu

Mercado já precifica a 'Super Quarta', à espera se o Federal Reserve vai ou não sinalizar um corte no curto prazo nas medidas de estímulos adotadas durante a pandemia

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2021 | 16h44

Apesar da tensão dos investidores antes da 'Super Quarta', quando os bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos irão divulgar os rumos das políticas monetárias de ambos os países, o dólar fechou em queda de 1,02%, a R$ R$ 5,0707 nesta segunda-feira, 14, com o real recuperando a força ante a divisa americana, que subiu no exterior. A Bolsa brasileira (B3) encerrou em alta de 0,59%, aos 130.207,96 pontos, apesar do sinal misto vindo de Nova York.

O noticiário interno ajudou a moeda brasileira a ter o melhor desempenho internacional hoje ante a americana, considerando uma cesta de 34 divisas mais líquidas. Na máxima do dia, a divisa dos EUA tocou em R$ 5,11 - no Peru, na Turquia e no México subiu 2%, 1% e 0,43%, respectivamente. Ainda por aqui, o dólar para julho caiu 1,14%, a R$ 5,0695.

Para o economista da Amplla Assessoria em Câmbio, Alessandro Faganello, a expectativa pelas reuniões de política monetária aqui e nos EUA, o avanço no ritmo de vacinação e a possibilidade de Produto Interno Bruto (PIB) mais forte criaram um ambiente mais positivo para o real. Caso o Banco Central sinalize na quarta-feira nova alta de juros em agosto, dependendo da magnitude, e o Fed reforçar a visão de inflação temporária, Faganello ressalta que há chance de o real ter valorização adicional, com condições até de cair abaixo de R$ 5,00.

Para a analista principal do rating soberano do Brasil na S&P Global Ratings, Livia Honsel, o câmbio e ativos brasileiros têm se beneficiado da visão de curto prazo de melhora da perspectiva de crescimento da economia e do cenário fiscal menos desfavorável. Mas ela alertou hoje que o Brasil precisa prosseguir com as reformas estruturais e o ajuste fiscal, ou não vai conseguir estabilizar a dívida.

Sobre o Fed, o líder de análise para a América Latina na S&P, Sebastian Briozzo, afirma que os bancos centrais de países desenvolvidos terão de sair do ambiente de políticas monetária, excepcionais em direção a níveis mais normais. Ele alerta que, apesar da alta esperada das taxas ser pequena, este processo pode ser acompanhado de ruídos e volatilidade, como historicamente tem sido os momentos de mudanças de estratégia dos bancos centrais.

A reunião do Fed, destacam os estrategistas de moedas do holandês ING, é o último grande evento de risco antes das férias de verão no Hemisfério Norte. O maior interesse é ver como está a avaliação dos dirigentes sobre a inflação, se ainda vai seguir majoritariamente sendo vista como transitória, após dados recentes acima do esperado. Para eles, é no final de agosto, durante um evento, que o BC americano deve anunciar o início da redução das compras de ativos.

Já no Brasil, a expectativa é outra. "A grande curiosidade pelo BC nesta semana não está na magnitude do ajuste na Selic, mas, sim, se manterá o ritmo de 0,75 ponto porcentual para frente, se haverá ajuste na comunicação. Em relação à última reunião do Copom, temos um cenário de inflação mais complicado, com revisões para cima das expectativas para 2021. O que traz mais preocupação agora é 2022, a necessidade de reduzir o risco de ficar fora da meta (de inflação) no próximo ano", diz Camila Abdelmalack, economista-chefe da Veedha Investimentos.

Bolsa

O Ibovespa chegou a subir acima dos 131 mil pontos na máxima da sessão, mas os ganhos perderam força diante do sinal misto de Nova York, com Dow Jones em queda, enquanto S&P 500 e Nasdaq subiram, renovando recordes de fechamentoNo mês, o Ibovespa sobe 3,16% e, no ano, 9,40%.

Para o estrategista e head de research da XP, Fernando Ferreira, o nível de 145 mil pontos continua a ser "valor justo" para o Ibovespa no fim do ano, tendo a B3 permanecido entre as bolsas de melhor desempenho nos últimos três meses, após ter figurado em 2021 entre as 10 piores, observa em nota. Fatores como o "ciclo favorável das commodities", a aceleração da economia doméstica, o "valuation atrativo", a retomada em curso no fluxo estrangeiro e a solidez dos balanços das empresas são mencionados por Ferreira, que calcula a possibilidade, bem remota, de o Ibovespa tentar buscar os 200 mil pontos no próximo ano.

Nesta abertura de semana na B3, o dia foi favorável às ações de empresas com exposição à reabertura da economia, como Cogna em alta de 9,45%, à frente de Locaweb, com ganho de 6,24% e de B2W, que subiu 5,10%. No lado oposto, Gerdau PN caiu 2,73% e Braskem cedeu 1,66%. Além de siderurgia, a sessão também foi majoritariamente negativa para outros setores de peso no índice, como commodities em queda - Vale recuou 0,54% e Petrobrás ON cedeu 0,14% -, e bancos recuando, com Bradesco PN e Itaú caindo 0,43% e 0,34%.

As ações de Eletrobrás caíram 0,07% e 0,18% cada, de olho na MP que dispõe sobre a privatização da empresa. "Ficou para dia 16, quarta-feira, a votação da medida provisória, no Senado. A Eletrobrás vinha de alta substancial desde maio, com a expectativa pela privatização, desde a aprovação da MP na Câmara. As críticas ao processo, que apareceram no Senado, podem acabar por desidratar a proposta, o que arrefeceu o ânimo do mercado - e explica a queda na ação, que tem se mostrado mais lateralizada", diz Davi Lelis, sócio da Valor Investimentos. /ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, LUÍS EDUARDO LEAL E MAIARA SANTIAGO

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