Márcio Fernandes/Estadão
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Bolsa recua 2,5% e dólar sobe 1,8% com avanço da pandemia no Brasil e no mundo

Investidores evitaram ativos de risco nesta sexta-feira, dia na qual o mundo bateu recorde de mortes por covid; em Nova York, temor é que pacote de quase US$ 2 tri de Biden seja reduzido

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de janeiro de 2021 | 09h13
Atualizado 15 de janeiro de 2021 | 18h56

Os ativos de risco do mercado brasileiro caem nesta sexta-feira, 15, ante as preocupações com o avanço da pandemia no País e também no mundo. A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, fechou com queda de 2,54%, aos 120.348,80 pontos, enquanto no câmbio, o dólar teve alta de 1,81%, a R$ 5,3042. Em Nova York, o clima também é de cautela, em meio ao temor de que o novo pacote de ajuda trilionário de Joe Biden seja reduzido pelo Congresso americano.

O mundo ultrapassou nesta sexta-feira a marca de 2 milhões de mortes em decorrência do coronavírus, de acordo com levantamento da Universidade Johns Hopkins. No total, 93,4 milhões de pessoas foram oficialmente diagnosticadas com a doença em todo o planeta. Aqui no Brasil, Manaus continua a lidar com o colapso do sistema de saúde, ante a falta de oxigênio. Em São Paulo, várias áreas do Estado adotaram medidas mais rígidas de isolamento.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que se a se a situação continuar como está na região Norte do Brasil, "veremos uma catástrofe em Amazonas em abril e maio", de acordo com o diretor de emergências da entidade, o irlandês Michael Ryan. Ele alertou ainda para a piora em Rondônia e Amapá. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou na tarde de hoje que a vacinação em massa é "fundamental" para a retomada da atividade econômica no Brasil.

"Os ruídos políticos no Brasil podem estar apenas começando", avaliam os gestores da BlueLine Asset Management, destacando que, com piora aguda da covid-19, dificuldades de organização de um plano de vacinação e recrudescimento das pressões para mais gastos públicos, a situação pode se agravar, embora o exterior tenda a continuar mais favorável. "Os mercados globais tiveram ajuste técnico, mas os riscos locais estão em alta sustentada."

Nesse cenário, o Ibovespa chega ao final da segunda semana do ano acumulando perda de 3,78% no intervalo de cinco sessões, após largada exuberante em 2021, na qual havia avançado 5% do dia 4 a 8, o que o colocou aos 125 mil pontos, em nova máxima histórica. Com a terceira realização desta semana que chega agora ao fim, o índice da B3 limita os ganhos do ano a 1,12%.

A realização de lucros atingiu Vale ON, com queda de 4,35%, Petrobrás PN e ON, com baixas de 4,52% e 3,52%, CSN, com 8,10%, Gerdau PN, com 5,92%. O setor bancário também foi duramente afetado: Santander caiu 5%, Itaú PN cedeu 3,77% e Bradesco caiu 2,76%. Na ponta positiva do índice, destaque para B2W, em alta de 5,11%, Suzano, de 2,50% e Rumo, de 2,27%.

A fuga dos ativos de risco não aconteceram apenas no Brasil, mas também entre outros emergentes e países desenvolvidos. Em Nova York, Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq fecharam com quedas de 0,57%, 0,72% e 0,87%. Além das preocupações com o avanço da covid, também preocupa que o pacote de US$ 1,9 trilhão anunciado na última quinta-feira, 14, por Joe Biden para estimular a economia americana, não seja aprovado da forma como foi anunciado, podendo ser reduzido a US$ 800 bilhões, apontam os estrategistas da canadense TD Securities.

Câmbio

O dólar fechou a sexta-feira em alta, em sessão marcada por fuga de ativos de risco no mercado internacional e aumento da tensão política no Brasil. Nos últimos cinco dias, porém, o dólar acumulou queda de 2,1%, interrompendo uma sequência de quatro semanas consecutivas de valorização. A sexta-feira, que antecede final de semana prolongado nos Estados Unidos, com feriado na segunda, dia de Martin Luther King, foi marcada por noticiário negativo, além de ruídos políticos e a troca de farpas entre Jair Bolsonaro e o governador de São PauloJoão Doria (PSDB).

"Os ruídos políticos no Brasil podem estar apenas começando", avaliam os gestores da BlueLine Asset Management, destacando que, com piora aguda da covid-19, dificuldades de organização de um plano de vacinação e recrudescimento das pressões para mais gastos públicos, a situação pode se agravar, embora o exterior tenda a continuar mais favorável. "Os mercados globais tiveram ajuste técnico, mas os riscos locais estão em alta sustentada."

Nesse ambiente também de preocupação com a aprovação do pacote fiscal dos EUA, o dólar operou em alta generalizada hoje, com o DXY, que mede o comportamento da moeda americana ante divisas fortes, subindo perto de 0,60% na semana. Com isso, o índice teve a maior alta semanal desde novembro. Já o euro caiu para as mínimas em mais de um mês. Por aqui, a moeda para fevereiro subiu 1,84%, a R$ 5,2935./ LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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