Paul Yeung/Bloomberg
Paul Yeung/Bloomberg

Dólar cai 0,75% e Bolsa sobe 0,3% após divulgação de dados econômicos positivos nos EUA

Resultado positivo do varejo americano e queda nos pedidos de auxílio-desemprego nos EUA animaram o mercado; no entanto, Orçamento e decisão do STF sobre acusações de Lula ficaram no radar

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2021 | 15h06
Atualizado 15 de abril de 2021 | 18h57

A divulgação de dados positivos nos Estados Unidos ajudaram no bom humor do mercado nesta quinta-feira, 15, reforçando a tese de que a maior economia do mundo está perto de uma recuperação econômica mais rápida que o esperado. Em resposta, o dólar fechou em baixa de 0,75%, a R$ 5,6281. Já a Bolsa brasileira (B3) teve leve ganho de 0,34%, aos 120.700,67 pontos, em um dia marcado por incertezas quanto ao cenário interno.

O avanço da vacinação nos EUA e o pacote de estímulo fiscal de Joe Biden estão começando a mostrar seus resultados na economia, comentam os estrategistas da americana LPL Financial. Hoje, os pedidos de auxílio-desemprego totalizaram 576 mil na semana encerrada em 10 de abril, contra 769 mil na semana anterior. Estimativa da Reuters era que o número ficasse em 700 mil. Já as vendas no varejo saltaram 9,8% de fevereiro a março, ante projeção de alta de 6,1% pelos analistas.

Em resposta, as moedas emergentes ganharam força ante o dólar, com o alívio nas taxas de retorno dos papéis com vencimento mais longo do Tesouro americano. O título de dez anos caiu para 1,53% na tarde de hoje, testando as mínimas em mais de 30 dias. Nos últimos dias, a alta nas taxas de rendimento desses ativos pesaram no câmbio e contribuíram para colocar a moeda nas alturas. Por aqui, o dólar para maio fechou em queda de 0,65%, a R$ 5,6220.

Nesse cenário, a consultoria Armor ressalta que a discussão de um possível superaquecimento da economia americana está na mesa, assim como a volta da inflação e do fortalecimento do dólar. Por enquanto, os dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) têm conseguido minimizar o temor dos investidores, com Jerome Powell, o presidente da entidade monetária, falando em tolerar inflação um pouco mais alta.

No entanto, mesmo com o bom humor, o foco continua no Orçamento de 2021. Segundo a consultoria TS Lombard, o presidente brasileiro está numa encruzilhada. Se Jair Bolsonaro assinar o texto, estará cometendo uma ação que pode torná-lo alvo de um processo de impeachment. Se vetar, seu apoio no Congresso despenca. Não só Bolsonaro, mas o ministro da Economia, Paulo Guedes, também está em uma posição desconfortável e tem feito pouco progresso em avançar nas negociações, observam os analistas.

Sobre o tema, em Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) divulgado hoje, o Ministério da Economia também fixou um rombo de R$ 170,473 bilhões para as contas do Tesouro Nacional, INSS e Banco Central em 2022 - o equivalente a 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB). Embora ainda seja bastante elevado, o montante significa uma redução em relação à meta de rombo de até R$ 247,2 bilhões nas contas de 2021.

Bolsa

Hoje, mesmo com sessão amplamente positiva em Nova York, o Ibovespa chegou a tocar pontualmente terreno negativo, no meio da tarde, pela dinâmica interna, com o mercado também acompanhando de perto a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre processos do ex-presidente Lula, além de relato de que os cortes do Orçamento podem ficar bem abaixo do esperado, em apenas R$ 20 bilhões ou R$ 30 bilhões, observa Rodrigo Barreto, analista da Necton Investimentos, com o Ibovespa então "em cima da resistência de 120,3 mil pontos".

Se o Ibovespa oscilou ontem entre os 119 mil e 120 mil pontos, hoje se acomodou um pouco acima, entre os 120 mil e 121 mil, chegando no intradia, aos 121.408,72 pontos, ao maior nível desde os 121.449,10 pontos durante a sessão de 20 de janeiro. Na semana, o índice sobe 2,58% e, no mês, 3,49%. No ano, sobe 1,41%. Em Nova York,  Dow Jones e S&P 500 tiveram ganhos de 0,90% e 1,11% cada, com ambos renovando seus recordes históricos de fechamento no final do pregão. Já o Nasdaq avançou 1,31%. 

Nesta penúltima sessão da semana, entre o exterior positivo e o doméstico ainda sem clareza, Vale ON subiu 1,13%, Usiminas avançou 0,91% e CSN teve ganho de 1,16%. Petrobrás, no entanto, foi na contramão e registrou quedas de 1,99% para a PN e 1,76% para a ON, após o conselho da estatal anunciar que vai se reunir amanhã para aprovar a posse do novo presidente da empresa, o general Joaquim Silva e Luna, e da diretoria que vai acompanhá-lo na gestão. Entre o segmento de bancos, Banco do Brasil ON e Bradesco ON subiram 0,14% e 0,35% cada. /LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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