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Bolsa fecha em queda de 0,28% e dólar vai a R$ 5,62 com aversão aos riscos

Cenário tenso no exterior voltou a pressionar os ativos locais, com investidores preocupados com o novo pacote de estímulos nos EUA e o avanço da covid-19 na Europa

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de outubro de 2020 | 09h09
Atualizado 15 de outubro de 2020 | 18h20

Os ativos domésticos ensaiaram uma recuperação no final da tarde, mas a aversão aos riscos vinda do exterior, com Nova York em queda e alguns dos principais índices de Europa encerrando em forte recuo, não permitiram que a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, conseguisse inverter o sinal. Com isso, o Ibovespa acabou encerrando com baixa de 0,28%, aos 99.054,06 pontos, nesta quinta-feira, 15. No câmbio, o dólar voltou a ganhar fôlego no final e fechou com alta de 0,46%, a R$ 5,6245.

No exterior, a cautela e aversão a risco se impôs nesta quinta com a progressão da segunda onda do coronavírus na Europa, que tem resultado em novas medidas restritivas em países como França, Reino Unido e Espanha, colocando em xeque a retomada econômica. "A própria Angela Merkel disse que a economia não aguenta um novo lockdown, então os países estão buscando restrições sociais, para evitar algo mais drástico", aponta Roberto Attuch, CEO da Omininvest. Por lá, o temor levou as bolsas de Paris, Londres e Frankfurt a fecharem em forte recuo de 2,11%, 1,73% e 2,49% cada.

Já nos EUA, a possibilidade de que novos estímulos econômicos venham apenas depois das eleições de 3 de novembro fica cada vez mais clara. Nesta quinta, o líder do Partido Republicano no Senado, Mitch McConnell, afirmou que, se os incentivos não forem aprovados antes, podem ser aprovados depois da eleição.

Apesar do forte sinal negativo do exterior, em um dia no qual o mercado acionário de Nova York caiu pela terceira vez seguida, com Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq fechando em baixas de 0,06%, 0,15% e 0,47%, o Ibovespa conseguiu sustentar a linha dos 99 mil pontos, principalmente com o apoio do setor de siderurgia, que está à espera do balanço da CSN, programado para depois do fechamento de hoje. Em resposta, as ações da companhia avançaram 5,71% nesta quinta. Do mesmo segmento, Usiminas teve alta de 6,06%.

Entre as quedas, PetroRio cedeu hoje 5,60%, Cogna, 3,45%, e Ambev, 2,61%. O dia também não foi favorável para as commodities, com Vale ON caindo 0,84%, enquanto Petrobrás PN e ON tiveram ambas baixa de 1,10%. Nesta quinta, os preços da estatal foram afetados pela queda dos preços do petróleo no exterior, com a commodity pressionada pelo excesso de barris no mercado. Em resposta, o WTI para novembro encerrou em baixa de 0,19%, a US$ 40,96, enquanto o Brent para dezembro cedeu 0,37%, a US$ 43,16.

Com os resultados desta quinta, Ibovespa ainda sobe 1,61% na semana e tem ganho de 4,70% no mês, limitando as perdas no ano a 14,35%.

Na agenda doméstica, destaque nesta quinta-feira para o IBC-Br, em alta de 1,06% em agosto ante julho, bem abaixo da mediana das estimativas de mercado, de 1,70%, segundo o Projeções Broadcast. "Dá para olhar com otimismo para o IBC-Br, na medida em que houve revisões significativas, para cima, em meses anteriores, o que afetou o resultado de agosto", observa Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos. "Considerando a leitura de hoje com os dados recentes de varejo e serviços, temos um conjunto positivo" sobre a atividade, acrescenta o economista.

Câmbio

A falta de definições sobre temas monitorados de perto pelo mercado internacional - o pacote de estímulos americanos, o acordo do pós-Brexit entre Reino Unido e União Europeia e se haverá mais medidas de restrição na Europa - deixou os investidores na defensiva, procurando refúgio na moeda americana, que subiu ante divisas fortes, de emergentes e exportadores de commodities. No mercado doméstico, investidores seguiram monitorando a questão fiscal e a volta da discussão de um imposto sobre transações financeiras ajudou a pressionar o câmbio.

A expectativa é que no curto prazo haja "volatilidade e incerteza", até que o cenário esteja mais claro, no mercado doméstico e no exterior, avalia o estrategista-chefe da TAG Investimentos, Dan Kawa. Nas próximas semanas, o quadro pode melhorar, com as eleições para presidente dos EUA chegando ao final, uma decisão sobre que caminho irá tomar o fiscal no Brasil e como irá se desenvolver a pandemia e uma potencial vacina, destaca Kawa.

Na questão fiscal, persiste a incerteza sobre como o governo vai arcar com mais gastos. Ontem, o ministro da Economia Paulo Guedes voltou a falar em um imposto sobre transações financeiras, mas na tarde de hoje negou esta possibilidade. Operadores comentam que notícia publicada pelo Valor, com fonte do governo comentando que a discussão sobre o imposto prossegue, ajudou a pressionar o câmbio perto do fechamento.

Nesse cenário, profissionais das mesas de câmbio comentam que o dólar ficará na casa dos R$ 5,60 enquanto não saírem as definições sobre a agenda fiscal para 2021. Ainda nesta quinta, o dólar para novembro encerrou com alta de 0,37%, a R$ 5,6160.

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