Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Bolsa rompe os 116 mil pontos e dólar cai com chance de estímulos nos EUA

Com o resultado, Ibovespa passa a ter alta no ano; mercado ficou otimista com as negociações por mais incentivos fiscais, após a notícia de que governo e oposição buscam um consenso sobre o tema

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2020 | 09h10
Atualizado 15 de dezembro de 2020 | 18h50

O otimismo dos investidores com as negociações por uma nova rodada de estímulos fiscais nos Estados Unidos, para conter os efeitos econômicos da pandemia, ajudou no bom desempenho da Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, que com a ajuda de Nova York, fechou em alta de 1,34%, aos 116.148,63 pontos. Com o resultado, o índice agora acumula ganho de 0,44% no ano, zerando as perdas de 2020. O noticiário também favoreceu o dólar, que caiu 0,66%, a R$ 5,0889.

Nos EUA, governo e oposição continuam empenhados nas negociações por mais incentivos. Segundo a CNBC, a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, convidou lideranças dos dois partidos no Congresso para uma reunião. Nos bastidores, circula que o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, também foi convidado. "O texto do pacote parece estar ganhando apoio, aumentando as chances de que seja aprovado até o fim do ano", comenta o LPL Research. Com isso, Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq subiram 1,13%, 1,29% e 1,25% cada, com o Nasdaq voltando a bater recorde de fechamento.

Com a aposta de que a ajuda - que pode chegar a US$ 900 bilhões - virá em breve, o mercado foi em busca de ativos de risco no mundo todo. "Notícia de estímulo nos Estados Unidos bate diretamente aqui em renda variável, com a percepção de que isso gerará mais liquidez", pontuou Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora. "A perspectiva do governo democrata também impulsiona este sentimento, dada a defesa do partido dos estímulos", acrescentou.

Vale lembrar que, ontem à noite, Joe Biden conquistou o mínimo de 270 delegados no Colégio Eleitoral, numa formalização como próximo presidente dos EUA. Já na última hora do pregão de hoje, o presidente Jair Bolsonaro reconheceu a vitória de Biden e disse estar pronto "a continuar construção da aliança Brasil-EUA". Ele foi o último líder ocidental a parabenizar o democrata.

"O mercado lá fora está comemorando o encerramento do processo eleitoral, além dessa possibilidade de pacote. O fluxo está enorme para os ativos de risco, e hoje pode se ver um destaque em empresas que são monitoradas por gringos", destacou o economista-chefe da Nova Futura Investimentos, Pedro Paulo Silveira. Entre as ações de primeira linha, destaque para as altas de 0,55% de Bradesco ON, 1,14% de Vale ON e 1,29% de Petrobrás ON, em um dia particularmente favorável para o petróleo, que fechou no melhor resultado desde março.

Para os próximos dias, os investidores vão acompanhar, no cenário doméstico, as discussões em torno da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e o encaminhamento da questão fiscal do governo. No exterior, as atenções se voltam amanhã para a decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), sobre a taxa de juros americana, seguida de coletiva com o presidente da instituição, Jerome Powell.

Câmbio

O dólar engatou queda nos negócios da tarde, após uma manhã volátil. As moedas emergentes ganharam força hoje no mercado externo, e o real acompanhou este movimento, em dia também de queda da divisa americana nos países desenvolvidos e recorde histórico do Nasdaq. A entrada de fluxo externo para aplicações na Bolsa brasileira e renda fixa também ajudaram a retirar pressão do câmbio, mesmo persistindo as dúvidas sobre a situação fiscal do Brasil, destacam operadores. 

O índice DXY, que mede a variação do dólar ante divisas fortes, caiu aos 90,4 mil pontos nesta terça, com euro e libra em destaque. Ante modas emergentes, o dólar também cedeu na comparação com o peso mexicano, o rand sul-africano e o rublo russo. Com desvalorização da divisa americana no mercado internacional, o ouro para fevereiro avançou 1,27, a US$ 1.855,30 a onça-troy. Já a moeda para janeiro fechou com queda de 0,72%, a R$ 5,0825.

"A incerteza e as preocupações sobre a dinâmica fiscal continua a pesar no real", disse nesta tarde o estrategista de Moedas e Juros em Mercados Emergentes da Ohmresearch Independent Insights, Gautam Jain, em live para comentar a tendência das moedas em 2021. No ano, a moeda brasileira segue com o pior desempenho ante o dólar. No entanto, ele pontua que se o "teto de gastos for mantido, o real pode ter desempenho positivo". Caso contrário, o cenário pode ficar ainda mais crítico para a moeda.

A maioria dos investidores e gestores ouvidos pela Bank of America este mês (69%) ressalta que o maior risco de cauda para 2021 no Brasil é a situação fiscal, ante 63% do levantamento feito em novembro, seguido pelos ruídos políticos (12%). Por conta do aumento da dívida, o Brasil é novamente colocado entre os três emergentes mais frágeis do mundo pelo BofA, junto com a África do Sul e Turquia./ MATEUS FAGUNDES, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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