Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Bolsa cai 0,7% com tarde negativa no mercado de Nova York; dólar fica a R$ 5,61

Investidores voltaram a monitorar a alta do rendimento dos títulos do Tesouro americano, que podem provocar uma debandada de recursos dos índices acionários de todo mundo

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2021 | 17h21
Atualizado 16 de março de 2021 | 18h30

Os negócios desta terça-feira, 16, foram marcada por maior cautela nos mercados aqui e no exterior. A Bolsa brasileira (B3) caiu 0,72%, aos 114.018,78 pontos, enquanto o dólar fechou em leve queda de 0,36%, a R$ 5,6191, ambos pressionados pela piora do mercado de Nova York, que regiram negativamente à alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano, que alcançaram novas máximas na sessão de hoje. Além disso, investidores seguem cautelosos com as decisões dos bancos centrais dos EUA e do Brasil.

Nesta terça-feira, véspera de decisão de política monetária nos EUA, a curva de juros americana voltou a sofrer pressão, especialmente no vencimento de 30 anos. O movimento desse tipo de ativo causa tensão nos índices acionários, já que o aumento no rendimento dos títulos do Tesouro americano pode causar uma debandada de recurso das Bolsas, por serem uma opção de investimento muito mais segura. Em Nova York, Dow Jones e S&P 500 fecharam com quedas de 0,39% e 0,16% cada, enquanto o Nasdaq subiu 0,09%.

Aqui, a boa leitura sobre a geração de vagas em janeiro, do Caged, não anula o viés negativo para o mercado de trabalho em meio ao agravamento da pandemia no País. Para o economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, o dado surpreendeu positivamente, em criação líquida de mais de 260 mil empregos de carteira assinada em janeiro, com desligamentos bem abaixo do esperado para o mês. "Essa é mais uma estatística positiva em janeiro que não deverá ser observada com a devida atenção, em função do recrudescimento da pandemia, que rouba a perspectiva de cenários positivos para a atividade", observa em nota.

Em contexto de fraca atividade e de inflação em alta, à espera de aumento de até 0,50 ponto porcentual na Selic ao fim da reunião do Copom amanhã, o Ibovespa não encontrou gatilho para emendar ganho na sessão, definida na noite de ontem a substituição do ministro da Saúde, em solução que não parece implicar nova abordagem ao combate à pandemia, ainda fora de controle no Brasil.  Na semana, o Ibovespa cede 0,12%, mas avança 3,62% no mês - no ano, cai 4,20%.

Com relação à pandemia, o gosto final foi de que o presidente Jair Bolsonaro, sem ouvir o Centrão, optou pela continuidade na mudança, ao decidir trocar o general Eduardo Pazuello pelo médico Marcelo Queiroga, que logo na chegada afirmou que o ministro da Saúde é executor de política de governo, não formulador, e que dará prosseguimento ao trabalho anterior. Assim, prestou-se mais atenção a quem deixou de assumir por discordância "técnica" (a cardiologista Ludhmila Hajjar) do que a quem concordou em assumir o ministério, desde que em alinhamento ao governo.

Nesta terça-feira, Bolsonaro atingiu recorde de menções negativas no Twitter desde o início do mandato, em janeiro de 2019, de acordo com levantamento do Modalmais e da consultoria AP Exata. Hoje, o presidente teve 73% de menções negativas (alta de 5 pontos percentuais em relação a ontem).  "Não sei se o próximo ministro será bom ou não, é difícil falar em políticos e sobre política, mas ajudaria muito se a burocracia em Brasília abrisse espaço para que o setor privado participasse da compra de vacinas. A resposta continua sendo a mesma: vacina. Enquanto não houver, a Bolsa seguirá volátil", diz Pedro Galdi, analista da Mirae .

Em meio a lento progresso da vacinação fora de países como Estados Unidos, Reino Unido, Israel e Chile, o petróleo fechou hoje em baixa pela terceira sessão seguida, posicionando as ações da Petrobrás PN e ON, em quedas de 1,56% e 1,50% cada. Já Vale ON, apesar da alta de 1,83% no preço do minério na China cedeu 0,32% no fechamento desta terça-feira.

Câmbio

O dólar operou a terça-feira em queda, corrigindo os excessos de ontem, quando o real se descolou de seus pares e foi a pior moeda no mercado internacional. Nos negócios da tarde, porém, o ritmo de baixa perdeu fôlego, na medida em que as taxas de retorno dos

títulos públicos americanos, que caíam mais cedo, voltaram a subir, e a moeda dos Estados Unidos novamente superou os R$ 5,60. No mercado doméstico, os investidores seguem na expectativa pelo final da reunião de política monetária do Banco Central, que pode ter o primeiro aumento de juros no Brasil desde 2015. 

Apesar do início do ciclo de elevação dos juros, gestores de América Latina ouvidos este mês pelo Bank of America não esperam muita apreciação do real, em meio a incertezas fiscais e ruídos políticos. A grande maioria dos entrevistados, entre os dias 8 e 12, vê o dólar terminando o ano entre R$ 5,30 e R$ 5,60. Ao mesmo tempo não há mais gestores prevendo o dólar acima de R$ 6,00 ao final do ano, como havia em fevereiro (cerca de 5%). Hoje, o dólar para abril fechou com alta de 0,12%, a R$ 5,6270.

O dado na pesquisa do BofA que mais chama atenção é que caiu de 60%, no levamento feito em fevereiro, para 22% agora, o total de investidores que veem o real tendo o melhor desempenho na América Latina nos próximos seis meses. A aposta agora é nas moedas do México e do Chile. No geral, a pesquisa mostra redução do otimismo com Brasil na América Latina e aumento com a economia chilena, que tem rápida vacinação, e mexicana, que se beneficia da aceleração dos EUA. LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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