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Bolsa fecha em queda e dólar recua a R$ 5,23 antes de anúncio da Selic

Copom anuncia nesta quarta se mantém ou não em 2% a taxa básica de juros do País; porém, foi a postura vaga do Fed, o banco central americano, que ajudou a derrubar a B3

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2020 | 09h11

A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, seguiu o clima misto do mercado acionário de Nova York e encerrou com leve queda de 0,62%, aos 99.675,68 pontos, à espera do anúncio do Banco Central sobre a Selic, que deve ser mantida em 2%. Como a decisão virá apenas quando o mercado já estiver fechado, os negócios foram afetados pelo anúncio do Federal Reserve (Fed, o bc americano), que não convenceu os investidores após adotar uma postura vaga sobre a política monetária dos EUA. Esse cenário, no entanto, trouxe algum alívio para o real, já que o dólar encerrou com queda de 0,96%, cotado a R$ 5,2384.

Hoje, o Fed optou por manter a taxa de juros americana em 0,25% ao ano. A decisão já era esperada pelo mercado, no entanto, foi o discurso mais cauteloso de Jerome Powell, presidente do Fed, que incomodou os investidores. Para o economista-chefe da Pantheon Macroeconomics, Ian Shepherdson, como o órgão garantiu que manterá os juros nos níveis atuais até que os objetivos do máximo emprego e inflação em média de 2% sejam alcançados, a instituição fica com "considerável margem de manobra". "Porque, conforme o Fed já informou em agosto, o emprego máximo não pode ser estimado com precisão", explica.

 

A falta de uma postura mais agressiva pesou em Nova York, onde Dow Jones ainda fechou com alta de 0,13%, mas S&P 500 caiu 0,46% e Nasdaq recuou 1,25%, após os papéis do setor de tecnologia voltarem a ceder por lá. Nesta quarta, Apple teve baixa de 2,92% Alphabet registrou queda de 1,50%, a Amazon caiu 2,47% e a Microsoft recuou 1,79%. 

Passado o Fed, a atenção no Brasil se volta para o Copom, daqui a pouco. "Esperamos que o BC mantenha a taxa de juros em 2%, aborde os choques de atividade e inflação ocorrendo, estreitando mais a porta para novos cortes no futuro, mas sem fechá-la totalmente", diz Betina Roxo, estrategista-chefe da Rico Investimentos. "Apesar de o quadro inflacionário ser bastante comportado, já existem alguns itens da cesta de consumo começando a esboçar resposta aos estímulos feitos até agora", acrescenta.

Nesta sessão, as perdas do Ibovespa foram lideradas por um setor exportador, o de carnes, com Minerva em baixa de 3,61% e JBS, de 3,15%, puxadas pelo dólar em queda. No lado oposto, beneficiadas pelo fator cambial na sessão, CVC subiu 4,12%, Azul, 3,78%, e Gol, 3,40%. Entre as ações de maior peso,Vale On cedeu 2,60%, enquanto os bancos tiveram desempenho misto e moderado, com Bradesco Pn em alta de 0,20% e Itaú, em baixa de 0,29%. Com os resultados de hoje, a Bolsa ainda avança 1,33% na semana e tem ganho de 0,31% no mês, enquanto as perdas no ano chegam a 13,81%.

Petrobrás Pn subiu 0,28%, em dia de forte avanço do petróleo - hoje, o WTI para outubro fechou em alta de 4,91%, em US$ 40,16 o barril, retomando assim o patamar dos US$ 40. Já o Brent para novembro subiu 4,17%, a US$ 41,69 o barril. A passagem do furacão Sally pela região produtora do Golfo do México influenciou e os contratos também foram apoiados pela redução nos estoques dos EUA na última semana, superior à previsão.

Câmbio 

A sinalização pelo Federal Reserve de que os juros nos Estados Unidos não devem subir ao menos até 2023 ajudou o dólar a aprofundar o ritmo de queda ante o real, enquanto os investidores aguardam a decisão do BC sobre a Selic. Durante o discurso de Powell, a moeda caiu para as mínimas do dia, na casa dos R$ 5,21. Com os resultados de hoje, a moeda acumula queda de 1,78% na semana e de 4,42% no mês. Já o dólar para outubro encerrou com queda de 0,71%, a R$ 5,2405.

"Cada vez mais parece que não haverá aumento de taxas pelo Fed até 2024", avalia o economista-chefe da Fitch Ratings, Brian Coulton. Para ele, os dirigentes do Fed mostraram postura "bem dovish" hoje, ou seja, favoráveis a juros baixos e manutenção dos estímulos. Além disso, Coulton destaca que o Fed melhorou as previsões para o curto prazo na economia americana.

O dia também teve noticiário movimentado em Brasília, que foi monitorado pelas mesas de câmbio, mas sem efeito nos preços. O senador Márcio Bittar (MDB-AC), relator do Orçamento de 2021, disse que o presidente Jair Bolsonaro autorizou incluir um novo programa social no Orçamento, com mais detalhes saindo na terça-feira que vem. Já fontes ouvidas pelo Estadão/Broadcast informaram que o ministro da Economia, Paulo Guedes, espera o pedido de demissão do secretário de Fazenda da pasta, Waldery Rodrigues, que sugeriu o congelamento de aposentadorias para bancar o sequer lançado programa Renda Brasil.

Bolsas do exterior

O dia foi tenso no exterior, com os mercados à espera da decisão do Fed. Na Ásia, os índices chineses Xangai CompostoShenzhen Composto caíram 0,36% e 0,91% cada, enquanto o Hang Seng teve baixa marginal de 0,03% em Hong Kong e o sul-coreano Kospi teve baixa de 0,31%. Já o japonês Nikkei teve ligeira alta de 0,09% e o Taiex subiu 1,02% em Taiwan. A Bolsa australiana avançou 1,04%.

No velho continente, a atenção também se voltou para o banco central americano, mas por lá, apenas bolsa de Londres caiu 0,44% com a desaceleração da inflação na Inglaterra. O Stoxx 600 teve alta de 0,58%, a bolsa de Frankfurt subiu 0,29% e Paris avançou 0,13%. Já Milão, Madri e Lisboa tiveram ganhos de  0,04%, 1,06% e 0,22% cada./LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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