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Dólar fecha a R$ 5,64 e Bolsa recua com aversão aos riscos no mercado nacional

Entre os agentes do mercado financeiro, preocupação é a de que o governo não consiga respeitar o teto de gastos este ano; no exterior, as bolsas subiram

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2020 | 09h15
Atualizado 16 de outubro de 2020 | 18h08

O dólar voltou a subir nesta sexta-feira, 16, em meio ao aumento do temor com as contas fiscais do Brasil, sobretudo se o governo vai conseguir respeitar o teto de gastos. Na falta de notícias positivas, os investidores ficaram pouco avessos ao risco e com isso a moeda fechou em alta de 0,34%, a R$ 5,6435. O cenário pouco favorável aos negócios também afetou a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, que encerrou com queda de 0,75%, aos 98.309,12 pontos, mas ainda terminou a semana no azul.

JP Morgan, Citigroup, Société Générale, Commerzbank, Barclays e Bank of America estão entre os bancos internacionais que fizeram alertas recentes sobre a situação fiscal do Brasil a seus clientes. "Incertezas fiscais provavelmente vão permanecer no foco no Brasil e na África do Sul", comentam os economistas do inglês Barclays. Em Nova York, os estrategistas do Citi avaliam que o risco fiscal está contendo a apreciação do real. O banco americano calcula que a moeda brasileira está 15% mais depreciada do que sugerem os fundamentos globais da economia brasileira.

 

Apesar de a atividade econômica do Brasil estar retomando em nível rápido e melhor que seus pares, a analista de moedas e mercados emergentes do Commerzbank, Alexandra Bechtel, destaca que este fato não tem ajudado a retirar pressão do câmbio. "A incerteza sobre os desdobramentos das finanças nacionais permanece alta e provavelmente vai continuar a criar pressão para o real", avalia ela.

Novas preocupações de que o governo brasileiro possa violar o teto de gastos, ou mesmo desistir do mecanismo, vão seguir pressionando o real, comenta a analista do Commerzbank. Mesmo que o governo tenha insistido recentemente que vai respeitar o teto, Alexandra Bechtel ressalta que os detalhes de como isso será feito não estão claros. Ela avalia que Jair Bolsonaro vai seguir pressionando o ministério da Economia por mais gastos sociais, na medida em que foram as transferências de renda aos mais pobres que ajudaram a aumentar sua popularidade em meio à pandemia.

No fechamento de hoje, o dólar termina a semana com alta de 0,34%. No ano, a moeda americana sobe 40,7%. No mercado futuro, o dólar para novembro fechou com alta de 0,59%, a R$ 5,64901.

Já no mercado internacional, o dólar caiu de forma generalizada hoje, em dia marcado pela busca por ativos de risco, em meio a bons indicadores americanos, como venda no varejo de agosto, que surpreenderam, e a notícia de que a Pfizer pedirá aprovação em novembro para o uso emergencial de uma vacina contra a covid-19 nos EUA. Com isso, as bolsas americanas e europeias subiram, mas a Bolsa, assim como o real, teve dia de enfraquecimento por conta das preocupações fiscais.

Bolsa

O Ibovespa perdeu a carona do dia majoritariamente positivo na Europa e em Nova York, que fechou majoritariamente em alta após cair por três sessões seguidas. Na B3, mesmo com o estrangeiro de volta às compras até o dia 14 de outubro, acabou por prevalecer nesta sexta temores sobre a situação fiscal, que desperta a atenção do mercado para os vencimentos do Tesouro no primeiro quadrimestre de 2021 - a percepção começa a ser de que o Banco Central precisará elevar os juros para atrair interesse ao financiamento da dívida.

"Seria interessante se o Copom [Comitê de Política Monetária], na próxima reunião, desse sinal sobre a possibilidade de aumento da Selic, apesar da tranquilidade que tem mostrado sobre a inflação. A sinalização contribuiria para acalmar o mercado e melhorar as condições para os vencimentos do primeiro trimestre, de R$ 640 bilhões. A taxa de juros para janeiro de 2022 estava hoje em 3,4% ou 3,5%. Esta Selic a 2% não está servindo para muita coisa", diz Marcelo Serrano, sócio-gestor da Unnião Investimentos. "O mercado tem exigido prazos mais curtos e taxas maiores do governo, que tem sido obrigado a pagar mais, inclusive nas prefixadas."

Nesta sexta na B3, a reação positiva ao balanço da CSN na inauguração da temporada do terceiro trimestre, que levou a companhia a fechar com alta de 0,41%, colocou o setor de siderurgia entre os destaques pelo segundo dia. Hoje, Usiminas subiu 4,33%, mais uma vez em contraponto ao desempenho ruim de commodities, com as quedas de 2,48% e 2,13% de Petrobrás ON e PN, em um dia de queda para o petróleo no exterior.

O setor financeiro também decepcionou, com as quedas de 3,12% e 2,66% de Santander e Bradesco ON. Na ponta do Ibovespa, Braskem subiu hoje 5,58%, seguida por Suzano, com 4,61%, ambas apoiadas pela alta da moeda. No lado oposto, penalizadas pela falta de uma certeza sobre o retorno das aulas devido a pandemia, Cogna caiu 4,17%, à frente de Yduqs, com 3,30%. Com os resultados de hoje, a Bolsa encerra a semana com ganho de 0,85% e acumula alta de 3,92% no mês. No ano, ainda cede 14,99%. /ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, LUÍS EDUARDO LEAL E MAIARA SANTIAGO

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