Daniel Teixeira/Estadão
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Bolsa fecha em alta de 1,6% e dólar cai a R$ 5,43 com notícia de vacina para covid-19

Nesta segunda, a farmacêutica Moderna anunciou que sua vacina experimental para o coronavírus apresentou eficácia de 94,5% na fase 3 de testes

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2020 | 10h21
Atualizado 16 de novembro de 2020 | 18h56

A notícia de que o imunizante da Moderna apresentou resultados eficazes contra o coronavírus animou os investidores nesta segunda-feira, 16. Nesse cenário, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, fechou perto da máxima do dia, com alta de 1,63%, aos 106,429,92 mil pontos, em um pregão apoiado também pelo desempenho positivo do mercado acionário de Nova York. A notícia também favoreceu o dólar, mas o cenário fiscal do País pesou e a moeda diminuiu as perdas, encerrando a R$ 5,4375, uma queda de 0,70%.

Nesta segunda, a farmacêutica Moderna anunciou que sua vacina experimental para a covid-19 apresentou eficácia de 94,5% na fase 3 e que pretende pedir autorização à agência regulatória de medicamentos e alimentos americana (FDA) para uso emergencial em breve. Com a notícia, o imunizante da farmacêutica entrou no páreo ao lado da vacina que está sendo elaborada pela Pfizer com a BioNTech, que também apresentou eficácia de mais de 90%, segundo análises preliminares. Na Rússia, a Sputnik V teve 92% de eficácia contra o vírus.

"No papel, parece que a Moderna venceu a corrida das vacinas, com taxa (de eficácia) um pouco maior do que a da Pfizer, e muito mais fácil de armazenar. Mas este seria o primeiro tratamento da Moderna aprovado para vacinação e provavelmente a empresa terá mais obstáculo (a superar) para aumentar a produção", aponta em nota Edward Moya, analista de mercado da OANDA em Nova York. A notícia favoreceu também o mercado americano. Por lá, o Dow Jones subiu 1,60%, o S&P 500, 1,16% e o Nasdaq, 0,80%

Por aqui, o cenário pode vir a ser complementado por expectativa de algum refluxo do populismo fiscal, especialmente se houver progressão da agenda de ajustes no Congresso passado o segundo turno das eleições municipais, superada a etapa inicial, ontem, quando a maioria dos candidatos apoiados pelo presidente Bolsonaro ficou pelo caminho - em domingo no qual o DEM, de Rodrigo Maia, teve o maior crescimento no número de prefeituras, abaixo apenas do MDB no total de municípios com o partido. Analistas apontam, contudo, ser muito cedo para estabelecer correlação entre o resultado ainda parcial das urnas e os efeitos, benéficos ou não, sobre a condução das contas públicas.

"O mercado ainda não está olhando para isso, continuamos acompanhando o exterior, especialmente as notícias positivas que têm chegado sobre as vacinas. Assim, o padrão é semelhante ao observado na semana passada, com rotação de carteira, de ações mais apreciadas para aquelas mais atrasadas - o que aparece também nesta vantagem recente do Dow Jones sobre o Nasdaq", observa Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da Nova Futura. "Passado o segundo turno, e este entusiasmo global que se vê no momento, é provável que se volte a olhar mais para dentro."

Por aqui, perto do final do pregão, na máxima do dia, o Ibovespa subia 1,70%, aos 106.502,52 pontos. No mês, o índice sobe 13,28%, o melhor desempenho até aqui do ciclo de recuperação iniciado em abril (10,25%), limitando agora as perdas do ano a 7,97%. O fluxo estrangeiro em novembro na B3 está positivo em R$ 16,678 bilhões, resultado de compras de R$ 145,418 bilhões e vendas de R$ 128,739 bilhões até a última quinta-feira, 12. No ano, os saques estrangeiros estão em R$ 68,208 bilhões.

Entre as ações, Petrobrás ON e PN tiveram altas de 3,24% e 2,92% cada, enquanto BB ON subiu 2,57% e Santander avançou 7,25%. Destaque também para Vale ON, com ganho de 2,64%. Favorecidas pela vacina, as empresas do setor de aviação também ganharam. Em dia de divulgação balanço, Azul subiu 10,86%, à frente de Gol, com 8,49% e de Embraer, com 8,05%. No lado oposto, Braskem cedeu 3,12%, Totvs, 2,45%, e Lojas Americanas, 1,95%.

Câmbio

O dólar chegou a cair a R$ 5,36 pela manhã, mas o ritmo de desvalorização não se sustentou nos negócios da tarde, embora a moeda americana tenha operado em baixa durante todo o período. Por aqui, pesou o fato de líderes do governo no Congresso e também Rodrigo Maia admitirem que as votações mais importantes na ficarão para após o segundo turno. Hoje, o dólar para dezembro encerrou com queda de 0,75%, a R$ 5,4210.

Como ressalta um diretor de Tesouraria, não fosse o dólar cair forte no exterior hoje, essas declarações poderiam até fazer a moeda americana subir aqui, pois vão persistir as dúvidas no mercado sobre o Orçamento de 2021, o principal fator a embutir prêmio de risco maior nos ativos brasileiros nas últimas semanas, destaca ele. Hoje, a agência de classificação de risco Moody's alertou que o Brasil deve ter como foco principal em 2021 a estabilização da dívida e do rombo fiscal causado pela pandemia do coronavírus. No ano que vem, o País passa a Argentina e terá a maior relação entre a dívida bruta do governo e o Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina.

Para a agenda do Congresso, a consultoria americana de risco político Eurasia espera "semana mais fria, focada em negociações entre o governo e o Congresso para definição da pauta para o próximo mês". Os analistas da consultoria destacam que é crescente o risco de as reformas fiscais ficarem para 2021, para depois da sucessão nas mesas do Congresso, em fevereiro. / LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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