Amanda Perobelli/Reuters
Amanda Perobelli/Reuters

Bolsa inverte sinal e fecha em forte alta, aos 117,8 mil pontos; dólar vai a R$ 5,10

Votação das diretrizes do Orçamento de 2021, em dia de ajuste técnico, ajudou o Ibovespa a romper os 118 mil pontos, no maior nível desde janeiro; decisão do Federal Reserve também foi monitorada

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2020 | 09h38
Atualizado 16 de dezembro de 2020 | 18h49

A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, inverteu o sinal e chegou a subir aos 118 mil pontos nesta quarta-feira, 16, nível que não alcançava desde janeiro deste ano. No final do pregão, o índice perdeu um pouco do fôlego, mas fechou em alta de 1,47%, aos 117.857,35 pontos, amparado pela conclusão da votação das diretrizes do Orçamento de 2021 e a melhora do mercado americano. No câmbio, o dólar fechou com alta de 0,34%, a R$ 5,1062, após a decisão sobre a taxa de juros dos EUA.

Operadores relataram que uma operação grande no mercado futuro de Ibovespa teve forte interferência no desempenho do indicador, uma vez que um investidor vendido em ações e comprado em índice futuro teria ido ao mercado comprar papéis para liquidar sua posição junto à contraparte. De fato, a escalada do índice começou justamente a partir das 15h, quando começa o período de ajustes de vencimento de contratos. Naquele momento, a Bolsa oscilava em torno dos 116.500 pontos. Na máxima, atingiu 118.178,44 pontos, ganho de 1,75%.

Para Ariovaldo Ferreira, gerente de renda variável da H.Commcor, a rolagem de contratos de derivativos do Ibovespa para 2021 também contribuiu para a melhora do desempenho do mercado, observando que o fluxo de recursos externos continua firme e assim deverá permanecer. "O próximo vencimento do índice com liquidez ocorrerá em fevereiro, quando já teremos iniciado a vacinação contra a covid-19 e teremos uma perspectiva mais clara sobre o andamento das reformas no Congresso", afirma.

Mas o noticiário da tarde também contribuiu para a puxada do indicador. Entre diversos pontos abordados na coletiva de imprensa, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell, afirmou que os estímulos monetários adotados pelo banco central americano, com destaque para o programa de relaxamento quantitativo, "estão na dose correta". Contudo, ele ressaltou que caso seja necessário, "podemos expandir ainda mais nosso programa de compras de ativos."

Além disso, a autoridade monetária manteve a taxa de juros dos Estados Unidos entre o% e 0,25%. "Havia uma cautela grande antes da decisão do Fed e Powell confirmou que a instituição fará o que estiver ao seu alcance para incentivar a economia. Isso se soma ao otimismo com a vacinação que se inicia no mundo", disse Pedro Galdi, da Mirae. Por lá, o mercado acionário de Nova York fechou em alta. O Dow Jones subiu 0,15% e o S&P 500, 0,18%. O Nasdaq teve ganho de 0,50% e renovou sua máxima histórica de fechamento.

Por aqui, o destaque da tarde ficou por conta do Senado, que aprovou o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2021 em uma votação simbólica. Com isso, o Congresso conclui a análise da proposta e enviará o texto para sanção do presidente Jair Bolsonaro. A aprovação tranquiliza o governo, afastando o risco de colapso orçamentário a partir de janeiro. Deputados e senadores também aprovaram um crédito adicional de R$ 4,2 bilhões para viabilizar recursos a ministérios no Orçamento de 2020.

Com o resultado de hoje, o Ibovespa passa a contabilizar alta de 8,23% em dezembro e de 1,91% em 2020. Os maiores ganhos ficaram com os papéis do setor financeiro, com todos os bancos registrando ganhos superiores a 2%. Fica no radar as trocas de críticas entre o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. Segundo o deputado, Pazuello é um desastre, Paulo Guedes está enfraquecido e Jair Bolsonaro é um insensível.

Câmbio

O dólar teve novo dia de alta, em descompasso com a euforia vista na Bolsa, e a queda no risco Brasil, medida pelo Credit Default Swap (CDS), que chegou a cair a 148 pontos, o menor nível em 9 meses. Profissionais das mesas de câmbio dizem que pesou nesta quarta-feira a demanda por dólar à vista, comum na reta final do ano, para empresas e fundos remeterem juros e dividendos ao exterior. Como reflexo da pressão pela demanda, as cotações no mercado de balcão ficaram acima das do dólar para janeiro, que fechou estável, com baixa de 0,01%, a R$ 5,0820. Além disso, as mesas monitoraram a LDO e os novos ataques de Maia.

A alta perdeu um pouco de fôlego ante moedas fortes emergentes na reta final dos negócios, com as declarações de Jerome Powell. "O Fed permanece comprometido em apoiar a economia", destaca a analista da High Frequency Economics, Rubeela Farooqi, em nota. 

No País, o presidente (CEO) da BGC Liquidez, Erminio Lucci, o Brasil destaca que a agenda fiscal vai seguir como foco principal do mercado, como foi hoje com a votação da LDO, aprovada pelo Congresso no final da tarde. Para ele, a discussão sobre os novos presidentes da Câmara e do Senado também deve ser acompanhada de perto pelo mercado. Os estrategistas do canadense TD Bank avalia que para o dólar continuar perto ou abaixo de R$ 5,00, é preciso que a trajetória fiscal do Brasil caminhe "muito bem".

Já para o sócio e gestor da Trópico SF2 investimentos, Sergio Junqueira Machado, o maior risco para os ativos hoje é a postergação de decisões importantes para o fiscal. Ao mesmo tempo ele observa que a postura do BC com os swaps extras ajudou a dar alívio no câmbio. Em sua avaliação, o mercado embarcou no fluxo de "smart money" e houve uma onda de otimismo. "O norte hoje é: não mexer no teto", disse./ PAULA DIAS, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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