Daniel Slim/AFP
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Bolsa sobe 2,2% e dólar cai a R$ 5,58 após BC americano manter taxa de juros inalterada

O Federal Reserve deixou os juros dos Estados Unidos entre 0% e 0,25% ao ano; por aqui, expectativa é que Banco Central aumente em 0,5 ponto percentual a taxa Selic

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2021 | 09h30
Atualizado 17 de março de 2021 | 18h08

Tanto a Bolsa brasileira (B3) quanto o real ganharam força após o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) divulgar a manutenção de sua taxa de juros entre 0% e 0,25% ao ano, de forma unânime nesta quarta-feira, 17. Por aqui, o investidor também espera a decisão do Banco Central do País, que deve aumentar em 0,5 ponto percentual a taxa Selic, atualmente em 2% ao ano. A decisão sai hoje, logo após o fechamento do mercado.

O Ibovespa fechou em alta de 2,22%, aos 116.549,44 pontos, enquanto o dólar terminou com baixa de 0,59%, a R$ 5,5861, apesar de subir ante o real em boa parte do pregão. A cereja do bolo, contudo, foi o presidente do Fed, Jerome Powell reiterar que a taxa de juros não subirá tão cedo nos Estados Unidos, o que contribui para aliviar um pouco a missão do Copom nesta quarta em que deve anunciar a primeira elevação da Selic desde 2015.

"Aqui, 2% não é a taxa de equilíbrio e a expectativa é de que se inicie hoje a normalização, com aumento de 0,50 ponto porcentual, como todo mundo espera. Caso o Fed viesse mais pró-juros altos hoje, isso atrapalharia o trabalho do Copom, na medida em que estamos com atividade fraca. Ao defender juros baixos, o Fed ajudou muito", diz Roberto Attuch, CEO da Ohmresearch, chamando atenção para a visão do BC dos EUA sobre inflação, reiterada nesta quarta-feira, de que "choques de oferta são por definição temporários".

"A reação do mercado ao Fed foi muito boa. Não seria incômodo chegar ao fim do ano com um rendimento de 1,7% a 2% no título público americano de 10 anos, em meio a uma recuperação sincronizada nas maiores economias e com prosseguimento do giro de carteira, das ações de tecnologia para as que respondem de perto à retomada da economia real", acrescenta Attuch.

"Apesar do aumento (na projeção) do PIB (nos EUA) para este ano, de 4,2% para 6,5%, assim como da inflação, para 2,2%, os membros do Fed avaliam que não existem motivos para alterar a perspectiva de juros, e não projetam elevação até 2023", aponta Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora, acrescentando que o BC americano considera a inflação na faixa de 2% como "um nível saudável para a economia". Assim, a sinalização de que "não está preocupado com o avanço da inflação", mesmo com os juros ainda próximos a zero nos Estados Unidos, "acabou animando os investidores".

Passado o Fed, a atenção se volta para o Copom, em decisão na qual a percepção da autoridade monetária sobre a inflação também estará em primeiríssimo plano, embora de outra forma. "O primeiro semestre para a atividade doméstica está dado, foi para o saco. A questão passa a ser a inflação, e tolerância não seria bem-vinda. Um aumento de 0,75 ponto porcentual seria muito bem-vindo, o que puxaria inclusive o Ibovespa para cima, pelo sinal do BC", diz Leonardo Milane, sócio e economista da VLG Investimentos, observando que ajuste inferior a 0,50% seria "insatisfatório" para o mercado.

Na B3 desta quarta-feira pré-Copom, destaque para alta de 9,87% para SulAmérica, à frente de JHSF, com ganho de 7,62% e de Cosan, com 7,37%. No lado oposto, Hapvida cedeu 2,39%, Intermédica, 1,43%, e Eneva, 0,95%. Na semana, o Ibovespa avança agora 2,09%, estendendo o ganho do mês a 5,92% - no ano, limita a perda a 2,07%.

Câmbio

O dólar operou hoje com dois movimentos distintos. Antes da reunião do Federal Reserve, prevaleceu a alta e a moeda chegou a tocar em R$ 5,68 em meio a novo aumento dos juros longos americanos, nas máximas desde novembro de 2019. Após o encontro, tudo mudou e a divisa passou a cair e testar as mínimas do dia, indo a R$ 5,57. O dólar para abril recuou 0,71%, a R$ 5,5870.

"O Fed está nos dizendo que o cenário para a economia americana está melhor, mas para não nos preocuparmos muito com elevação de juros", comenta o economista do banco canadense CBIC Capital Markets, Avery Shenfeld. Passado o Fed, as atenções se voltam agora para a reunião do Copom.

Apesar dos juros voltarem a subir, o que é positivo para o real, Fischinger observa que o cenário no Brasil ainda é muito incerto, o que pode limitar qualquer melhora significativa. A aceleração de casos de covid deve aumentar a pressão por mais gastos do governo, mesmo com o auxílio emergencial de quatro meses aprovado com a PEC Emergencial. Há risco de mais medidas populistas por Jair Bolsonaro e a inflação não dá mostras de estar cedendo, ressalta ela. /LUÍS EDUARDO LEAL, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR E MAIARA SANTIAGO

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