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Cenário fiscal preocupa e Bolsa fecha com queda de 1,7%; dólar fica a R$ 5,49

B3 perdeu os 100 mil pontos e moeda bateu em R$ 5,51 na máxima; preocupação com as contas públicas, somada a rumores da saída de Guedes, chamaram a atenção

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2020 | 09h14
Atualizado 17 de agosto de 2020 | 18h28

A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, aprofundou as perdas nesta segunda-feira, 17, e encerrou com queda de 1,73%, aos 99.595,41 pontos, após um aumento da preocupação com o cenário fiscal do País e o crescimento do desconforto com as contas públicas do governo. Esse temor também pressionou o dólar que disparou ante o real, para fechar com alta de 1,30%, a R$ 5,4971. Com a agenda econômica esvaziada, pesou ainda o aumento dos rumores sobre uma possível saída de Paulo Guedes do governo.

Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença, destaca que não houve nenhuma nova informação, mas que o mercado segue de olho nas movimentações em Brasília. "Não houve uma notícia nova, mas o mercado se ajusta ao fim de semana, com o noticiário de que a substituição do Paulo Guedes pelo Campos Neto estaria em preparação, com o Guedes agora sozinho na luta contra a ala das obras", afirmou.

 

"O mercado começa a refletir a possibilidade de o Guedes ter subido no telhado. Mas o que ocorreu hoje, em ajuste de preço tanto em ações, como dólar e juros, está muito longe de ser uma consumação de sua saída. Com o Guedes fora do governo, o Ibovespa iria abaixo dos 80 mil pontos", diz Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da Nova Futura. "O mercado está começando a trabalhar com uma possibilidade que inexistia até a semana passada. A composição de risco agora é totalmente diferente, e os preços dos ativos estão respondendo a isso", acrescenta.

O mercado observou ainda o debate referente ao Orçamento de 2021. Guedes vai receber o senador Marcio Bittar (MDB-AC), para discutir a unificação em único texto das medidas de controle de despesas e acionamento dos gatilhos do teto de gastos. O senador já é o relator designado da proposta de Orçamento e deverá ser indicado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AC), para a relatoria dessa nova PEC que visa garantir o cumprimento do teto de gastos sem mudanças.

Neste contexto de incerteza, as perdas se distribuíram na sessão, com algumas ações conseguindo diferenciação, seja por resultados trimestrais positivos, divulgados recentemente, seja pelo forte avanço do dólar, que favorece a geração de receitas em reais de exportadoras como Marfrig, com alta de 5,37%, JBS, com ganho de 2,53% e Klabin, com avanço de 2,11%.

Já entre as ações de commodities, Petrobrás PN cedeu 0,31% e a ON teve leve alta de 0,04%, resultado descolado dos contratos futuros de petróleo, onde o WTI para setembro encerrou com alta de 2,09%, a US$ 42,89 o barril, enquanto o Brent para outubro subiu 1,27%, a US$ 45,37. Já Vale ON avançou 1,43%. Com os resultados de hoje, a Bolsa acumula queda de 3,22% no mês e cede 13,88% no ano.

Câmbio

A moeda fechou em um nível que não se via desde 22 de maio passado, quando encerrou a R$ 5,5797. Na máxima do dia, a divisa americana subiu a R$ 5,5141, ecoando os rumores sobre uma possível saída de Guedes.  "Mas, por enquanto, são só rumores, uma vez que, se fosse verdade, as coisas no mercado estariam muito piores", afirmou Paulo Sabat, gestor da mesa de Derivativos da Necton Investimentos. No entanto, ele ressaltou que, pelo sim, pelo não, houve aumento de posição comprada no câmbio. Também pressionado, o dólar para setembro encerrou com alta de 1,57%, a R$ 5,5115.

A ausência do Banco Central, que hoje voltou a fazer leilões apenas para rolagem, causou estranhamento a participantes do mercado. Na quarta-feira passada, 12, a autoridade monetária ofertou 20 mil contratos de swap cambial, o que equivale à venda de dólares no mercado futuro, no montante total de US$ 1 bilhão, quando o dólar foi em direção aos R$ 5,49.

Bolsas do exterior

Novamente em alta, as ações das empresas de tecnologia, como o ganho de 1,09% da Amazon, deram ajuda às bolsas de Nova York, que fecharam sem direção única. O S&P 500 fechou em alta de 0,27%, acompanhado pelo Nasdaq, com ganho de 1%. Já o índice Dow Jones fechou com perda de 0,31%. Por lá, ficou ainda no radar o impasse entre democratas e republicanos pelos novos estímulos de até US$ 1 trilhão prometidos pelo governo americano.

O aumento de casos do novo coronavírus, somado a preocupação com a demora da aprovação do pacote de estímulos nos EUA pesou no velho continente e deixou os índices sem direção, com o Stoxx 600 fechando em alta de 0,32%. A Bolsa de Londres também teve ganho de 0,61%, a de Frankfurt subiu 0,15% e a de Paris avançou 0,18%. Já os índices de Milão, Madri e Lisboa tiveram quedas de 0,39%, 0,90% e 0,14% cada.

As mesmas preocupações rondaram o mercado asiático, mas animou a decisão do Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês) de injetar 700 bilhões de yuans (US$ 101 bilhões) no sistema bancário do país. Com isso, os chineses Xangai Composto e Shenzhen Composto subiram 2,34% e 1,92% cada. Já o Hang Seng se valorizou 0,65% em Hong Kong e o Taiex subiu 1,26% em Taiwan. Já o japonês Nikkei caiu 0,83% e a Bolsa australiana recuou 0,81%. O sul-coreano Seul não operou devido a um feriado./LUÍS EDUARDO LEAL, SIMONE CAVALCANTI E MAIARA SANTIAGO

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