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Dólar fecha a R$ 5,33, no menor nível desde setembro; Bolsa encerra em alta

Nova venda de dólares pelo BC, além de indicações positivas sobre o andamento da pauta econômica e de responsabilidade fiscal ajudaram o mercado hoje

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2020 | 09h15
Atualizado 17 de novembro de 2020 | 18h59

Os ativos brasileiros se descolaram, de forma geral, do comportamento mais cauteloso visto no exterior nesta terça-feira, 17, em que o dólar encerrou com forte queda de 1,97%, a R$ 5,3305, menor nível desde 17 de setembro. Hoje, indicações positivas sobre o andamento da pauta econômica e de responsabilidade fiscal também entraram em cena, o que foi decisivo para que a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, terminasse em sentido oposto ao mercado de Nova York, com alta de 0,77%, aos 107.248,63 pontos, no maior patamar de fechamento desde 21 de fevereiro.

Nesta terça, a decisão do Banco Central de anunciar na noite da última segunda-feira, 16, a rolagem de contratos de swap (espécie de venda de dólar no mercado futuro) que vencem em janeiro de 2021 - e somam US$ 11,8 bilhões - e, mais ainda, sinalizar que este valor pode ficar maior, foi fundamental para o real ter hoje o melhor desempenho mundial ante o dólar, em uma cesta de 34 divisas mais líquidas, ressaltam profissionais das mesas de câmbio. 

"O que catalisou a queda no mercado local hoje foi que o BC deixou a porta aberta para recalibrar a oferta de swap", afirma o assessor da Alta Vista Investimentos, Orlando Bachesque. Ele observa que o índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de moedas fortes, operou em queda hoje, o que ajuda a retirar pressão do câmbio doméstico, mas o BC se mostrando mais "ativo" teve peso predominante.

Além do apoio do BC, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell, disse hoje que ainda "não chegamos ao momento ideal para abandonar instrumentos monetários" e que não é a hora de pensar em "sustentabilidade fiscal" dos EUA. Na Europa, a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, disse que a instituição está preparada para "recalibrar instrumentos para enfrentar segunda onda de covid".

Na esfera doméstica, o governo tem buscado mostrar compromisso com o ajuste fiscal, fator que tem sido monitorado de perto pelo mercado. Hoje, o secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, reiterou que a agenda fiscal será retomada em 2021, enquanto o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse ser importante manter o compromisso com a responsabilidade nas contas públicas. Segundo Sachsida, mais R$ 110 bilhões vão entrar na economia brasileira até o fim do ano por meio dos auxílios emergenciais adotados na pandemia.

Sobre o câmbio, a pesquisa do Bank of America (BofA) mostra que aumentou o otimismo com o real. Para a maioria dos investidores ouvidos, é a moeda da América Latina que terá melhor desempenho ante o dólar nos próximos seis meses. Para 65% dos investidores, o dólar deve encerrar 2020 abaixo de R$ 5,30 ante 27% do levantamento feito em outubro. Uma parcela ainda maior vê chance de maior desvalorização da moeda americana: 45% dos investidores projetam o dólar no fim do ano abaixo de R$ 5,10. 

Bolsa

O Ibovespa alcançou nesta terça-feira o maior nível de fechamento desde fevereiro, escalando novo degrau na trajetória de recuperação, agora na faixa dos 107 mil pontos, ao emendar o terceiro ganho consecutivo. Apesar do dia de cautela no exterior passado o entusiasmo com as vacinas, volta-se a olhar a progressão da doença na Europa e nos EUA -, o índice da B3 segue movido pelo recente reingresso do investidor estrangeiro, enquanto, aqui, busca-se também dar um voto de confiança ao compromisso das autoridades econômicas com a responsabilidade fiscal.

Em dia de escassez de novos catalisadores, o Ibovespa somou giro financeiro de R$ 36,7 bilhões, ainda alto para o padrão da B3. Saindo de abertura a 106.430,04, com mínima a 105.846,62 e máxima a 107.810,31 pontos na sessão, o Ibovespa avança 2,41% na semana e 14,15% no mês, limitando as perdas do ano a 7,26%. O desempenho do índice hoje também ficou acima do mercado acionário de Nova York, com Dow Jones fechando em baixa de 0,56%, o S&P 500, de 0,48% e o Nasdaq, de 0,21%.

Entre as ações, Petrobrás PN e ON fecharam respectivamente em alta de 1,72% e 1,13%. Outro destaque na sessão foi Vale ON, em alta de 3,16% no fechamento.Os bancos também fecharam em sinal único, em alta de 0,07% para Itaú PN e de 1,85% para Santander.

"Vale e Petrobrás puxaram hoje, levando o Ibovespa junto. O mercado reagiu muito bem ao fechamento ontem da posição do BNDES em Vale, e a alta do minério na China também ajudou hoje, enquanto Petrobrás tem sido favorecida pela busca por ativos depreciados", observa Jefferson Laatus, estrategista-chefe do Grupo Laatus, que vê o Ibovespa acima de 110 mil pontos no encerramento do ano./ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, LUÍS EDUARDO LEAL E MAIARA SANTIAGO

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